Michelle Bolsonaro rebate críticas de bolsonaristas

Michelle Bolsonaro voltou ao centro das discussões políticas nos últimos dias após se pronunciar sobre a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos. A ex-primeira-dama decidiu esclarecer, por meio das redes sociais, que a proposta apresentada oficialmente pelo governo federal teve origem durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A manifestação aconteceu depois que Michelle passou a receber críticas de parte de apoiadores do próprio campo político. O motivo foi uma publicação em que ela comemorava a implementação da política, chamando a iniciativa de um “sonho realizado”. A mensagem acabou sendo interpretada por alguns militantes como um elogio ao governo atual, o que gerou uma série de comentários negativos.
Diante da repercussão, Michelle utilizou o Instagram para explicar seu posicionamento. Segundo ela, a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos foi construída e apresentada durante o governo Bolsonaro, resultado de um trabalho desenvolvido em parceria com representantes da comunidade surda. Em sua publicação, ela destacou que sempre defendeu pautas ligadas à inclusão e afirmou que o compromisso com essas causas vai além das disputas políticas.
A ex-primeira-dama também relembrou outro episódio para reforçar sua posição. Ela citou a Lei Amália Barros, sancionada durante o governo Bolsonaro, lembrando que o projeto foi apresentado por um parlamentar do Partido dos Trabalhadores. Na ocasião, Jair Bolsonaro sancionou a proposta que reconheceu a visão monocular como deficiência sensorial, ampliando direitos para milhares de brasileiros.
Segundo Michelle, esse exemplo demonstra que decisões voltadas ao interesse da população devem estar acima das diferenças partidárias. Ela afirmou que seu marido nunca deixou de apoiar uma proposta apenas por causa da autoria, mas sim avaliava o benefício que ela poderia trazer para as pessoas.
A Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos foi lançada oficialmente pelo Ministério da Educação no início de julho. O programa busca ampliar o acesso de estudantes surdos ao ensino, garantir melhores condições de permanência nas escolas e fortalecer a aprendizagem utilizando tanto a Língua Brasileira de Sinais (Libras) quanto a língua portuguesa escrita.
Apesar do objetivo da iniciativa ser amplamente voltado à inclusão, a repercussão política acabou ganhando destaque nas redes sociais. Conforme divulgado por veículos da imprensa, integrantes do PL compartilharam mensagens e montagens envolvendo Michelle, enquanto outros apoiadores passaram a criticá-la, utilizando termos que colocavam em dúvida sua fidelidade ao grupo político.
Toda essa situação acontece em um momento delicado para a família Bolsonaro. Nos últimos meses, divergências internas passaram a ocupar espaço no noticiário político. Reportagens publicadas anteriormente já indicavam um desgaste entre Michelle e integrantes da família, especialmente após discussões sobre os rumos da sucessão presidencial.
Em junho deste ano, Michelle divulgou um vídeo no qual afirmou ter sido alvo de ataques dentro da própria família. Na gravação, ela relatou desentendimentos com o senador Flávio Bolsonaro e afirmou que seu apoio político teria sido tratado como algo sem importância. As declarações repercutiram intensamente e aumentaram as especulações sobre um possível distanciamento entre ambos.
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro segue como um dos principais nomes ligados ao campo conservador para a eleição presidencial de 2026. Em diferentes oportunidades, ele afirmou desejar manter a união familiar e declarou estar disposto ao diálogo.
O episódio envolvendo a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos mostra como temas de interesse social também podem provocar debates políticos. Ao explicar a origem da proposta e defender seu histórico de atuação, Michelle Bolsonaro buscou reforçar que iniciativas voltadas à inclusão devem ser reconhecidas independentemente do governo responsável por sua implementação.



