Flávio Bolsonaro mira composição do STF e faz promessa durante ato de campanha em São Paulo

Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, voltou a colocar o Supremo Tribunal Federal no centro do debate eleitoral neste sábado (8), durante um evento de campanha realizado em Itapetininga, no interior paulista. Diante de apoiadores e lideranças políticas, o senador afirmou que pretende adotar um perfil específico para futuras indicações à Corte caso seja eleito presidente. Segundo ele, homens e mulheres escolhidos para ocupar cadeiras no Supremo deverão demonstrar compromisso com a Constituição e com os limites institucionais do cargo. A manifestação ocorre em um momento no qual a composição futura do STF ganhou espaço nas discussões da corrida presidencial, especialmente diante da possibilidade de o próximo chefe do Executivo participar da escolha de vários integrantes do tribunal.
Durante o discurso, Flávio também direcionou críticas à atuação política atribuída por ele a integrantes do Supremo. Sem citar nominalmente nenhum magistrado, o candidato afirmou que ministros interessados em participar diretamente das disputas políticas deveriam deixar seus cargos e concorrer nas urnas. Ele mencionou tanto a Presidência da República quanto o comando político do Senado ao defender sua posição. A declaração mantém uma linha que Flávio já vinha adotando anteriormente: em junho, durante agenda de pré-campanha, ele havia dito que pretendia escolher nomes com formação técnica e perfil conservador para futuras vagas no STF. Neste sábado, porém, acrescentou de maneira mais explícita a intenção de incluir mulheres entre suas eventuais indicações, transformando também a representatividade feminina na Corte em tema de sua campanha.
Ao falar sobre a composição do tribunal, Flávio declarou que o próximo presidente poderá participar da indicação de quatro ministros do Supremo. Esse número, contudo, depende do cenário efetivo de vagas existente no início do próximo mandato, inclusive da cadeira atualmente aberta após a rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias. Hoje, o STF possui apenas uma mulher entre seus integrantes, a ministra Cármen Lúcia. Na história da Corte, outras duas mulheres chegaram ao tribunal: Ellen Gracie e Rosa Weber. A promessa feita em Itapetininga também se conecta a uma estratégia mais ampla da campanha para aumentar a presença de figuras femininas nas agendas públicas do candidato e buscar melhorar seu desempenho junto às eleitoras, segmento no qual pesquisas citadas no contexto eleitoral apontam vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O evento paulista foi organizado pela deputada federal Simone Marquetto (PP-SP), ex-prefeita de Itapetininga e uma das principais apoiadoras da candidatura na região. O nome de Simone chegou a aparecer entre as alternativas analisadas para a composição da chapa presidencial, justamente em meio à discussão sobre a possibilidade de Flávio escolher uma mulher para a vice-presidência. A decisão final, porém, foi diferente: na quarta-feira (5), o candidato anunciou o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como seu companheiro de chapa. Ainda assim, a participação feminina continua ocupando espaço na estratégia eleitoral. A própria esposa de Flávio, a dentista Fernanda Bolsonaro, passou a participar com maior frequência de atividades da campanha e de encontros organizados para dialogar diretamente com o público feminino.
Simone Marquetto também fez um anúncio relevante durante o encontro. A parlamentar afirmou que não pretende buscar a reeleição para a Câmara dos Deputados e indicou que concentrará seus esforços na eleição presidencial. Sua participação reforça a tentativa da campanha de construir uma rede de lideranças regionais capazes de ampliar a presença de Flávio em diferentes segmentos do eleitorado paulista. Além de Simone, o evento reuniu outros políticos e candidatos aliados. A agenda ocorre quando a campanha entra em uma fase mais intensa, aproximando-se oficialmente do período decisivo da disputa. Ao associar a discussão sobre o STF a temas como participação feminina, composição de governo e equilíbrio entre os Poderes, Flávio procura transformar uma pauta institucional complexa em um dos elementos centrais de sua mensagem eleitoral.
A composição do Supremo deverá continuar aparecendo nos discursos dos candidatos até a eleição, principalmente porque as escolhas feitas pelo próximo presidente podem influenciar o tribunal por muitos anos. No caso de Flávio Bolsonaro, a promessa de selecionar ministros com determinado perfil jurídico e institucional reforça uma das diferenças que ele busca apresentar aos eleitores em relação ao atual governo. Ao mesmo tempo, qualquer indicação ao STF não depende exclusivamente do presidente: a Constituição determina que o nome escolhido seja submetido ao Senado Federal, que realiza sabatina e precisa aprovar a indicação antes da posse. Portanto, embora o discurso de Itapetininga antecipe quais critérios Flávio diz pretender utilizar caso chegue ao Palácio do Planalto, a efetiva transformação da composição da Corte dependerá das vagas existentes, das escolhas presidenciais e da aprovação dos senadores.



