Geral

Quaest revela onde Lula e Flávio Bolsonaro estão praticamente empatados

A corrida presidencial de 2026 ganhou um novo elemento de tensão com a divulgação da mais recente pesquisa Quaest. Em um eventual segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), os dois aparecem tecnicamente empatados: Lula registra 42% das intenções de voto, enquanto Flávio chega a 41%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, a diferença de apenas um ponto não permite afirmar que exista vantagem estatística de nenhum dos dois candidatos. O levantamento foi realizado entre 30 de agosto e 1º de setembro, com 2.004 eleitores, e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral.

O resultado chama atenção principalmente quando comparado com levantamentos anteriores. Na pesquisa Quaest divulgada em 14 de agosto, Lula aparecia com 43%, enquanto Flávio Bolsonaro tinha 40%, uma diferença de três pontos. Agora, a distância caiu para apenas um ponto. Em uma comparação de período ainda maior, a Quaest mostra que, desde julho, Lula recuou de 45% para 42% no segundo turno, enquanto Flávio avançou de 37% para 41%. A movimentação indica uma disputa mais equilibrada à medida que a eleição se aproxima, embora pesquisas eleitorais representem apenas um retrato do momento em que os entrevistados foram ouvidos.

A divisão do eleitorado por segmentos também ajuda a explicar por que o cenário é tão competitivo. Entre pessoas de 35 a 59 anos, por exemplo, Lula aparece com 42%, contra 41% de Flávio. Entre eleitores independentes, o presidente registra 32%, enquanto o senador tem 29%. No grupo com ensino superior completo, Flávio alcança 44%, contra 40% de Lula. Entre aqueles que recebem de dois a cinco salários mínimos, os números também ficam próximos, com 45% para Flávio e 39% para Lula, diferença que precisa ser analisada considerando a margem de erro. No Centro-Oeste e Norte, Flávio aparece numericamente à frente, com 48%, contra 38% de Lula, mas a margem regional chega a cinco pontos percentuais.

Quando os dados são observados de acordo com faixa etária, renda e escolaridade, algumas mudanças recentes ficam ainda mais evidentes. Entre os eleitores de 16 a 34 anos, Flávio aparece com 48%, enquanto Lula registra 35%. Já entre quem possui ensino fundamental, o presidente mantém vantagem de 49% a 35%. Na faixa de renda de até dois salários mínimos, Lula também continua à frente, com 51%, contra 29% de Flávio, embora a distância tenha diminuído em relação ao levantamento anterior. Esses números mostram que a disputa não acontece de maneira uniforme em todo o país e que diferentes grupos apresentam comportamentos eleitorais bastante distintos.

As diferenças regionais também são expressivas. O Nordeste permanece como uma das principais áreas de vantagem para Lula, que aparece com 62% contra 28% de Flávio Bolsonaro, uma diferença de 34 pontos percentuais. No Sul, ocorre o movimento contrário: Flávio registra 52%, enquanto Lula soma 31%. O levantamento também aponta vantagem do presidente entre eleitores pretos, com 49% contra 31%, e entre pessoas com 60 anos ou mais, grupo no qual Lula tem 49% contra 32% do senador. Entre católicos, o placar é de 48% a 35% para o petista. Já entre evangélicos, Flávio alcança 53%, contra 30% de Lula.

Apesar do equilíbrio no eventual segundo turno, a pesquisa mostra que Lula continua liderando o primeiro turno. No cenário com 13 candidatos, o petista aparece com 37%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 30%, enquanto Augusto Cury registra 10%. Renan Santos tem 3%, e os demais candidatos aparecem com percentuais menores. A pesquisa também revela um nível significativo de rejeição: 55% dos entrevistados dizem que não votariam em Flávio, enquanto 53% afirmam o mesmo em relação a Lula. Ao mesmo tempo, 42% dos entrevistados declararam não saber em quem votar ou não responderam na pergunta espontânea, indicando espaço para mudanças ao longo da campanha.

O cenário apresentado pela Quaest reforça, portanto, a percepção de que a eleição presidencial de 2026 pode ser marcada por uma disputa bastante competitiva. Embora Lula mantenha a liderança no primeiro turno e apareça numericamente à frente no eventual confronto direto, a vantagem sobre Flávio Bolsonaro está dentro da margem de erro. Com pouco mais de um mês para a votação, novos debates, programas eleitorais, alianças e acontecimentos políticos ainda podem alterar o comportamento do eleitorado. A principal mensagem do levantamento é que a distância entre os dois nomes diminuiu de forma significativa e que, neste momento, qualquer afirmação sobre um vencedor no segundo turno seria precipitada.

Mostrar mais

LEIA TAMBÉM: