Lula diz que vai mostrar a Trump “foto” com queda do desmatamento

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira que pretende enviar ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, uma imagem dos gráficos que demonstram a redução do desmatamento no Brasil. A declaração foi feita durante visita ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em São José dos Campos, no interior de São Paulo, onde foram apresentados os mais recentes dados de monitoramento ambiental.
Lula destacou a seriedade com que o país trata as questões climáticas e ressaltou que o Brasil não adota postura negacionista diante das mudanças observadas no planeta. Ao comentar os números exibidos no evento, o presidente pediu que os gráficos voltassem a ser projetados e disse que gostaria de fotografá-los para encaminhar ao líder norte-americano. A fala ocorreu no contexto da divulgação de informações do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real, que apontam queda significativa nas áreas sob alerta na Amazônia e no Cerrado.
De acordo com os dados apresentados, a área sob alerta de desmatamento na Amazônia registrou redução de aproximadamente 36 por cento no período acumulado de agosto de 2025 a julho de 2026, alcançando o menor nível da série recente do monitoramento. No Cerrado, também houve retração, ainda que em ritmo mais moderado. O presidente afirmou que os resultados indicam que, mantido o ritmo atual de ações, com seriedade e recursos adequados, o país pode avançar em direção à meta de zerar o desmatamento ilegal até 2030, compromisso assumido pelo governo brasileiro.
Durante o discurso, Lula reforçou que o Brasil leva a sério o enfrentamento das questões ambientais e que os números apresentados servem como registro concreto do trabalho realizado. Ele vinculou a divulgação dos dados à necessidade de diálogo com parceiros internacionais, especialmente em meio a discussões comerciais. O presidente mencionou que o Brasil deseja negociar em condições de igualdade com diferentes nações, incluindo Estados Unidos, China e países europeus, e rejeitou a ideia de que o país se torne apenas exportador de matérias-primas sem agregar valor.
A visita ao instituto coincidiu com as comemorações dos 65 anos da instituição, responsável pelo monitoramento por satélite de biomas brasileiros. Lula aproveitou a ocasião para defender a ciência e a importância dos dados oficiais na formulação de políticas públicas. Ele afirmou que os gráficos e as informações produzidas pelo instituto podem ser utilizados em comunicações oficiais com autoridades estrangeiras, inclusive em correspondências relacionadas a temas comerciais e ambientais.
No dia seguinte à visita, o presidente voltou a se referir aos números e reiterou a intenção de compartilhar as informações com Trump. Lula classificou o líder norte-americano como amigo e expressou o desejo de que os dados cheguem de forma clara, de modo a mostrar a evolução registrada no combate ao desmatamento. Segundo ele, os resultados recentes representam o menor nível de alertas na Amazônia desde o início da série atual de monitoramento, o que considera um avanço relevante.
A redução dos índices ocorre em um cenário de retomada e intensificação de ações de fiscalização, monitoramento e políticas de prevenção em diferentes biomas. O governo tem destacado que o compromisso com o desmatamento zero não deriva de imposições externas, mas de decisão interna voltada à preservação ambiental e ao desenvolvimento sustentável. Lula enfatizou que evitar o desmatamento pode ser economicamente mais vantajoso do que permitir a destruição de áreas florestais, e que o país busca provar, com dados, a efetividade das medidas adotadas.
A relação entre Brasil e Estados Unidos tem envolvido discussões sobre comércio e questões ambientais. Autoridades norte-americanas têm mencionado o desmatamento em análises relacionadas a práticas comerciais. O governo brasileiro, por sua vez, tem respondido apresentando os resultados do monitoramento oficial e defendendo a comparação de políticas ambientais entre os dois países. Lula tem argumentado que o Brasil desenvolve um trabalho consistente e que os números devem ser considerados em qualquer avaliação.
No evento em São José dos Campos, o presidente também abordou temas de minerais críticos e terras raras, afirmando que o Brasil não tem preferências exclusivas por determinados parceiros e que busca relações equilibradas. Ele entregou, segundo sua própria declaração, informações sobre esses recursos a Trump em encontros anteriores e reiterou o interesse em negociações em condições de igualdade.
Os dados do monitoramento reforçam a trajetória de redução observada nos últimos anos em vários biomas. Além da Amazônia e do Cerrado, informações de outros sistemas de acompanhamento apontam retrações em áreas como Caatinga, Mata Atlântica e Pampa em períodos recentes. O governo avalia que a continuidade das políticas de fiscalização, o fortalecimento institucional e a alocação de recursos são fundamentais para manter a tendência de queda.
Lula encerrou sua participação no evento reforçando o papel do instituto na produção de informações confiáveis e a importância de utilizar esses dados no diálogo internacional. A declaração sobre o envio da imagem dos gráficos a Trump sintetiza a estratégia de apresentar números oficiais como resposta a questionamentos externos e como registro do esforço brasileiro no campo ambiental. O episódio marca mais um momento em que o presidente utiliza a divulgação de dados de satélite para sustentar a narrativa de avanços no controle do desmatamento e na busca por relações comerciais baseadas em evidências e respeito mútuo.



