Jardel fala de parceria com Cristiano Ronaldo e avalia falta de centroavantes no Brasil

Mário Jardel falou nesta quinta-feira, 3 de setembro de 2026, em Fortaleza, sobre a parceria com Cristiano Ronaldo no Sporting e sobre a escassez de centroavantes no futebol brasileiro, em entrevista publicada pelo ge. O ex-atacante afirmou que orientou o português nos treinos, defendeu a importância do jogo aéreo e disse que a seleção atual carece de um camisa 9 de área.
Jardel já estava em fase consolidada da carreira quando encontrou Cristiano Ronaldo, então nas categorias de base do clube de Lisboa. Segundo o próprio ex-jogador, a aproximação começou nos trabalhos diários, quando pedia ao jovem português que cruzasse a bola para os exercícios de cabeceio. A relação, de acordo com o relato, serviu como troca técnica em um período de transição para o atacante que viria a se tornar um dos maiores nomes do futebol mundial.
O ex-centroavante resumiu a convivência com uma expressão repetida na entrevista: chamava Cristiano de “juvenil” para reforçar o pedido de cruzamento e a necessidade de aprender o fundamento da bola aérea. A frase apareceu como exemplo do método simples que ele usava no Sporting e como símbolo da confiança que tinha na própria leitura de área. A reportagem do ge registra que o português absorveu esse tipo de trabalho ainda no início da trajetória profissional.
Jardel e Cristiano Ronaldo dividiram a linha ofensiva do Sporting em 17 partidas na temporada 2002/03. Nesse recorte, o brasileiro marcou cinco gols e o português fez três. O dado ajuda a dimensionar a breve convivência entre os dois no elenco principal e mostra que o período coincidiu com a ascensão de CR7 no futebol profissional.
Jardel fala de parceria com Cristiano Ronaldo e do camisa 9 no Brasil
Na entrevista, Jardel foi direto ao avaliar o perfil de atacante que, na sua visão, falta à seleção brasileira. Ele afirmou que a função de centroavante de área, com presença física e domínio do cabeceio, perdeu espaço no futebol contemporâneo, tanto no time nacional quanto nos clubes do país. A leitura foi associada por ele ao estilo mais associativo das equipes atuais, que reduz o peso de jogadores especialistas em finalizar dentro da área.
O ex-jogador também disse que, mesmo no auge, teria dificuldade para entrar como titular na Seleção comandada por Carlo Ancelotti. A observação não foi apresentada como crítica pessoal ao grupo atual, mas como reconhecimento de que o elenco oferece menos espaço para um atacante de características semelhantes às suas. No relato ao ge, ele admitiu que poderia ser opção de banco, especialmente em situações em que a bola aérea fosse decisiva.
Jardel vinculou a falta de atacantes desse tipo à formação de base. Para ele, fundamentos como cabeceio e cruzamento precisam ser treinados mais cedo para que novos centroavantes surjam com repertório suficiente para decidir jogos grandes. Essa interpretação aparece no centro da entrevista e, segundo o ex-atacante, o aprendizado que deu a Cristiano Ronaldo ilustra a relevância de repetir movimentos básicos até que se tornem automáticos.
A discussão sobre a posição de camisa 9 veio acompanhada de uma avaliação mais ampla do futebol brasileiro. Jardel argumentou que a valorização excessiva da circulação de bola e do jogo por associações tem comprimido o espaço de atacantes de referência. Na prática, ele defendeu uma retomada de aspectos tradicionais da função, com mais cruzamentos, mais presença na área e mais atenção à finalização pelo alto.
A trajetória citada na reportagem ajuda a explicar o peso das declarações. Jardel construiu carreira com passagens por Vasco, Grêmio, Porto, Sporting e Galatasaray, acumulando títulos em diferentes países e mantendo imagem ligada ao jogo de área. O texto também informa que ele vive em Fortaleza e participou nesta semana de um jogo beneficente entre ídolos do Fortaleza e a Seleção Cearense Master, no estádio Presidente Vargas, o que reforça sua presença frequente em atividades ligadas ao futebol local.
Além da parceria com Cristiano Ronaldo e da análise sobre os atacantes brasileiros, Jardel retomou referências pessoais que marcaram sua formação. Ele disse ter crescido admirando Zico na televisão, em Fortaleza, e apontou Edmundo Silveira e Felipão como os treinadores mais importantes da sua carreira. Esses elementos aparecem na entrevista como contexto da fala de um centroavante que passou a carreira inteira observando o ofício de perto e que, agora, cobra mais espaço para jogadores com perfil semelhante no país.
Com informações de Globo, portalr10.com, UOL e theguardian.com.



