Lula defende regular redes e diz que eleição foi derrota para o negacionismo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo, 25 de outubro de 2026, que a eleição foi “uma derrota do negacionismo e da mentira” e voltou a defender a regulação das plataformas digitais. A declaração foi dada após a confirmação de sua reeleição, em entrevista coletiva concedida no hotel onde acompanhou a apuração dos votos em Brasília.
Segundo os relatos publicados pela imprensa logo depois do resultado, Lula associou a vitória à mobilização de sua campanha nas ruas e nas redes sociais, além do esforço de apoiadores na reta final do segundo turno. O presidente agradeceu aos eleitores e tratou o desfecho como um sinal político contra discursos que, em sua avaliação, exploraram desinformação, ataques à ciência e rejeição a consensos básicos durante a disputa.
A fala foi a primeira manifestação pública do petista depois de superar o senador Flávio Bolsonaro no segundo turno. Conforme a apuração divulgada na noite de domingo, Lula venceu com 51,75% dos votos válidos, em uma disputa apertada que inverteu o placar do primeiro turno, quando o adversário havia terminado na frente.
Ao defender regras mais rígidas para o ambiente digital, Lula retomou um tema recorrente de seus discursos de campanha. Nas últimas semanas, o governo e aliados vinham sustentando que as grandes plataformas precisam responder com mais transparência a acusações de impulsionamento seletivo, moderação de conteúdo e circulação de desinformação, especialmente em períodos eleitorais.
A tensão entre campanha e big techs ganhou força ainda no primeiro turno. Em ação apresentada pela candidatura de Lula, a Justiça Eleitoral cobrou esclarecimentos da Meta sobre suposta “seletividade algorítmica” na distribuição de conteúdos e sobre alegadas restrições a postagens do grupo petista. A empresa foi instada a explicar seus mecanismos internos, em meio a denúncias de que o sistema teria favorecido conteúdos ligados ao adversário.
Esse embate jurídico ajudou a transformar as redes em uma frente central da campanha de 2026. Entre o primeiro e o segundo turno, a coordenação petista passou a investir mais na produção de vídeos curtos, transmissões ao vivo e mensagens de mobilização, numa tentativa de recuperar terreno e ampliar a presença do presidente em formatos de maior alcance digital.
Nos atos públicos e entrevistas recentes, Lula vinha insistindo que a disputa não se resumiria ao voto tradicional, mas também à capacidade de convencer eleitores em ambientes digitais. Em uma agenda em outubro, ele chegou a pedir que simpatizantes convencessem amigos e familiares a ir às urnas em 25 de outubro, data do segundo turno, reforçando a ideia de que a participação seria decisiva para o resultado final.
A interpretação de aliados do presidente é de que a campanha conseguiu reverter, ao menos em parte, a desvantagem herdada do primeiro turno a partir de uma combinação de presença física nas ruas e desempenho mais agressivo nas redes. Na leitura do entorno do governo, a retórica em defesa da democracia, da vacinação e das instituições passou a dialogar com eleitores que rejeitam pautas associadas ao negacionismo e ao autoritarismo.
O resultado também foi lido por apoiadores como um freio a discursos antivacina, ataques à ciência e questionamentos institucionais que marcaram a campanha. Embora a apuração ainda estivesse fresca quando Lula falou, a avaliação política predominante no campo governista era de que a vitória daria fôlego para recolocar a regulação das plataformas no centro da agenda do novo mandato.
No plano institucional, o tema da responsabilização das plataformas já estava em destaque antes mesmo da votação final. O Tribunal Superior Eleitoral acumulava decisões e disputas judiciais relacionadas ao comportamento de empresas de tecnologia durante a campanha, num cenário em que ministros e partidos passaram a tratar a integridade do debate público online como parte da própria disputa eleitoral.
Com a vitória confirmada, Lula completará 81 anos na terça-feira, 27 de outubro de 2026, e se tornará o primeiro presidente eleito quatro vezes pelo voto direto no Brasil. A combinação entre o marco político e o discurso de domingo reforça a intenção do Planalto de manter a regulação das redes como uma das bandeiras centrais do governo, ao lado do combate à desinformação e da defesa de regras mais claras para o ambiente digital.
Com informações de Metrópoles, CNN Brasil, UOL e Agência Brasil.



