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Lula cria Dia da Covid e volta a atacar Bolsonaro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou nesta segunda-feira a criação do Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19 e aproveitou a cerimônia no Palácio do Planalto para fazer duras críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e à condução do governo anterior durante a pandemia. O evento também marcou o lançamento de uma cartilha produzida pelo governo com declarações, episódios e posicionamentos adotados pela antiga gestão ao longo da crise sanitária.

A nova data será celebrada anualmente em 12 de março, dia em que foi registrada a primeira morte por covid-19 no Brasil em 2020. Durante o discurso, Lula relembrou a técnica de enfermagem Rosana Aparecida Urbano, considerada a primeira vítima fatal da doença no país, e afirmou que a criação da data busca preservar a memória das vítimas e combater o negacionismo.

Apesar de declarar que não pretendia transformar o evento em um ato de ataque político, Lula concentrou boa parte de sua fala em críticas a Bolsonaro. O presidente afirmou que, durante a pandemia, faltou coordenação nacional e diálogo com especialistas da área da saúde.

Segundo Lula, o governo anterior ignorou alertas científicos e deixou de criar um comitê técnico capaz de orientar ações nacionais de combate à covid-19. O petista também relembrou declarações feitas por Bolsonaro ao longo da crise sanitária, especialmente sobre vacinas e negociações para aquisição de imunizantes.

Durante a cerimônia, Lula leu trechos de falas atribuídas ao ex-presidente e afirmou que houve tentativa de desacreditar pessoas que defendiam a vacinação em massa no país. Para o presidente, parte do debate público na pandemia foi contaminada pela disseminação de informações falsas e ataques à ciência.

Além do discurso, o governo apresentou uma cartilha voltada à militância petista e a apoiadores do governo. O material reúne declarações públicas, dados sobre a pandemia e críticas à condução do governo Bolsonaro. Lula afirmou que o conteúdo deve ser utilizado politicamente para relembrar o que chamou de “desastres” ocorridos durante os anos mais críticos da crise sanitária.

O presidente também declarou que nomes ligados à propagação de informações consideradas falsas sobre a pandemia não podem cair no esquecimento político. Segundo ele, é necessário que a população saiba quem apoiou tratamentos sem comprovação científica e quem incentivou desconfiança em relação às vacinas.

A fala de Lula ocorreu em um contexto de forte polarização política no país. O tema da pandemia voltou ao centro do debate após novas discussões sobre responsabilizações políticas e revisões de decisões ligadas ao período da covid-19.

Durante o evento, a primeira-dama Janja da Silva também fez críticas ao negacionismo e se emocionou ao lembrar da morte de sua mãe, Vani Ferreira, ocorrida durante a pandemia. Janja afirmou que havia se preparado psicologicamente para a evolução do Alzheimer enfrentado pela mãe, mas não esperava perdê-la para a covid-19.

A primeira-dama ainda comentou episódios recentes envolvendo debates sobre fiscalização sanitária e citou casos de desinformação relacionados a produtos interditados pela Anvisa. Segundo Janja, parte da sociedade ainda sofre influência de discursos que minimizam riscos sanitários e desacreditam órgãos de saúde.

Dados mencionados no evento apontam que o Brasil registrou quase 694 mil mortes por covid-19 até 2022. Em 2021, no auge da pandemia, o país atingiu uma das maiores taxas de mortalidade do continente americano e chegou a registrar mais de 3,5 mil mortes em um único dia.

Nos bastidores políticos, aliados do governo afirmam que a retomada do tema da pandemia faz parte da estratégia de Lula para reforçar diferenças entre a atual gestão e o governo Bolsonaro. A avaliação de integrantes do Planalto é que a condução da crise sanitária continua sendo um tema sensível para parte do eleitorado.

Já aliados de Bolsonaro reagiram acusando Lula de utilizar a memória das vítimas da pandemia como instrumento político. Parlamentares da oposição afirmam que o governo busca ampliar a polarização nacional ao retomar constantemente debates ligados à covid-19 e às disputas ocorridas durante o período mais crítico da emergência sanitária.

Mesmo assim, o governo pretende continuar promovendo ações relacionadas à memória da pandemia e à valorização do Sistema Único de Saúde nos próximos meses. Integrantes do Planalto avaliam que o tema seguirá presente no debate político até as eleições de 2026.

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