Homem em carro com adesivo de Lula atropela duas crianças durante ato bolsonarista em Ilhabela

Um homem atropelou duas crianças durante uma manifestação bolsonarista em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, na tarde de sábado, 24 de outubro de 2026. O episódio ocorreu em meio a uma mobilização política de rua e rapidamente se espalhou pelas redes sociais, impulsionado pela circulação de vídeos gravados no local.
De acordo com apuração do Metrópoles, o veículo envolvido exibia adesivo associado a Luiz Inácio Lula da Silva e avançou sobre a calçada onde estavam as vítimas. A reportagem informa que uma das crianças sofreu fratura exposta na perna, enquanto a outra também foi atingida e recebeu atendimento hospitalar. A agressão aconteceu por volta das 16h, na rua Gerson Peres de Araújo, no bairro Barra Velha.
A Polícia Civil identificou o condutor como Cardjon Peixoto, de 56 anos, morador de Ilhabela. Após o atropelamento, ele foi contido por populares até a chegada da Polícia Militar, que o encaminhou à delegacia local. Até a última atualização disponível na cobertura jornalística, não havia confirmação oficial de filiação partidária do motorista, apesar da presença de adesivos no carro.
As crianças foram socorridas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e levadas ao Hospital Municipal Governador Mário Covas Júnior. O estado de saúde detalhado da segunda vítima não foi divulgado nas reportagens consultadas, o que mantém em aberto a dimensão exata das lesões além do atendimento inicial prestado no local e na unidade hospitalar.
O caso ganhou dimensão política em poucos minutos, após a divulgação de imagens por influenciadores e parlamentares de direita, entre eles o deputado federal Nikolas Ferreira. Em publicação nas redes, o vídeo foi usado para associar o atropelamento a uma suposta identificação ideológica do motorista, embora a própria reportagem ressalte que não há confirmação de vínculo formal dele com o PT. A repercussão ampliou a polarização em torno do episódio e acelerou a circulação de versões concorrentes sobre a motivação do ato.
No mesmo dia, o núcleo do PT de Ilhabela divulgou uma nota em que manifestou solidariedade às famílias das crianças atropeladas e repudiou qualquer conduta que colocasse vidas em risco. A legenda local também afirmou que o uso de símbolos partidários no veículo não significa, por si só, que o motorista estivesse representando o partido ou agindo em seu nome. Essa manifestação buscou separar a imagem do carro da responsabilidade institucional da sigla.
Ainda não está esclarecido se o motorista agiu de forma deliberada, se houve perda de controle do veículo ou se o atropelamento ocorreu após algum tipo de conflito instantâneo no entorno do ato político. Também permanece em apuração a eventual embriaguez do condutor, informação mencionada nas redes por testemunhas e perfis de militantes, mas sem confirmação oficial nas notas públicas consultadas.
O local do atropelamento fica em uma área urbana de circulação relativamente intensa, no bairro Barra Velha, região que concentra comércio, moradias e acesso a serviços públicos em Ilhabela. Em eventos desse tipo, a presença de participantes na calçada e em vias compartilhadas aumenta o risco de contato entre veículos e pedestres, especialmente quando manifestações ocupam espaço público sem isolamento integral da área.
A cobertura jornalística disponível até agora indica que o homem foi levado à Polícia Civil logo após o ataque e que o inquérito deverá reunir depoimentos, imagens e eventual análise pericial do veículo e do comportamento do motorista. A investigação também precisa confirmar a sequência exata dos fatos, a velocidade do carro no momento do avanço e se havia pessoas tentando conter o condutor antes do atropelamento.
Embora a versão que mais ganhou tração nas redes seja a de um motorista politicamente alinhado ao campo lulista atacando uma mobilização bolsonarista, esse enquadramento ainda depende de comprovação material. O fato central, por ora, é objetivo: duas crianças foram atingidas por um carro durante um ato político em Ilhabela, um homem foi detido e o caso passou a ser tratado pela polícia como ocorrência criminal com repercussão pública imediata.
A violência do episódio reabre o debate sobre a segurança em manifestações de rua, sobretudo quando atos partidários se estendem a calçadas, vias estreitas e áreas de convivência com crianças e famílias. Também evidencia como a disputa política pode se sobrepor à apuração dos fatos, transformando um crime em combustível de propaganda antes mesmo de a investigação esclarecer o que exatamente levou o veículo a avançar sobre as vítimas.
Com informações de Metrópoles, UOL, Folha de S.Paulo e Estadão.



