Bilhete de Mendonça a Toffoli chama atenção durante julgamento no Supremo

Bilhete de Mendonça a Toffoli chama atenção durante julgamento no Supremo

Um gesto discreto entre dois ministros chamou atenção durante a sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal realizada na terça-feira, 15 de setembro. Enquanto o plenário discutia questões relacionadas às investigações do caso Banco Master e à situação do ministro Alexandre de Moraes, André Mendonça escreveu uma mensagem e pediu a um assessor que a entregasse a Dias Toffoli. O momento foi registrado durante uma das etapas mais movimentadas do julgamento. Depois de receber e ler o recado, Toffoli respondeu ao colega com um sinal positivo feito com a mão. Até o momento, o conteúdo do bilhete não foi tornado público e, por isso, não é possível confirmar qual assunto os dois ministros tratavam naquele momento. O episódio acabou ganhando repercussão justamente por ocorrer durante uma sessão cercada de divergências jurídicas e discussões entre integrantes da Corte.

A entrega ocorreu por volta das 11h48, enquanto o ministro Gilmar Mendes se manifestava sobre um ofício encaminhado por Flávio Dino ao presidente do STF, Edson Fachin. O documento apresentado durante a sessão questionava aspectos da tramitação da Petição 16.662, processo que havia ficado sob responsabilidade de André Mendonça e posteriormente passou para Fachin. Nesse contexto, Mendonça escreveu a anotação e um auxiliar percorreu o plenário para entregá-la a Toffoli. Reportagem do UOL, produzida a partir da observação da sessão, relatou que o recado foi escrito em um guardanapo. Pouco depois, Alexandre de Moraes também foi visto conversando reservadamente com Toffoli. Esses movimentos aconteceram fora do foco principal das manifestações públicas dos ministros, mas acabaram compondo os bastidores de uma sessão que despertou forte atenção pela quantidade de questões processuais discutidas.

Dias Toffoli já havia informado que não participaria da análise de determinadas questões relacionadas ao caso, após declarar impedimento. Kassio Nunes Marques também comunicou que não votaria. Com duas cadeiras fora da deliberação, o plenário passou a trabalhar com uma composição reduzida em parte da sessão. A reunião havia sido convocada em meio às discussões sobre informações produzidas pela Polícia Federal a partir de investigações relacionadas ao Banco Master e sobre os procedimentos que deveriam ser adotados diante de referências a integrantes do próprio Supremo. O tribunal enfrentava, portanto, uma situação incomum: além de examinar aspectos jurídicos do caso, os ministros precisavam definir regras processuais sobre investigações que citavam membros da Corte.

O bilhete, porém, esteve longe de ser o único episódio observado nos bastidores. Durante a primeira parte da sessão, ministros conversaram reservadamente, trocaram documentos e reagiram às intervenções dos colegas enquanto as discussões prosseguiam. André Mendonça foi visto consultando e destacando papéis durante o julgamento, enquanto assessores circulavam levando documentos aos gabinetes dos magistrados. Em determinado momento, auxiliares entregaram cópias do ofício de Flávio Dino praticamente ao mesmo tempo aos integrantes do plenário. Também houve divergências públicas sobre a condução dos debates e sobre a possibilidade de analisar conjuntamente processos relacionados ao caso. Apesar do ambiente de forte discordância jurídica, a sessão teve momentos de aproximação entre os ministros, incluindo uma conversa entre Dino e Fachin depois de um debate sobre as regras para concessão de apartes.

A principal discussão processual daquele dia envolvia a possibilidade de reunir diferentes petições relacionadas às investigações. Flávio Dino apresentou uma questão de ordem defendendo a análise conjunta de casos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça, enquanto outros ministros divergiram sobre a proposta. A votação chegou a registrar maioria parcial pela manutenção dos processos separados, mas não houve conclusão definitiva. Dino posteriormente pediu vista, medida que interrompeu a análise e adiou uma decisão final do plenário. O próprio Supremo informou que o pedido suspendeu a discussão sobre o julgamento conjunto das duas petições relacionadas ao caso Master. Dessa forma, a sessão terminou sem uma definição conclusiva sobre esse ponto, mantendo abertas questões que deverão retornar ao plenário em momento posterior.

Nesse cenário, a troca de bilhete entre Mendonça e Toffoli acabou se transformando em uma das imagens de bastidor mais comentadas daquele dia, embora seu significado permaneça desconhecido. As informações confirmadas permitem afirmar apenas que Mendonça enviou a mensagem por intermédio de um assessor, Toffoli leu o conteúdo e respondeu com um gesto de aprovação. Qualquer interpretação sobre o assunto tratado entre os dois iria além do que foi divulgado publicamente. A repercussão do episódio está ligada principalmente ao contexto em que ocorreu: uma sessão extraordinária, com ministros impedidos de votar, divergências sobre a condução das investigações e discussões sobre a forma de processamento de casos relacionados ao Banco Master. Enquanto o conteúdo do recado não for revelado pelos próprios envolvidos ou por documentação oficial, o bilhete permanece como um registro dos bastidores, e não como evidência sobre o mérito dos processos debatidos pelo Supremo.