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Justiça autoriza quebra de sigilo de celular encontrado com Jairinho

A Justiça do Rio de Janeiro autorizou a quebra de sigilo do celular encontrado na cela de Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho. O aparelho foi localizado durante uma fiscalização de rotina realizada pela Polícia Penal no Complexo de Gericinó, na zona oeste da capital fluminense, na última semana.

A medida atende a um pedido do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), que busca esclarecer como o telefone era utilizado dentro da unidade prisional e se o conteúdo pode contribuir para novas frentes de investigação. A decisão foi assinada pela juíza Elizabeth Machado Louro, responsável pelo julgamento que condenou Jairinho.

Com a autorização judicial, especialistas da Divisão Especial de Inteligência Cibernética (DEIC) serão responsáveis por realizar a extração completa dos dados armazenados no aparelho. A expectativa é identificar registros de contatos, mensagens e outras informações que possam ajudar a compreender se houve comunicação com pessoas fora do sistema prisional durante o período em que o condenado permaneceu com o celular.

Segundo o Ministério Público, a análise do dispositivo poderá revelar detalhes importantes sobre uma possível atuação externa de Jairinho enquanto cumpria pena. O promotor Fábio Vieira dos Santos destacou, na manifestação enviada à Justiça, que a perícia busca esclarecer se existiram contatos capazes de influenciar terceiros ou interferir em procedimentos relacionados ao processo.

A descoberta do telefone dentro da cela também reacendeu o debate sobre a fiscalização nas unidades prisionais e a necessidade de impedir a entrada de equipamentos eletrônicos em ambientes onde seu uso é proibido. Casos como esse costumam levantar questionamentos sobre os mecanismos de controle adotados pelo sistema penitenciário.

Leniel Borel, pai de Henry e assistente de acusação no processo, defendeu que a investigação seja conduzida de forma completa. Para ele, é fundamental esclarecer como o aparelho chegou até a cela, há quanto tempo estava sendo utilizado e quais comunicações foram realizadas durante esse período. Na avaliação de Leniel, todas essas respostas são importantes para garantir transparência e fortalecer a confiança no trabalho das autoridades.

Outro desdobramento recente envolvendo a família ocorreu por decisão da Justiça, que determinou, em caráter de urgência, que Jairo Souza Santos, pai de Dr. Jairinho, deixe de divulgar informações consideradas falsas sobre Leniel Borel. A decisão também prevê a remoção dos conteúdos apontados pela Justiça das plataformas digitais, incluindo resultados vinculados ao Google, conforme os termos definidos no processo.

O caso Henry Borel continua sendo um dos episódios de maior repercussão dos últimos anos no país. Em junho deste ano, Dr. Jairinho foi condenado a 43 anos de prisão pelos crimes de tortura e homicídio qualificado relacionados à morte do menino, ocorrida em março de 2021. Desde então, cada novo desdobramento judicial tem sido acompanhado de perto pela sociedade e pelos familiares da criança.

Agora, a expectativa está voltada para o resultado da perícia técnica no celular apreendido. Dependendo das informações encontradas, o material poderá auxiliar as autoridades na apuração de eventuais fatos ainda não esclarecidos e contribuir para novas providências, caso sejam identificados elementos relevantes.

Enquanto isso, o Ministério Público e a Polícia Penal seguem acompanhando o caso, reforçando que todas as etapas da investigação serão conduzidas dentro dos procedimentos legais e sob supervisão da Justiça.
 

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