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Perícia da Polícia Federal contradiz nota oficial de Alexandre de Moraes

Um relatório da Polícia Federal trouxe novos elementos para um caso que envolve o empresário Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento, cujo sigilo foi levantado nesta semana pelo ministro André Mendonça, registra uma sequência de comunicações realizadas em novembro de 2025 entre Vorcaro e um contato identificado em sua agenda como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. As informações chamam atenção porque entram em contraste com uma manifestação divulgada anteriormente pelo STF, que havia informado não haver registros de mensagens enviadas pelo empresário ao ministro. A perícia agora descrita no relatório apresenta uma reconstrução técnica das comunicações encontradas no aparelho celular de Vorcaro e acrescenta novos pontos à discussão.

Segundo os investigadores, cinco mensagens de visualização única foram enviadas por Vorcaro em 17 de novembro de 2025 para um número que estava salvo no telefone como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. O contato associado a esse registro teria enviado outras quatro imagens temporárias em resposta. De acordo com o relatório, os peritos conseguiram identificar vestígios das comunicações mesmo diante dos mecanismos utilizados para eliminar o conteúdo das conversas. A análise foi realizada a partir de dados extraídos do celular do empresário após sua prisão naquela mesma data. O material técnico passou a ser considerado relevante justamente pela possibilidade de estabelecer uma sequência de eventos e identificar como as mensagens foram registradas no dispositivo.

 

A existência desses registros também coloca em evidência uma diferença em relação ao posicionamento apresentado pelo Supremo em março. Na ocasião, a Secretaria de Comunicação do STF divulgou uma nota, a pedido do gabinete de Alexandre de Moraes, afirmando que as mensagens mencionadas anteriormente não haviam sido destinadas ao ministro. Segundo a explicação apresentada naquele momento, uma avaliação técnica indicava que os registros encontrados no aparelho de Vorcaro estavam relacionados a outras pastas e contatos existentes no dispositivo. A manifestação procurava esclarecer que imagens localizadas no computador do empresário poderiam estar vinculadas a diferentes pessoas e, portanto, não representariam uma comunicação dirigida ao integrante da Suprema Corte.

 

O relatório da Polícia Federal também descreve os recursos utilizados por Vorcaro para reduzir a permanência das mensagens no celular. Conforme a perícia, o empresário costumava preparar o conteúdo em um aplicativo de notas, fotografar a tela e encaminhar a imagem pelo WhatsApp utilizando o recurso de visualização única. Dessa maneira, a mensagem desaparecia depois de ser aberta pelo destinatário. O contato analisado também estaria configurado para excluir automaticamente as conversas depois de 24 horas. Mesmo com essas configurações, os investigadores afirmam ter encontrado informações suficientes para reconstruir parte da cronologia das comunicações, demonstrando como técnicas de perícia digital podem recuperar vestígios deixados em dispositivos eletrônicos.

 

Entre os conteúdos recuperados estão mensagens relacionadas a negociações financeiras e a possíveis movimentações envolvendo investidores estrangeiros. Em determinado trecho, Vorcaro relata que precisaria fazer uma “correria” para tentar preservar uma operação. Em outra comunicação, pergunta ao interlocutor se havia alguma novidade e se ele teria conseguido “bloquear” determinada situação. O relatório também registra uma mensagem enviada na noite anterior, na qual o empresário questiona sobre a possibilidade de algo ocorrer na manhã seguinte. A referência ganhou relevância para os investigadores porque a data mencionada coincidiu com o dia em que Vorcaro foi preso pela primeira vez.

 

Com a divulgação do relatório, o caso passa a contar com novos elementos documentais que podem alimentar a análise sobre a origem, o destino e o contexto das mensagens atribuídas ao contato identificado como Alexandre de Moraes. A perícia da Polícia Federal apresenta uma interpretação baseada nos vestígios encontrados no aparelho de Vorcaro, enquanto a manifestação anterior do STF havia apresentado uma conclusão diferente sobre a identificação dos destinatários. A diferença entre as duas versões torna o conteúdo do documento especialmente relevante para o acompanhamento das investigações e dos próximos desdobramentos. Por enquanto, o relatório representa uma peça técnica dentro de um caso mais amplo, e a correta interpretação das comunicações dependerá da análise conjunta dos demais elementos reunidos pelas autoridades.

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