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Relatório da PF levanta suspeita sobre fundo ligado a Toffoli e Vorcaro

Um relatório da Polícia Federal encaminhado ao Supremo Tribunal Federal passou a concentrar novas suspeitas sobre o fundo Arleen, que aparece associado à rede empresarial ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a familiares do ministro Dias Toffoli. A apuração, divulgada pela revista Piauí e repercutida pela CNN Brasil, aponta que o documento reuniu transferências financeiras, vínculos societários e mensagens que, em conjunto, levaram os investigadores a cogitar a hipótese de beneficiário final ou proprietário de fato por trás da estrutura.

O núcleo da suspeita está na trajetória do fundo Arleen, que foi sócio de empresas ligadas aos irmãos de Toffoli no resort Tayayá, em Ribeirão Claro, no interior do Paraná. Segundo reportagens anteriores, o fundo integrava uma cadeia de ativos associada ao Banco Master e, até 2025, dividiu o controle da participação no empreendimento com parentes do ministro.

Na sequência das movimentações societárias, o Arleen encerrou as atividades no fim de 2025 e transferiu os ativos para uma holding sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, território conhecido pelo alto grau de sigilo corporativo. A Folha informou que o montante envolvido nessa transferência era de cerca de R$ 34 milhões, com base em documentos da CVM e da autoridade financeira local; a Piauí, por sua vez, descreveu ao menos R$ 35 milhões em recursos que teriam circulado pela estrutura.

Esses movimentos ganharam relevância porque o fundo não surgiu isolado, mas dentro da engrenagem empresarial que, segundo apurações jornalísticas, gravita em torno de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A Folha já havia mostrado que o Arleen fazia parte da chamada teia do Master e que, em outra camada da estrutura, havia fundos e cotistas identificados por investigadores como elos de uma rede financeira mais ampla.

O relatório da PF, de acordo com a cobertura da CNN, não pediu formalmente a suspeição de Toffoli, mas remeteu o material ao então presidente do STF, Edson Fachin, com elementos que sugeriam conflito de interesse no caso do Master. Em fevereiro de 2026, a própria CNN informou que a corporação encontrou menção ao ministro no celular de Vorcaro e enviou o conteúdo ao Supremo.

Naquele momento, o gabinete de Toffoli reagiu dizendo que a PF não tinha legitimidade para formular pedido de suspeição e que as referências encontradas seriam “ilações”. A controvérsia avançou até o fim de fevereiro, quando Fachin confirmou o arquivamento da ação que questionava a atuação do ministro, sem declarar impedimento formal, embora Toffoli tenha deixado a relatoria do caso.

O pano de fundo das novas suspeitas é a própria investigação sobre o Banco Master, que se intensificou após a descoberta de indícios de fraude, operações financeiras atípicas e eventuais tentativas de influência sobre autoridades. Em janeiro de 2026, o STF já havia retirado o sigilo de decisões e depoimentos ligados ao inquérito, e a PF passou a reunir elementos sobre a circulação de dinheiro e a relação entre agentes do mercado, advogados e intermediários.

Outro ponto descrito pela Piauí é a menção a contatos frequentes entre Vorcaro e pessoas próximas ao ministro, além de mensagens de agosto de 2024 que tratariam de pagamentos ao fundo. O relatório também atribui à então esposa de Toffoli, a advogada Roberta Rangel, atuação profissional para Vorcaro entre dezembro de 2020 e fevereiro de 2025, elemento que reforça a tentativa da PF de mapear a rede de relações em torno do caso.

Embora a PF tenha reunido esses indícios, o material não conclui de forma definitiva que Toffoli controlava o fundo ou era o destinatário final dos valores. O que se registra, até aqui, é uma hipótese investigativa baseada na combinação de fluxos financeiros, estruturas offshore e vínculos pessoais, sem sentença sobre responsabilidade penal ou administrativa.

A revista também relatou um episódio de junho de 2024, quando Alberto Leite, empresário e amigo de Toffoli, teria custeado um camarote na final da Liga dos Campeões, em Londres, com presença do ministro. Leite já havia sustentado publicamente que a aquisição do Arleen foi regular e lucrativa, além de negar favorecimento ou ligação societária com Toffoli.

As apurações ainda mencionam o processo da usina Alcídia, do grupo Atvos, como uma frente na qual a PF viu possível tentativa de interferência sobre decisões do ministro. Nesse eixo, os investigadores associam o tema a uma carteira de precatórios do setor sucroalcooleiro mantida pelo Banco Master, avaliada em mais de R$ 10 bilhões, o que ajuda a explicar por que o caso ganhou dimensão para além da disputa sobre um único fundo.

Do ponto de vista institucional, o episódio acrescenta pressão ao entorno do STF e amplia a exposição de Vorcaro, cuja rede empresarial já era monitorada por autoridades financeiras e criminais desde o avanço das suspeitas contra o Banco Master. Por ora, o centro do caso permanece na análise da cadeia de ativos do fundo Arleen e na verificação de como esses recursos se conectam, ou não, à esfera pessoal e patrimonial de pessoas próximas ao ministro.

Com informações de CNN Brasil, portal.stf.jus.br, digital.stf.jus.br e Folha de S.Paulo.

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