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Petistas falam em “traição” recebida por Lula; entenda

O Senado Federal rejeitou na noite de quarta-feira, 29 de abril, a indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Com 42 votos contrários e 34 favoráveis, o nome escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva não alcançou a maioria absoluta de 41 votos necessária para aprovação, configurando uma derrota inédita em 132 anos para um indicado ao STF. A rejeição expôs não apenas divisões políticas, mas também a fragilidade da articulação do governo no Congresso Nacional.

Nos bastidores do Palácio do Planalto, a reação ao resultado foi de indignação e frustração. Aliados próximos de Lula e do próprio Messias passaram a descrever o episódio abertamente como uma “traição”. Segundo fontes governistas, senadores da base aliada, incluindo membros do Centrão e do MDB, teriam recebido generosas liberações de emendas parlamentares e assumido compromissos de apoio, mas não teriam cumprido o acordado na votação secreta.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), é apontado por integrantes do governo como o principal articulador da rejeição. Interlocutores do Planalto afirmam que Alcolumbre, insatisfeito com a escolha de Messias em vez de nomes mais próximos ao seu grupo político, teria mobilizado votos contra a indicação e se omitido em garantir o quórum favorável. A percepção de que o senador teria atuado contra o governo após recentes negociações gerou forte sentimento de traição entre petistas e aliados de Lula.

A narrativa da traição ganhou força rapidamente nos corredores do poder. Ministros e assessores presidenciais relatam que Lula teria usado termos duros para classificar o comportamento de parte de sua base, considerando o episódio uma quebra de confiança grave. Para o governo, a derrota não foi apenas um revés institucional, mas uma demonstração de deslealdade por parte de parlamentares que se beneficiaram de recursos públicos e cargos em troca de apoio político.

A rejeição de Messias ocorre em um momento delicado para o governo Lula, que enfrenta baixa popularidade e dificuldades crescentes para aprovar sua agenda no Congresso. O caso reforça a visão de que o Centrão e outros aliados fisiológicos cobram alto pelo apoio e não hesitam em mudar de lado quando seus interesses não são plenamente atendidos. Analistas políticos avaliam que o episódio expõe os limites da tradicional política de negociação baseada em troca de favores.

Davi Alcolumbre tem evitado comentários públicos sobre as acusações, mas sua influência no Senado permanece inabalada. O Planalto já estuda medidas de retaliação, incluindo o corte de emendas e o reposicionamento de cargos ocupados por indicados do senador amapaense. A tensão entre o Executivo e a cúpula do Senado sinaliza um possível esfriamento nas relações entre os poderes nos próximos meses.

Com a vaga no Supremo Tribunal Federal ainda em aberto, o presidente Lula precisa agora reavaliar sua estratégia de indicações e reconstruir pontes no Congresso. A “traição” percebida na rejeição de Jorge Messias não apenas interrompe a sequência de vitórias do governo na Corte, mas também serve como alerta sobre a volatilidade das alianças políticas em ano eleitoral, projetando incertezas para o restante do mandato.

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