Após relatório divulgado, Bolsonaro deixa de ter autorização

O ex-presidente Jair Bolsonaro voltou ao centro das atenções políticas e médicas após novos relatórios enviados ao STF revelarem que ele ainda enfrenta sérias limitações físicas depois da cirurgia realizada no ombro direito. De acordo com os documentos apresentados pela equipe médica, Bolsonaro não recebeu autorização para iniciar a chamada fase ativa da fisioterapia, etapa considerada fundamental para recuperar força muscular, mobilidade e autonomia nos movimentos. A informação reforçou a percepção de que o estado de saúde do ex-presidente continua exigindo cuidados constantes, mesmo semanas após o procedimento cirúrgico.
Os relatórios médicos apontam que Bolsonaro apresenta “importante limitação de movimento do ombro direito”, além de rigidez articular e restrições de mobilidade na área da cicatriz cirúrgica. A avaliação foi assinada pelo fisioterapeuta Kleber Antônio Caiado de Freitas e pelo ortopedista Alexandre Firmino. Segundo os profissionais, embora o ex-presidente esteja consciente, orientado e colaborativo durante os atendimentos, o quadro ainda impede avanços mais intensos no processo de reabilitação. Neste momento, a recomendação é de apenas uma sessão semanal de fisioterapia, limitada a mobilizações passivas, sem exercícios ativos ou fortalecimento muscular.
Na prática, isso significa que Bolsonaro ainda depende de um tratamento extremamente controlado, sem poder realizar movimentos mais amplos ou esforços maiores com o braço afetado. Médicos costumam considerar essa fase delicada porque qualquer avanço precipitado pode comprometer a cicatrização e agravar o quadro. É como tentar acelerar um carro enquanto o motor ainda está desmontado: o risco de dar problema é enorme.
Além das dificuldades ortopédicas, os documentos enviados ao STF mostram que Bolsonaro continua lidando com outros problemas de saúde paralelos. Em relatório separado, o cardiologista Brasil Ramos Caiado informou que o ex-presidente apresentou episódios de queimação epigástrica associados ao refluxo gastroesofágico. Segundo o médico, Bolsonaro também continua enfrentando crises recorrentes de soluços, algo que já havia chamado atenção em outras ocasiões e que exigiu manutenção de medicações específicas em doses elevadas.
A equipe médica informou ainda que o tratamento inclui uma dieta rigorosa com baixo teor de acidez para tentar reduzir os episódios de desconforto gastrointestinal. Apesar disso, o ex-presidente teria conseguido iniciar exercícios aeróbicos leves e progressivos, sempre com acompanhamento médico. A pressão arterial estaria sob controle, mas outro fator segue preocupando os profissionais responsáveis pelo caso: a instabilidade crônica no equilíbrio corporal.
De acordo com os relatórios, Bolsonaro continua apresentando dificuldades relacionadas ao equilíbrio, o que levou os médicos a adotarem medidas preventivas para reduzir o risco de quedas durante a recuperação. Esse detalhe chamou atenção porque evidencia que o problema não está restrito apenas ao ombro operado, mas envolve um quadro físico mais amplo e considerado sensível para alguém de 71 anos.
O cenário de saúde acontece enquanto Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária concedida após um quadro de broncopneumonia bacteriana registrado no fim de março. Antes da autorização para cumprir pena em casa, o ex-presidente estava detido no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido popularmente como “Papudinha”. A prisão ocorreu após a condenação definitiva no STF por crimes como organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, deterioração de patrimônio tombado e dano qualificado ao patrimônio da União.
Mesmo afastado fisicamente da rotina política intensa que marcou sua trajetória nos últimos anos, Bolsonaro continua sendo uma figura central no debate nacional. Cada atualização sobre sua saúde acaba repercutindo diretamente no cenário político, principalmente entre aliados e adversários que acompanham de perto qualquer sinal de melhora ou agravamento do quadro clínico.
Os novos relatórios reforçam que a recuperação do ex-presidente ainda deve levar tempo e dependerá de uma evolução gradual. O fato de ele ainda não ter sido liberado para a fisioterapia ativa mostra que os médicos seguem adotando cautela máxima no tratamento. Enquanto isso, Bolsonaro permanece sob monitoramento constante, em um momento em que sua condição física se mistura inevitavelmente ao peso político e jurídico que continua carregando.



