“Caíram de joelhos”: Lula surpreende ao falar de brasileiros e dos Estados Unidos

“Caíram de joelhos”: Lula surpreende ao falar de brasileiros e dos Estados Unidos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender a soberania brasileira sobre recursos minerais estratégicos e criticou, durante cerimônia no Palácio do Planalto, brasileiros que, segundo ele, estariam dispostos a permitir que riquezas do país fossem destinadas ao exterior sem processamento nacional. A declaração ocorreu nesta quarta-feira (16), durante a sanção da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e Terras Raras. Sem citar nomes, Lula afirmou que “traidores da pátria” teriam “caído de joelhos diante dos Estados Unidos” ao defender a possibilidade de exportação de minerais críticos e terras-raras em estado bruto. O presidente relacionou o tema à defesa da soberania nacional e afirmou que o Brasil deve ampliar a capacidade de transformar seus recursos naturais dentro do próprio território.

Durante o discurso, Lula afirmou que o país não deve repetir um modelo baseado na exportação de matérias-primas sem agregação de valor. Segundo o presidente, o objetivo da nova política é estimular o beneficiamento e a industrialização dos minerais estratégicos no Brasil, criando condições para que uma parcela maior da riqueza permaneça na economia nacional. Lula declarou ainda que o Brasil não será novamente uma “colônia” de outros países e afirmou que a soberania brasileira não estaria à venda. A fala faz parte de uma linha de comunicação adotada pelo governo em torno da exploração de minerais críticos e terras-raras, considerados estratégicos para setores de alta tecnologia. A discussão ganhou importância internacional devido à disputa entre Estados Unidos e China pelo acesso e pelo processamento desses recursos.

O presidente já havia utilizado expressão semelhante durante a campanha eleitoral. Em 1º de setembro, em propaganda eleitoral, Lula chamou de “traidores da pátria” aqueles que, segundo ele, estariam dispostos a entregar reservas brasileiras de terras-raras a outros países. Na ocasião, a campanha defendeu que esses recursos fossem refinados e industrializados no Brasil, associando a estratégia à geração de empregos qualificados e ao desenvolvimento tecnológico. A proposta apresentada pelo programa eleitoral também relacionou a exploração dos minerais a investimentos em universidades, institutos federais e formação profissional. Na cerimônia desta quarta-feira, Lula retomou essa argumentação ao defender que o país utilize sua capacidade científica e tecnológica para avançar na cadeia produtiva dos minerais.

O tema também envolve as relações comerciais do Brasil com os Estados Unidos e outros países. Lula afirmou que o Brasil pode estabelecer parcerias internacionais sem abrir mão do processamento de seus recursos estratégicos em território nacional. Segundo o presidente, o país não precisa manter uma relação de dependência com Estados Unidos, China ou qualquer outra potência. A política sancionada estabelece mecanismos para incentivar a exploração e, principalmente, o beneficiamento de minerais considerados estratégicos. Entre as medidas previstas está a criação de instrumentos de financiamento e incentivos para empresas que investirem no processamento desses materiais no Brasil. A legislação também prevê crédito tributário de R$ 5 bilhões entre 2030 e 2034 para projetos voltados à transformação dos minerais críticos e terras-raras dentro do país.

As terras-raras ocupam posição estratégica nesse debate porque são utilizadas em diferentes setores tecnológicos. O grupo reúne 17 elementos químicos empregados, por exemplo, na fabricação de ímãs de alto desempenho usados em motores de veículos elétricos, turbinas eólicas e outros equipamentos. Embora a China tenha papel predominante no processamento desses materiais, os Estados Unidos vêm buscando diversificar fornecedores e reduzir sua dependência do mercado chinês. Nesse cenário internacional, o Brasil aparece como um país com reservas relevantes e potencial para ampliar sua participação na cadeia de produção. O governo Lula afirma que pretende aproveitar essa oportunidade para estimular a industrialização nacional, enquanto as discussões comerciais envolvem interesses de diferentes países e empresas.

A fala desta quarta-feira também se conecta ao cenário político e eleitoral de 2026, já que Lula vem utilizando a defesa da soberania e dos recursos naturais como parte de sua comunicação pública. Em seu discurso, entretanto, o presidente não identificou nominalmente os brasileiros aos quais se referiu ao falar sobre os chamados “traidores da pátria”. O Poder360 registra que as críticas fazem parte do embate político de Lula com setores ligados à família Bolsonaro e também ocorrem em meio a discussões sobre acordos internacionais envolvendo minerais críticos. A nova política sancionada pelo presidente estabelece como objetivo ampliar o beneficiamento desses recursos no Brasil, reduzir a dependência externa em determinadas etapas produtivas e estimular investimentos em tecnologia e formação profissional.