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Embaixada vai acompanhar audiência do tarifaço com Flávio Bolsonaro

A Embaixada do Brasil em Washington vai acompanhar de perto a audiência pública marcada para o dia 6 de julho, promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O encontro discutirá a proposta de aplicar uma tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros, medida que pode afetar empresas exportadoras e influenciar o comércio entre os dois países.

Embora o governo brasileiro tenha decidido não participar oficialmente da sessão, representantes da embaixada estarão presentes para acompanhar os debates e observar o posicionamento dos participantes. Entre os inscritos para falar está o senador Flávio Bolsonaro (PL), que informou ao USTR que defenderá a não adoção das novas tarifas.

Nos bastidores, integrantes do governo federal avaliam que o discurso do parlamentar também será acompanhado com atenção. A interpretação dentro do Palácio do Planalto é que a participação de Flávio pode representar uma tentativa de reduzir o desgaste político provocado pela associação da família Bolsonaro às medidas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos.

Nos últimos meses, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro manifestaram apoio às decisões adotadas pelo governo norte-americano em relação ao Brasil. Além disso, uma fotografia publicada pelo presidente Donald Trump ao lado de Flávio Bolsonaro, logo após o anúncio das novas alíquotas pelo USTR, ampliou o debate político em torno do tema.

Apesar da repercussão, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por manter sua estratégia diplomática. A avaliação do Itamaraty é que existe um canal direto de diálogo com a administração norte-americana e que uma manifestação oficial durante uma audiência voltada à sociedade civil não traria vantagens para as negociações.

Outro fator considerado pelo governo é evitar que a participação em um mesmo espaço dê ao senador um protagonismo institucional que, segundo integrantes do Executivo, não corresponde ao papel desempenhado nas tratativas entre os dois países.

A decisão também ocorre após a divulgação de uma carta enviada pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, ao senador Flávio Bolsonaro. Pessoas próximas ao presidente Lula entendem que o documento pode ser interpretado como uma tentativa de fortalecer um canal de comunicação paralelo entre o parlamentar brasileiro e a Casa Branca.

A audiência faz parte da investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Esse instrumento permite ao governo norte-americano analisar práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses do país e, caso considere necessário, recomendar a adoção de medidas tarifárias.

Antes de qualquer decisão definitiva, empresas, representantes do setor produtivo e integrantes da sociedade civil terão a oportunidade de apresentar argumentos favoráveis ou contrários à proposta durante a consulta pública.
Após essa etapa, caberá ao governo dos Estados Unidos concluir a análise do processo. A eventual implementação das tarifas ainda depende da aprovação final do presidente Donald Trump.

Enquanto isso, o governo brasileiro segue apostando na via diplomática para preservar a relação comercial entre os dois países e minimizar possíveis impactos sobre as exportações nacionais. O resultado da audiência deverá ser acompanhado com atenção tanto pelo setor produtivo quanto pelo meio político, já que poderá influenciar os próximos passos das negociações comerciais entre Brasília e Washington.
 

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