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Datafolha mostra Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 35%; segundo turno segue em empate técnico

A corrida pelo Palácio do Planalto permanece aberta a poucas semanas do primeiro turno, segundo nova pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (11). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 39% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) registra 35%, diferença de quatro pontos percentuais. Como a margem de erro do levantamento é de dois pontos para mais ou para menos, os intervalos dos dois candidatos encostam no limite, reforçando um cenário competitivo. A pesquisa foi realizada entre os dias 8 e 10 de setembro, período marcado também pela crise institucional envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal e investigações relacionadas ao Banco Master, assunto que passou a ocupar grande espaço no debate político nacional. 

Na sequência aparecem candidatos que ainda tentam ampliar espaço fora da polarização entre PT e PL. O escritor Augusto Cury, do Avante, alcança 6% das intenções de voto, enquanto Ronaldo Caiado, do PSD, marca 4%. Renan Santos, do Missão, registra 3%, e Romeu Zema, do Novo, aparece com 2%. Outros nomes ficam na faixa de 1%. O levantamento também aponta 6% de votos brancos ou nulos e parcela de eleitores que ainda não decidiu em quem votar. A comparação com a rodada anterior chama atenção principalmente pelo movimento dos dois líderes: Lula tinha 38% e avançou um ponto, enquanto Flávio Bolsonaro passou de 33% para 35%. Cury, que havia alcançado 8% na pesquisa anterior, agora aparece com 6%, indicando oscilação após o crescimento registrado no início do mês. 

O dado mais sensível, porém, surge na simulação de um eventual segundo turno. Nesse cenário, Lula aparece com 46% e Flávio Bolsonaro com 44%, números idênticos aos registrados na rodada anterior. A diferença de dois pontos está dentro da margem de erro, o que caracteriza empate técnico entre os dois candidatos. O resultado demonstra que, embora Lula mantenha vantagem nominal, nenhum dos concorrentes possui neste momento distância suficiente para ser apontado como favorito incontestável em uma disputa direta. Essa estabilidade também mostra que o crescimento de Flávio no primeiro turno ainda não alterou significativamente a fotografia do segundo. A eleição segue, portanto, dependente da movimentação de eleitores indecisos, dos votos destinados aos demais candidatos e dos acontecimentos que deverão marcar as semanas finais da campanha. 

O Datafolha entrevistou 2.002 eleitores em 125 municípios brasileiros entre terça-feira, 8, e quinta-feira, 10 de setembro. O levantamento foi encomendado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo, possui margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-01833/2026. A mesma pesquisa revelou outro dado importante para compreender o grau de polarização: Lula e Flávio Bolsonaro têm índices idênticos de rejeição. Segundo o instituto, 46% dos entrevistados afirmam que não votariam no presidente em nenhuma hipótese, exatamente o mesmo percentual registrado pelo senador. Na rodada anterior, Flávio tinha 47% de rejeição e Lula, 45%, também dentro de uma situação de empate técnico. 

A pesquisa ocorre em uma conjuntura particularmente movimentada. Além da disputa eleitoral, os últimos dias foram dominados pelas divergências no STF e pelos desdobramentos das investigações relacionadas ao Banco Master. A própria Folha observa que a crise da Corte passou a ser explorada politicamente durante a campanha, enquanto Flávio Bolsonaro vem ajustando seu discurso sobre o Supremo e mantendo críticas direcionadas a ministros específicos. Ao mesmo tempo, levantamentos de outros institutos divulgados recentemente apontam um quadro igualmente competitivo. Uma compilação das pesquisas mais atuais mostra Lula variando entre 36% e 43% no primeiro turno e Flávio entre 29% e 40%, dependendo da metodologia utilizada. Nas simulações de segundo turno, diferentes institutos também apresentam diferenças pequenas entre os dois principais adversários. 

Por isso, a leitura de que um empate no Datafolha significaria automaticamente que Flávio Bolsonaro estaria “bem à frente” não pode ser sustentada pelos dados disponíveis. Não consigo confirmar isso. Pesquisas eleitorais são estimativas feitas a partir de amostras e possuem margens de erro, métodos e períodos de coleta próprios; portanto, não é correto transformar uma diferença dentro da margem em uma liderança que o levantamento não demonstrou. O que pode ser afirmado neste momento é que Lula continua numericamente à frente no primeiro turno do Datafolha, enquanto o segundo turno apresenta empate técnico, e que outros institutos também identificam uma disputa apertada. Com a eleição se aproximando e parte do eleitorado ainda podendo mudar de escolha, as próximas rodadas serão importantes para saber se a aproximação registrada agora representa uma tendência consolidada ou apenas uma oscilação dentro de uma corrida que continua altamente competitiva. 

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