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Flávio Bolsonaro solta o verbo sobre Bolsa Família e acusa Lula de manobra eleitoral

O reajuste do Bolsa Família anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou de vez no centro do debate eleitoral de 2026. Neste sábado (19), durante um comício em Joinville (SC), o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou a decisão do governo e afirmou que o aumento representaria uma tentativa de conquistar o apoio eleitoral da população de baixa renda. A declaração foi feita durante um ato de campanha e publicada pelo Poder360, que também reproduziu informações do jornal O Globo.

Em seu discurso, Flávio classificou a decisão como um “ato de desespero” e afirmou que o governo estaria utilizando o benefício com finalidade eleitoral. O candidato também disse que Lula teria feito uma espécie de “confissão” ao anunciar o reajuste poucos dias antes do primeiro turno. A expressão “comprar o voto dos mais pobres” foi utilizada pelo senador para caracterizar sua interpretação sobre a medida. Trata-se, portanto, de uma acusação feita pelo candidato durante a campanha, e não de uma conclusão oficial sobre a finalidade do reajuste.

A medida anunciada pelo governo estabelece reajuste de 15,04% nos valores do Bolsa Família. Com a atualização, o benefício mínimo por família passa de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio estimado sobe de R$ 675 para R$ 777. O pagamento com os novos valores começa na folha de outubro, a partir do dia 19, e segue até 30 de outubro conforme o final do Número de Identificação Social (NIS).

Segundo a justificativa apresentada pelo governo, o reajuste tem como objetivo recompor a inflação acumulada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026, período desde a última reformulação do programa. Além do piso familiar, outros valores também serão atualizados. O benefício por integrante passa de R$ 142 para R$ 164, enquanto o adicional destinado à primeira infância sobe de R$ 150 para R$ 173. O Benefício Variável Familiar passa de R$ 50 para R$ 58.

A proximidade entre o anúncio e as eleições, porém, tornou-se um dos principais pontos de discussão. O reajuste foi anunciado 17 dias antes do primeiro turno, e os novos valores começarão a ser pagos em 19 de outubro, menos de uma semana antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. O impacto estimado da medida é de R$ 5,8 bilhões nas contas públicas em 2026 e de aproximadamente R$ 22,7 bilhões por ano em 2027 e 2028.

O governo nega que a atualização tenha caráter eleitoral. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o reajuste corresponde à reposição das perdas inflacionárias acumuladas e que a medida está prevista dentro do Orçamento. Segundo ele, não há necessidade de abertura de crédito extraordinário para realizar os pagamentos. A equipe econômica também discutiu diferentes alternativas antes de optar pela correção linear dos benefícios, formato que alcança todos os beneficiários, mas representa maior impacto financeiro.

A discussão também chegou à Justiça Eleitoral. Um pedido apresentado para barrar o reajuste foi analisado pelo ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que rejeitou a solicitação apresentada pelo deputado Zé Trovão (PL-SC). O tema também foi levado a outras instâncias, enquanto o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), considerou legal a atualização após analisar manifestações relacionadas ao programa e às regras eleitorais.

O episódio ganhou ainda mais espaço porque o reajuste ocorre em um momento no qual o custo de vida é um dos assuntos explorados pelos candidatos. Reportagem da Folha informou que integrantes do governo relataram que uma reunião de Lula com um grupo de mulheres, realizada semanas antes, teria contribuído para acelerar a discussão sobre o aumento. Segundo esses relatos, a percepção de que o custo de vida continuava elevado foi um dos fatores considerados pelo governo na definição da medida.

Ao criticar o reajuste, Flávio também estabeleceu uma comparação com medidas adotadas em 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro, quando o então Auxílio Brasil passou por alterações em período próximo à eleição. A discussão sobre benefícios sociais em anos eleitorais, portanto, não é exclusiva da disputa atual. O que está em debate agora é se a proximidade do reajuste de 2026 com as eleições deve ser interpretada como uma estratégia eleitoral ou como uma atualização dos valores diante da inflação — interpretações que permanecem em disputa entre governo e oposição.

Com a campanha presidencial entrando em uma fase decisiva, o Bolsa Família passou a ocupar espaço importante nos discursos dos principais candidatos. De um lado, Flávio Bolsonaro questiona o momento escolhido pelo governo e atribui ao reajuste uma finalidade eleitoral. Do outro, o governo sustenta que a atualização recompõe o poder de compra perdido pela inflação e afirma que os valores seguem critérios econômicos e orçamentários. A medida, agora, será acompanhada tanto pelos beneficiários quanto pelos candidatos e pelas instituições responsáveis por fiscalizar as regras eleitorais durante a disputa de 2026.

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