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Datafolha: Tarcísio chega a 49% em São Paulo e abre vantagem de 20 pontos sobre Haddad

A disputa pelo Governo de São Paulo ganhou um novo retrato nesta sexta-feira (11), com números que colocam o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em posição confortável na corrida pela reeleição. Segundo pesquisa Datafolha, ele aparece com 49% das intenções de voto, enquanto Fernando Haddad (PT) registra 29%, uma diferença de 20 pontos percentuais. O levantamento reforça a liderança do atual governador e indica crescimento em relação à rodada de agosto, quando Tarcísio tinha 45% e Haddad, 27%. Considerando apenas os votos válidos — cálculo que exclui brancos e nulos e é utilizado pela Justiça Eleitoral para definir o resultado — Tarcísio alcança 56%, percentual que, se confirmado nas urnas, seria suficiente para encerrar a eleição estadual já no primeiro turno. 

O cenário apresentado pelo instituto também mostra uma disputa bastante concentrada nos dois principais candidatos. Carlos Machado (PCB) e Policial Edjane (Agir) aparecem com 3% cada, enquanto Vera Lúcia (PSTU) e Vivian Mendes (UP) registram 2%. Izadora Dias (PCO) tem 1%. A vantagem do governador se mantém quando o Datafolha simula uma eventual segunda rodada eleitoral: Tarcísio aparece com 56%, contra 35% de Haddad. Os números revelam que, neste momento da campanha, o petista teria não apenas o desafio de diminuir a distância no primeiro turno, mas também de ampliar sua capacidade de conquistar eleitores que hoje preferem outros candidatos ou ainda não definiram o voto. O quadro, entretanto, continua sujeito a mudanças até o dia da votação. 

O levantamento ouviu 1.610 eleitores em 65 municípios paulistas, entre os dias 8 e 10 de setembro, e possui margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa também oferece pistas importantes sobre os fatores que ajudam a explicar o desempenho eleitoral do governador. A atual administração paulista é considerada ótima ou boa por 46% dos entrevistados, enquanto 30% classificam a gestão como regular e 21% como ruim ou péssima. Em outra pergunta, 63% disseram aprovar o governo Tarcísio e 32% declararam desaprovação. Esses índices ajudam a contextualizar a força eleitoral do candidato à reeleição, embora avaliação administrativa e intenção de voto sejam indicadores diferentes e não devam ser tratados como equivalentes. 

Para Haddad, os dados representam uma dificuldade adicional nesta etapa da campanha. Além da diferença nas intenções de voto, o ex-ministro enfrenta rejeição superior à do adversário. Na rodada divulgada nesta sexta, 48% dos entrevistados afirmam que não votariam nele, enquanto a rejeição de Tarcísio permanece significativamente menor. Na pesquisa de agosto, o petista já apresentava 47% nesse indicador, contra 29% do governador. A campanha de Haddad foi estruturada também para oferecer um palanque relevante ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Paulo, enquanto Tarcísio declarou apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), apesar de o Republicanos ter adotado posição de neutralidade na disputa nacional. Assim, a corrida estadual passou a ter reflexos que ultrapassam a eleição para o Palácio dos Bandeirantes. 

Esse componente nacional ajuda a explicar por que o desempenho de Tarcísio é acompanhado de perto pelas campanhas presidenciais. Flávio Bolsonaro aparece com 35% nacionalmente no levantamento Datafolha divulgado no mesmo dia, contra 39% de Lula, e os dois estão tecnicamente empatados em uma simulação de segundo turno, com 44% e 46%, respectivamente. Nesse contexto, uma eventual reeleição de Tarcísio no primeiro turno poderia fortalecer politicamente o palanque de Flávio em São Paulo na reta final da disputa presidencial. Trata-se, porém, de uma consequência possível e não automática: o comportamento do eleitor em uma eleição estadual não necessariamente se transfere integralmente para a disputa nacional. Ainda assim, o apoio declarado do governador transforma seu desempenho em um ativo político relevante para a campanha do senador. 

O novo Datafolha consolida, portanto, Tarcísio como favorito na fotografia atual da eleição paulista, mas não representa um resultado antecipado. Pesquisas medem a preferência do eleitorado no período em que são realizadas e podem mudar conforme debates, campanhas, acontecimentos políticos e decisões de quem ainda não definiu seu voto. Outro levantamento recente, da Quaest, também apontou liderança do governador, mas com percentuais diferentes: 42% para Tarcísio e 27% para Haddad, demonstrando como metodologias e momentos distintos podem produzir variações. O dado central desta sexta-feira permanece claro: Tarcísio alcançou 49% no Datafolha e, considerando os votos válidos, aparece acima da marca necessária para uma definição no primeiro turno. As próximas pesquisas mostrarão se essa vantagem se mantém ou se a disputa paulista ganhará novos movimentos nas semanas finais. 

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