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Convidado, Alcolumbre não comparece a lançamento de Lula contra o crime organizado

A ausência de Davi Alcolumbre em um dos eventos mais importantes do governo federal nesta terça-feira (12) chamou atenção em Brasília e aumentou os sinais de desgaste entre o Congresso e o Palácio do Planalto. O presidente do Senado não compareceu ao lançamento do programa Brasil Contra o Crime Organizado, realizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto, em uma cerimônia que reuniu diversas autoridades da República. 

No palco estavam nomes de peso: o vice-presidente Geraldo Alckmin, o procurador-geral da República Paulo Gonet e o presidente da Câmara, Hugo Motta. A cadeira vazia de Alcolumbre, no entanto, acabou roubando parte da atenção. Em política, muitas vezes a ausência comunica mais do que qualquer discurso.

O evento marcou o anúncio de um pacote de segurança pública estimado em R$ 11 bilhões, com foco no combate ao crime organizado, rastreamento de armas ilegais e enfraquecimento financeiro de facções. O governo tenta dar protagonismo a um tema que tem pesado no debate nacional em 2026, especialmente em um ano eleitoral, quando segurança pública volta ao centro das discussões. 

Nos bastidores, a falta de Alcolumbre foi interpretada como mais um capítulo da crise política entre o senador e Lula. Há poucos dias, os dois ainda apareciam em clima institucional em outra agenda oficial, quando o presidente deu posse ao novo articulador político do governo, José Guimarães. Na ocasião, a presença de Alcolumbre sugeria um esforço de aproximação. Mas o cenário mudou rapidamente.

O estopim da tensão teria sido a recente condução, pelo Senado, da rejeição à indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. A derrota foi vista como uma das mais duras para o governo no atual mandato. A indicação ao Supremo costuma ser tratada como tema sensível e estratégico, e a recusa acabou sendo lida como um recado político claro vindo do Congresso.

Em Brasília, esses gestos raramente são casuais. Quando o presidente do Senado deixa de ir a um evento cercado de simbolismo, após um episódio tão delicado, a leitura imediata é de distanciamento. Ainda que auxiliares dos dois lados tentem reduzir o peso do episódio, o clima entre Planalto e Senado parece mais frio do que nas últimas semanas.

Ao mesmo tempo, a presença de Hugo Motta no evento mostrou um contraste importante. Enquanto o Senado demonstra desconforto, a Câmara mantém pontes abertas com o Executivo. Essa diferença pode influenciar votações importantes nos próximos meses, especialmente em temas ligados à segurança, economia e articulações para a reta final do governo.

Em um ano marcado por disputas políticas intensas, cada gesto é observado de perto. A ausência de Alcolumbre não foi apenas um detalhe de agenda. Em Brasília, ela reforçou a percepção de que a relação entre o presidente do Senado e Lula atravessa um momento delicado — e que a reconstrução dessa ponte ainda depende de muitos movimentos nos bastidores.
 

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