Flávio parte para cima e leva acusação contra ministro ao TSE

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o ministro da Fazenda, Dario Durigan, sob a acusação de utilização da estrutura do governo federal em favor da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A representação foi protocolada pela defesa de Flávio Bolsonaro, que sustenta que Durigan estaria atuando como uma espécie de representante econômico da candidatura de Lula enquanto mantém o cargo de ministro da Fazenda. Segundo os advogados, a suposta sobreposição entre as funções públicas e atividades relacionadas à campanha eleitoral poderia caracterizar uso indevido da máquina administrativa.
No documento encaminhado ao TSE, a defesa cita reportagens publicadas por diferentes veículos de comunicação para sustentar a acusação. Entre elas está uma publicação do Poder360, de 29 de julho, sobre uma viagem de Durigan à Faria Lima, em São Paulo, onde teria dialogado com representantes do mercado financeiro a respeito de um possível quarto mandato de Lula.
Os advogados também mencionam uma reportagem da Folha de S.Paulo, publicada em 14 de agosto, que apresentou o ministro como um dos interlocutores da área econômica da campanha presidencial. Outra publicação, de O Globo, em 21 de agosto, descreveu Durigan como representante econômico da candidatura petista.
A campanha de Flávio Bolsonaro argumenta que as reportagens demonstrariam uma atuação política paralela às atribuições oficiais exercidas por Durigan no Ministério da Fazenda. Para a defesa, a situação exige investigação da Justiça Eleitoral para determinar se houve utilização de recursos, servidores ou estruturas públicas em atividades relacionadas à disputa presidencial.
Outro ponto questionado pela representação é a agenda oficial do ministro registrada em 17 de agosto. Naquela data, Durigan participou de compromissos em São Paulo que, segundo os advogados de Flávio Bolsonaro, teriam natureza eleitoral. A defesa afirma que a presença dessas atividades na agenda funcional do ministro indicaria uma possível mistura entre compromissos institucionais e ações políticas ligadas à campanha de Lula.
A petição também cita uma entrevista concedida por Durigan à rádio CBN, no dia 20 de agosto. A participação integrou uma série de conversas promovidas pela emissora com representantes das áreas econômicas das candidaturas à Presidência. Pela campanha de Flávio Bolsonaro, participou Daniella Marques.
Segundo os advogados, embora a entrevista tivesse caráter relacionado às propostas econômicas das candidaturas, o compromisso teria sido registrado na agenda oficial como atividade do ministro da Fazenda. Para a defesa, esse fato reforçaria a suspeita de que funções institucionais e eleitorais estariam sendo exercidas de forma simultânea.
Também foi mencionado no pedido um convite da GloboNews para um debate previsto para 1º de setembro entre coordenadores econômicos dos candidatos à Presidência da República. De acordo com a representação, a emissora já identificou Dario Durigan como representante da candidatura de Lula no encontro.
Com base nos elementos apresentados, a defesa de Flávio Bolsonaro pede que o TSE determine a preservação e a apresentação de documentos relacionados aos compromissos citados. O objetivo é analisar se houve utilização da estrutura do Ministério da Fazenda ou de outros órgãos públicos em atividades ligadas à campanha eleitoral.
Os advogados também solicitaram que Durigan seja impedido de utilizar recursos públicos em futuros compromissos realizados na condição de representante da candidatura de Lula. O pedido inclui eventos políticos e debates nos quais o ministro eventualmente participe como interlocutor econômico da campanha.
A representação prevê ainda a possibilidade de aplicação de sanções caso a Justiça Eleitoral reconheça irregularidades. Nesse cenário, a defesa pede que eventual responsabilização alcance tanto Dario Durigan, na condição de agente público, quanto Lula, apontado como possível beneficiário das condutas investigadas.
O Ministério da Fazenda foi procurado, mas não havia apresentado manifestação até a publicação da reportagem que revelou o conteúdo da ação.
Agora, caberá ao Tribunal Superior Eleitoral analisar os argumentos apresentados pela campanha de Flávio Bolsonaro e decidir sobre os pedidos de investigação, preservação de documentos e eventual imposição de restrições ao ministro. O caso adiciona um novo capítulo à disputa presidencial de 2026, marcada por embates jurídicos e acusações entre as campanhas.



