Lula e Janja cobram responsabilização de Bolsonaro e ministros por mortes da Covid

Cinco anos após o início da pandemia de covid-19 no Brasil, o tema voltou ao centro do debate político em Brasília. Nesta segunda-feira, durante uma cerimônia que oficializou o dia 12 de março como data nacional em memória das vítimas da doença, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas à condução da crise sanitária durante o governo de Jair Bolsonaro. Ao lado da primeira-dama Rosângela da Silva, Lula defendeu que ex-integrantes da gestão passada sejam responsabilizados pelas decisões tomadas durante o período mais crítico da pandemia.
O evento teve forte carga simbólica. Foi justamente em 12 de março de 2020 que o Brasil confirmou oficialmente a primeira morte causada pela covid-19, em São Paulo. Desde então, mais de 700 mil brasileiros perderam a vida para a doença, deixando marcas profundas em famílias de todas as regiões do país.
Durante o discurso, Lula relembrou episódios que marcaram a gestão da crise sanitária. O presidente criticou a troca frequente de ministros da Saúde e afirmou que faltou coordenação nacional em um momento decisivo. Entre 2020 e 2022, o ministério passou pelas mãos de quatro nomes diferentes, em meio ao avanço acelerado do vírus.
Sem economizar palavras, Lula direcionou críticas ao general Eduardo Pazuello, que comandou a pasta durante o período de maior número de mortes diárias registradas no país. O presidente afirmou que parte da população ainda lembra do ex-ministro justamente pela atuação controversa à frente da saúde pública.
Outro ponto abordado foi a defesa, feita por integrantes do antigo governo, de medicamentos sem comprovação científica para o tratamento da covid-19, como a cloroquina. O assunto voltou a ganhar repercussão porque, segundo Lula, a disseminação de informações sem respaldo médico contribuiu para aumentar a desconfiança em relação às vacinas e às medidas preventivas adotadas na época.
A fala do presidente também teve um tom de alerta histórico. Para ele, manter viva a memória da pandemia é uma forma de evitar que erros semelhantes se repitam no futuro. Lula afirmou que, caso medidas mais rígidas e coordenadas tivessem sido tomadas logo no início da crise, centenas de milhares de vidas poderiam ter sido preservadas.
Antes do pronunciamento presidencial, Janja emocionou parte do público ao lembrar da morte da mãe, vítima da covid-19 em outubro de 2020. A primeira-dama afirmou que ainda sente indignação ao ver pessoas ligadas à condução da pandemia ocupando cargos públicos ou circulando normalmente pela vida política nacional.
Nos bastidores, outro tema acabou entrando no debate: a recente polêmica envolvendo produtos da marca Ypê. Após um alerta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária sobre risco de contaminação bacteriana em determinados lotes, vídeos publicados nas redes sociais mostraram pessoas utilizando os produtos de maneira inadequada para contestar o aviso.
Janja aproveitou o momento para fazer um paralelo entre a desinformação vista durante a pandemia e os episódios recentes nas redes sociais. Segundo ela, o problema da circulação de conteúdos falsos ou distorcidos continua afetando decisões importantes relacionadas à saúde pública.
A cerimônia em Brasília acabou se transformando não apenas em uma homenagem às vítimas da covid-19, mas também em um novo capítulo da disputa política em torno da memória da pandemia. Cinco anos depois dos primeiros casos registrados no país, o assunto segue despertando debates intensos, emoções fortes e diferentes interpretações sobre um dos períodos mais difíceis da história recente do Brasil.



