Fux e Mendonça pedem apoio da PF após dificuldade para acessar dados do celular de Daniel Vorcaro

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), comunicou à Polícia Federal que encontrou dificuldades para acessar o conteúdo disponibilizado a seu gabinete com dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O problema é semelhante ao relatado anteriormente pelo ministro André Mendonça, que também solicitou auxílio técnico da corporação. Segundo informações divulgadas nesta sexta-feira, 19 de setembro, os dois magistrados receberam cópias do material e recorreram à PF depois de não conseguirem consultar adequadamente os arquivos. O conteúdo faz parte das apurações relacionadas ao chamado caso Banco Master e reúne um volume expressivo de informações obtidas do aparelho apreendido.
No ofício encaminhado ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, Fux informou que ainda não havia conseguido ter “acesso efetivo” ao conteúdo da mídia recebida. A cópia havia sido entregue ao gabinete após solicitação feita pelo próprio ministro. Mendonça apresentou dificuldade semelhante e também procurou a PF para pedir suporte. De acordo com informações publicadas pelo UOL, o material possui aproximadamente 500 GB de dados e está armazenado de maneira protegida. A Polícia Federal informou que o aparelho original e a extração inicial permanecem sob custódia da instituição, enquanto os ministros receberam cópias criptografadas para consulta.
Os dados do telefone de Vorcaro ganharam importância porque mensagens encontradas no aparelho passaram a ser analisadas em diferentes procedimentos relacionados ao Banco Master. Reportagens publicadas nos últimos dias indicam que o conteúdo inclui referências a autoridades, advogados, empresários e pessoas próximas a integrantes de instituições públicas. Há também registros envolvendo pessoas ligadas a ministros do Supremo, entre eles familiares ou interlocutores de magistrados. A existência dessas mensagens, porém, não representa por si só comprovação de irregularidade. Os diálogos precisam ser analisados dentro do contexto das investigações, e pessoas citadas têm apresentado explicações ou contestado interpretações sobre o conteúdo.
Outros ministros do Supremo também receberam cópias do material extraído pela Polícia Federal. O Jornal da Cidade Online afirma que Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes já tinham acesso aos dados e que não havia sido relatado problema semelhante por esses gabinetes. A informação sobre a ausência de dificuldades técnicas nesses casos, no entanto, aparece na reportagem do veículo e não deve ser confundida com uma conclusão sobre as causas do problema enfrentado por Fux e Mendonça. A Polícia Federal, segundo relato publicado pelo UOL, explicou que as cópias distribuídas são protegidas e que a instituição mantém o material original preservado, o que reforça a necessidade de suporte técnico para acesso seguro aos arquivos.
O episódio ocorre em meio a uma fase de intensa discussão no Supremo sobre o tratamento das informações retiradas do celular de Vorcaro e sobre os procedimentos adotados a partir desses dados. Nos últimos dias, ministros divergiram publicamente sobre a existência ou não de investigação formal envolvendo integrantes da Corte e sobre a validade de determinados atos realizados durante a análise do material. Em sessão recente, Fux afirmou que não havia inquérito formal contra Alexandre de Moraes, enquanto Flávio Dino questionou se atos típicos de investigação poderiam ter sido praticados sem a existência de um procedimento devidamente constituído. A discussão permanece jurídica e processual, sem conclusão definitiva sobre vários dos pontos levantados.
Com o novo pedido de assistência técnica, a Polícia Federal deverá orientar os gabinetes sobre a forma adequada de acesso às cópias entregues, permitindo que Fux e Mendonça examinem o conteúdo dentro dos procedimentos sob sua responsabilidade. Até o momento, não há informação confirmada de que a dificuldade decorra de perda de arquivos, alteração do conteúdo ou qualquer falha na preservação das provas. O que foi comunicado oficialmente é uma dificuldade de acesso às cópias disponibilizadas. A diferença é relevante: enquanto o material permanece preservado pela PF, o pedido dos ministros está relacionado à consulta aos arquivos recebidos. O avanço da análise dependerá agora da assistência técnica e das decisões judiciais que forem tomadas a partir do conteúdo considerado pertinente às investigações.



