O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom dos ataques ao senador Flávio Bolsonaro (PL) durante um ato de campanha em Montes Claros, no norte de Minas Gerais, nesta quinta-feira (17). Ao falar sobre a disputa presidencial de 2026, Lula afirmou que não queria ser comparado diretamente com Flávio e pediu aos eleitores que fizessem a comparação com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A declaração ocorreu durante uma agenda que também contou com aliados do presidente na disputa eleitoral em Minas Gerais. O episódio foi registrado pelo Metrópoles e ocorreu em meio à intensificação da campanha para a eleição presidencial.
Durante o discurso, Lula chamou Flávio Bolsonaro de “ninguém” e afirmou que os eleitores deveriam levar em consideração o histórico político do pai dele. Na fala, o presidente também voltou a mencionar as investigações relacionadas aos acontecimentos posteriores às eleições de 2022 e acusou Jair Bolsonaro de ter participado de articulações contra as instituições. As declarações são de Lula e refletem sua posição política durante a campanha. O ex-presidente, por sua vez, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a mais de 27 anos de prisão em processo relacionado à tentativa de impedir o reconhecimento do resultado eleitoral de 2022.
Ao abordar as investigações, Lula também recordou a existência de um documento localizado pela Polícia Federal durante as apurações, que descrevia ações contra ele, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o então presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Alexandre de Moraes. Segundo o relato apresentado na matéria, o documento previa diferentes medidas, incluindo a prisão de Moraes e ações contra as autoridades. O próprio conteúdo jornalístico ressalta, porém, que não foram apresentadas provas de que Jair Bolsonaro tivesse conhecimento ou participação direta na elaboração desse documento. Essa distinção é relevante para separar os elementos encontrados nas investigações das acusações políticas feitas durante o discurso.
A agenda em Montes Claros marcou a primeira visita de Lula ao interior de Minas Gerais desde o início da campanha, segundo o Metrópoles. O presidente participou de uma caminhada e de compromissos ao lado de Patrus Ananias, candidato do PT ao governo estadual, além das candidatas ao Senado Marília Campos, do PT, e Áurea Carolina, do PSOL. A atividade integrou a estratégia de campanha do grupo petista no estado e reuniu apoiadores e candidatos aliados. Informações sobre a agenda também foram divulgadas previamente por veículos locais, que confirmaram a participação dos principais nomes do grupo no evento.
Durante o mesmo ato, Lula direcionou críticas ao chamado voto “Marécio”, expressão usada para se referir a uma possível combinação de votos entre Marília Campos e o ex-governador Aécio Neves (PSDB) na disputa pelas duas vagas de Minas Gerais no Senado. O presidente pediu que os eleitores não adotassem essa estratégia e citou nominalmente Marília e Áurea durante sua fala. Lula também fez críticas a Aécio e relembrou a relação política que manteve com o tucano quando os dois ocupavam cargos no Executivo. Em outro trecho, afirmou que o então governador mineiro teria deixado de destacar ações do governo federal realizadas no estado e fez uma crítica à atuação de Aécio durante a campanha presidencial de 2014.
As declarações ocorrem em um cenário de disputa eleitoral marcada pela polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro. Pesquisas divulgadas em setembro apresentam resultados diferentes conforme o instituto e a metodologia utilizada. A Atlas/Bloomberg, por exemplo, apontou 47,2% para Flávio e 46,8% para Lula em uma simulação de segundo turno, resultado classificado como empate técnico dentro da margem de erro. Já a pesquisa Datafolha divulgada em 17 de setembro registrou 46% para Lula e 44% para Flávio, também dentro da margem de erro do levantamento.







