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Brasileiro que perdeu a vida na Ucrânia buscava tratamento para a filha

Um brasileiro de 41 anos, morador de Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, morreu enquanto atuava como combatente na guerra da Ucrânia. Tiago Rodrigues Marques estava na região de Donbas e morreu em 24 de agosto, justamente no dia em que completava mais um ano de vida. Segundo a esposa, Marili Rodrigues, de 40 anos, a decisão de retornar ao país europeu estava relacionada à tentativa de melhorar a situação financeira da família e custear o tratamento da filha do casal, de apenas 5 anos, diagnosticada com transtorno do espectro autista. Tiago havia deixado o Brasil novamente após receber uma proposta de remuneração que, segundo a família, poderia representar uma mudança significativa nas condições financeiras.

De acordo com Marili, a família enfrentava dificuldades para manter os custos relacionados ao tratamento da menina, e Tiago acreditava que o trabalho na Ucrânia permitiria reunir recursos suficientes para ajudar nas despesas. A expectativa, porém, era diferente da realidade encontrada no país. Conforme o relato da viúva, ele teria recebido a informação de que poderia ganhar cerca de R$ 50 mil, mas descobriu posteriormente que o valor correspondia a 50 mil hryvnias, moeda ucraniana, e não a euros. Além disso, havia pagamentos adicionais relacionados às missões realizadas. A esposa afirma que um valor estava previsto para ser depositado na conta de Tiago na segunda-feira, mas ele morreu antes de receber o dinheiro. A quantia permanece em uma conta na Ucrânia à qual a família não consegue acessar.

Apesar da questão financeira, Marili afirma que a principal preocupação neste momento é conseguir trazer o corpo do marido de volta ao Brasil. Tiago deixou, além da esposa e da filha de 5 anos, duas enteadas. A família agora busca informações sobre os procedimentos necessários para o traslado e tenta lidar com as consequências da perda. Para a viúva, o retorno de Tiago à Ucrânia representava uma tentativa de garantir melhores condições para a filha, especialmente em uma fase considerada importante do tratamento. A decisão, contudo, aconteceu em meio à resistência dos familiares, que eram contrários a uma nova viagem diante dos riscos envolvidos.

Essa não foi a primeira vez que Tiago viajou para participar do conflito. Segundo Marili, ele passou aproximadamente 11 meses na Ucrânia entre 2024 e 2025, quando integrou uma legião internacional. Depois de retornar ao Brasil, voltou a considerar uma nova viagem após receber uma proposta que, conforme o relato da família, apresentava condições diferentes da experiência anterior. Desta vez, ele teria sido recrutado pelo próprio Exército Ucraniano e acreditava que teria garantias distintas das encontradas durante sua primeira passagem pelo país. A expectativa de uma remuneração maior e de condições consideradas mais seguras pesou na decisão de embarcar novamente.

A esposa conta que tentou convencer Tiago a permanecer no Brasil, principalmente porque a filha passava por uma etapa importante do tratamento. Mesmo diante dos pedidos da família, ele decidiu viajar novamente e, segundo Marili, chegou a retornar ao país sem comunicar previamente os parentes. A situação deixou a família ainda mais preocupada, já que a nova viagem aconteceu em um momento em que a presença do pai era considerada importante para a rotina da menina. A notícia da morte, portanto, trouxe não apenas a necessidade de organizar o retorno do corpo, mas também o desafio de reorganizar a vida familiar diante da ausência de Tiago.

Tiago estava na região de Donbas, no leste da Ucrânia, área que se tornou um dos principais pontos do conflito entre Rússia e Ucrânia. A região engloba os territórios de Donetsk e Luhansk e possui importância estratégica e histórica. Segundo a família, o brasileiro morreu após um ataque envolvendo um drone. O caso chama atenção para a presença de estrangeiros que seguem para a região em busca de oportunidades financeiras ou por outros motivos relacionados ao conflito. Para os familiares de Tiago, porém, a história ganhou um significado especialmente doloroso: a tentativa de conseguir recursos para garantir o tratamento da filha terminou com sua morte e deixou esposa, crianças e outros parentes à espera de respostas e da possibilidade de realizar o traslado para o Brasil.

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