Pesquisa PoderData/Aya mostra avaliações distintas de Mendonça e Moraes no STF

Pesquisa PoderData/Aya mostra avaliações distintas de Mendonça e Moraes no STF

Uma nova rodada da pesquisa PoderData/Aya, divulgada nesta quinta-feira (17), mediu como eleitores brasileiros avaliam o trabalho dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça no Supremo Tribunal Federal (STF). O levantamento foi realizado em meio às discussões recentes na Corte envolvendo procedimentos relacionados ao caso Banco Master e registrou diferenças nas avaliações dos dois magistrados entre os entrevistados que afirmaram conhecê-los. Segundo o estudo, Mendonça tem aprovação de 50% entre aqueles que disseram conhecê-lo, enquanto 36% desaprovam sua atuação. No caso de Moraes, 33% dos que afirmaram conhecê-lo aprovam seu trabalho no STF, enquanto 57% declaram desaprovação. Os números retratam a opinião dos entrevistados no período da coleta e não representam, por si só, conclusões sobre as razões políticas ou jurídicas por trás de cada resposta.

Antes de perguntar sobre a avaliação do trabalho de cada ministro, o instituto verificou o grau de conhecimento dos entrevistados. André Mendonça é conhecido, ao menos “de ouvir falar”, por 82% dos participantes da pesquisa. Desse grupo, 47% declararam conhecê-lo bem e 35% disseram conhecê-lo de ouvir falar. Alexandre de Moraes apresentou índice de conhecimento maior: 92% dos entrevistados disseram ter alguma informação sobre quem ele é. É somente entre essas parcelas que o PoderData calcula os percentuais de aprovação e desaprovação apresentados no levantamento. Essa metodologia é relevante para interpretar os resultados corretamente, já que não seria adequado tratar os números como se todos os entrevistados tivessem necessariamente avaliado individualmente cada integrante da Corte.

A pesquisa também avaliou a percepção dos entrevistados sobre o Supremo Tribunal Federal de maneira mais ampla. De acordo com o PoderData/Aya, 53% desaprovam a atuação dos ministros da Corte, enquanto 30% dizem aprová-la. Outros entrevistados declararam não conhecer suficientemente a instituição ou não apresentaram avaliação. O levantamento foi feito entre os dias 13 e 16 de setembro de 2026, período que incluiu parte das repercussões da sessão extraordinária realizada pelo STF na terça-feira (15). Por essa razão, o próprio contexto em que as entrevistas ocorreram deve ser considerado na leitura dos dados: pesquisas de opinião registram uma fotografia daquele momento e seus resultados podem mudar conforme novos acontecimentos entram no debate público.

A sessão de terça-feira colocou Moraes e Mendonça novamente no centro da cobertura política e jurídica. O Supremo analisava uma questão processual relacionada às Petições 16.662 e 16.704, vinculadas a informações produzidas no âmbito do caso Master. A Petição 16.662 tem origem em relatório elaborado pela Polícia Federal a partir de dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro e contém referências que teriam relação com Moraes. Durante a sessão, os ministros discutiram, entre outros pontos, se esse processo deveria ser analisado conjuntamente com outra petição relacionada a Mendonça. Um pedido de vista apresentado pelo ministro Flávio Dino interrompeu a discussão antes de uma decisão definitiva sobre a questão. O STF informou oficialmente que o mérito das petições não chegou a ser analisado.

Os números da pesquisa ganharam destaque justamente porque foram divulgados dois dias depois dessa sessão, mas é necessário distinguir coincidência temporal de relação de causa e efeito. O levantamento começou em 13 de setembro, dois dias antes da reunião do Supremo, e terminou em 16 de setembro. Dessa forma, parte das entrevistas ocorreu antes e parte depois dos acontecimentos no plenário. Não é possível afirmar, apenas com esses dados, quanto a sessão influenciou cada resposta. Também não há base nos percentuais gerais divulgados para concluir que todos os entrevistados que aprovam ou desaprovam determinado ministro pertencem a um mesmo grupo ideológico ou partidário. Para esse tipo de conclusão seriam necessários cruzamentos específicos entre avaliação dos magistrados, preferência política e outras características dos entrevistados.

Ao todo, o PoderData ouviu 3.000 eleitores em 623 municípios das 27 unidades da Federação, por meio de ligações para telefones celulares e fixos. Segundo o instituto, a margem de erro é de 1,8 ponto percentual para mais ou para menos e o intervalo de confiança é de 95%. O levantamento foi financiado com recursos próprios do PoderData, empresa pertencente ao grupo Poder360, e teve parceria de divulgação com o Aya Bancah. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-00360/2026. Os resultados oferecem um retrato da percepção dos entrevistados sobre o STF e seus integrantes naquele período, mas devem ser interpretados dentro da metodologia utilizada e sem transformar percentuais de opinião pública em conclusões sobre decisões judiciais, responsabilidades individuais ou posicionamentos político-partidários que a própria pesquisa não tenha medido.