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Flávio Bolsonaro defende quebra de sigilo em inquérito sobre Dark Horse

Em agenda de campanha em Manaus nesta quinta-feira, 11 de setembro de 2026, Flávio Bolsonaro afirmou ser favorável à quebra de sigilo do inquérito do Supremo Tribunal Federal que apura o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. A manifestação ocorreu no mesmo dia em que veio a público a existência de um procedimento sigiloso aberto pelo ministro André Mendonça para investigar a atuação do senador na captação de recursos para a produção.

O caso Dark Horse passou a ser um dos principais desdobramentos do episódio que envolve o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. De acordo com reportagens já publicadas sobre a investigação, a suspeita central é que valores destinados ao filme possam ter tido outra finalidade, inclusive fora do Brasil, o que levou o STF a autorizar apurações sobre suposta lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.

Segundo o material já tornado público, o inquérito foi aberto em julho e permanece sob relatoria de André Mendonça. Na véspera da revelação sobre Flávio, o ministro levantou o sigilo de 15 procedimentos ligados ao caso Master, mas manteve o núcleo referente a Dark Horse protegido, sob o argumento de que a investigação ainda está em fase preparatória e a publicidade antecipada poderia atrapalhar eventuais diligências da Polícia Federal.

As apurações têm origem em mensagens e documentos que indicariam contato direto entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para a busca de patrocínio privado ao longa. A própria investigação aponta que Flávio não aparece apenas como citado por terceiros, mas como alguém que fez cobranças ao então controlador do Master. O senador, por sua vez, sustenta que se tratava de um filme privado, financiado por recursos privados, e nega qualquer irregularidade.

Dark Horse é um projeto concebido por Mário Frias, deputado federal pelo PL de São Paulo e ex-secretário especial da Cultura do governo Jair Bolsonaro. O filme reconstrói a trajetória política do ex-presidente, incluindo episódios da campanha de 2018 e a facada em Juiz de Fora, e tem direção do cineasta americano Cyrus Nowrasteh, conhecido por obras de perfil religioso e político. Jair Bolsonaro é interpretado por Jim Caviezel, ator associado a produções como A Paixão de Cristo.

A relação do filme com o Banco Master veio à tona após reportagem do The Intercept Brasil apontar que Flávio Bolsonaro teria pedido dinheiro a Vorcaro para bancar a produção. Segundo os dados compilados por veículos que acompanharam o caso, o valor negociado chegou a US$ 24 milhões, dos quais parte já teria sido repassada ao projeto por meio de estruturas no exterior. Em seguida, novas reportagens acrescentaram que houve pagamento adicional ao fundo Havengate Development Fund, elevando o montante identificado para cerca de US$ 12,3 milhões.

Além da frente financeira, o caso também alcançou a produtora Go Up Entertainment e a ONG Instituto Conhecer Brasil, ligada a Karina Gama, sócia da empresa. Em agosto, Flávio Dino autorizou a Polícia Federal a acessar dados de uma apuração da Polícia Civil de São Paulo sobre contratos da produtora com a prefeitura e sobre o uso de emendas parlamentares destinadas ao instituto, numa investigação que envolve suspeita de desvio de finalidade de R$ 2 milhões.

A outra linha de investigação concentra-se no eventual uso de recursos públicos na cadeia de produção do longa. Reportagens anteriores indicam que repasses por emendas ligadas a Mário Frias e contratos associados à produtora passaram a ser analisados pela PF, em paralelo ao braço que trata do dinheiro de origem privada ligado a Vorcaro. Por isso, embora os procedimentos tenham objetos diferentes, Dark Horse se tornou o ponto de encontro de duas frentes de apuração sobre a mesma obra cinematográfica.

Em outra etapa do caso, o STF também passou a examinar a hipótese de que recursos enviados à produção tenham sido desviados para iniciativas de aliados de Bolsonaro nos Estados Unidos. A investigação menciona a possibilidade de transferências a estruturas financeiras no exterior e a eventual destinação de parte do dinheiro para custear despesas de Eduardo Bolsonaro, que vive fora do país desde 2025. Essas suspeitas ainda dependem de confirmação pericial e bancária.

Flávio, que agora se apresenta como candidato à Presidência, tenta enquadrar a divulgação dos fatos como uma disputa por transparência. Ao defender a abertura do sigilo, ele busca sustentar que a publicidade dos autos pode provar sua versão de que não houve benefício pessoal nem desvio. Ao mesmo tempo, seus aliados têm explorado o fato de o caso ter conexões com o Banco Master e com figuras do governo Lula para ampliar o embate político em torno da investigação.

Mesmo com a pressão crescente por esclarecimentos, o inquérito principal continua em andamento e sem desfecho. O que já está confirmado publicamente é a existência da investigação, a inclusão de Flávio Bolsonaro entre os alvos, a autorização para apurações sobre movimentações financeiras relacionadas ao filme e a manutenção de parte dos autos sob sigilo. Ainda falta esclarecer, porém, a origem final de todos os valores, a rota completa dos repasses e se houve, de fato, desvio de finalidade.

Com informações de g1, CNN Brasil, Folha de S.Paulo e Agência Brasil.

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