Michelle comemora derrota de Messias: “Justiça de Deus foi feita”

A rejeição de uma indicação ao Supremo Tribunal Federal costuma ser um evento raro — e, justamente por isso, chama atenção quando acontece. Foi o que se viu na última quarta-feira, 29 de abril de 2026, quando o Senado decidiu não aprovar o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar uma cadeira na mais alta Corte do país.
O placar surpreendeu: 42 votos contrários e 34 favoráveis. Para ser aprovado, seriam necessários pelo menos 41 apoios. Ou seja, a margem foi estreita, mas suficiente para barrar a indicação feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O episódio ganhou repercussão imediata nas redes sociais. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro comentou o resultado em seu perfil no Instagram com uma frase curta, porém simbólica: “Justiça de Deus foi feita”. A publicação rapidamente se espalhou entre apoiadores e críticos, mostrando como decisões institucionais ainda ecoam fortemente no ambiente digital.
Mas o que torna esse caso ainda mais significativo é o seu peso histórico. Há 132 anos o Senado não rejeitava uma indicação presidencial ao Supremo. O último registro semelhante remonta a 1894, durante o governo de Floriano Peixoto, nos primeiros anos da República. Naquele período, o país ainda estruturava suas instituições — cenário bem diferente do atual, mas que reforça a raridade do momento.
A vaga em questão surgiu após a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso. Considerado um dos nomes mais influentes da Corte nos últimos anos, Barroso deixou um espaço relevante tanto do ponto de vista jurídico quanto político. Isso elevou naturalmente o grau de atenção sobre quem seria seu sucessor.
Outro ponto que chamou atenção foi o intervalo entre as etapas do processo. A indicação de Jorge Messias foi anunciada em novembro do ano anterior, mas só chegou oficialmente ao Senado em abril. A sabatina ocorreu semanas depois, totalizando 160 dias desde o anúncio inicial. Esse tempo prolongado contribuiu para debates intensos nos bastidores e também para o aumento da expectativa pública.
Nos corredores de Brasília, a decisão é interpretada de diferentes formas. Para alguns analistas, o resultado reflete um Senado mais independente e disposto a exercer seu papel de contrapeso. Para outros, evidencia um ambiente político ainda marcado por divisões profundas, onde indicações ao Judiciário acabam sendo avaliadas também sob lentes ideológicas.
Enquanto isso, a cadeira no Supremo permanece vaga, e uma nova indicação deverá ser feita. O governo terá o desafio de apresentar um nome que consiga construir consenso suficiente para aprovação — tarefa que, diante do cenário atual, não parece simples.
Mais do que um episódio isolado, o caso reacende discussões sobre o processo de escolha de ministros do STF e o equilíbrio entre os Poderes. Em um país onde política e Justiça frequentemente se cruzam, decisões como essa acabam ultrapassando o campo técnico e ganhando dimensão simbólica.
No fim das contas, o que aconteceu no Senado nesta semana não foi apenas uma votação. Foi um lembrete de que, mesmo em estruturas consolidadas, o inesperado ainda tem espaço para acontecer. E, quando acontece, provoca reflexão — dentro e fora da política.



