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Washington intensifica combate ao crime organizado transnacional

O governo dos Estados Unidos anunciou medidas enérgicas contra duas das maiores facções criminosas do Brasil. Uma porta-voz do Departamento de Estado afirmou que o presidente Donald Trump pretende eliminar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), organizações responsáveis por parte significativa da violência e do tráfico de drogas nas Américas. A declaração reforça a estratégia de segurança nacional adotada pela atual administração americana, que vê nessas facções uma ameaça direta aos interesses dos Estados Unidos.

A porta-voz Amanda Roberson destacou que os grupos atuam em pelo menos 12 estados americanos, onde controlam rotas de distribuição de entorpecentes e praticam diversos crimes. Segundo ela, o presidente Trump está determinado a utilizar todas as ferramentas disponíveis — diplomáticas, financeiras e jurídicas — para desmantelar essas redes. A iniciativa faz parte de uma ofensiva mais ampla contra organizações criminosas do hemisfério ocidental, com outras 17 já designadas desde o início de 2025.

Na última semana de maio, os EUA incluíram o PCC e o CV na lista de Entidades Terroristas Globais Especialmente Designadas. A partir de 5 de junho, a expectativa é a classificação formal como Organizações Terroristas Estrangeiras. Essa medida permite o congelamento de bens, proibição de transações financeiras e restrições severas a membros e colaboradores das facções em território americano ou com conexões com o sistema financeiro dos EUA.

A decisão representa um endurecimento significativo na abordagem ao crime organizado transnacional. Autoridades americanas argumentam que o PCC e o CV não são mais meras quadrilhas regionais, mas sim estruturas sofisticadas com capacidade de corromper instituições, financiar terrorismo e desestabilizar economias. A presença dessas facções nos presídios e nas ruas de vários países da América Latina é vista como fator de instabilidade regional.

No Brasil, a reação do governo federal foi de repúdio. Autoridades do Palácio do Planalto classificaram a medida como uma interferência indevida na soberania nacional. O Itamaraty manifestou preocupação com possíveis impactos nas relações bilaterais, embora tenha reiterado o compromisso do país no combate ao crime organizado. Já setores da oposição, incluindo parlamentares alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, celebraram a iniciativa como um apoio externo necessário contra o avanço das facções.

Especialistas em segurança pública avaliam que a designação americana pode trazer consequências práticas importantes. Além do impacto financeiro direto, a medida facilita a cooperação policial e de inteligência entre os dois países, incluindo possível compartilhamento de informações e operações conjuntas. No entanto, o sucesso dependerá da capacidade do Brasil de agir internamente contra as lideranças e as bases financeiras dessas organizações.

A ofensiva dos Estados Unidos ocorre em um momento de preocupação crescente com a expansão do crime organizado para além das fronteiras brasileiras. Analistas destacam que o PCC e o CV diversificaram suas atividades para o tráfico internacional de armas, lavagem de dinheiro e até exploração de recursos naturais. A postura firme de Washington sinaliza que o combate a essas facções deixou de ser uma questão exclusivamente brasileira e passou a integrar a agenda de segurança continental.

 

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