Rota tira vida de homem suspeito de ataque a tenente

Um homem apontado pela Polícia Militar como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) e suspeito de participação no atentado contra o tenente Ronickson Pimentel dos Santos morreu durante uma ação da Rota, na noite de sexta-feira (10), na zona leste de São Paulo. Identificado como Márcio dos Santos Ferreira, conhecido pelo apelido de “Tetão”, ele era investigado por supostamente fornecer os veículos e as armas utilizadas no ataque ao policial militar.
Segundo a versão apresentada pela corporação, equipes da Rota receberam uma denúncia informando que o suspeito estava escondido em uma residência localizada na região de São Mateus. Ao chegarem ao endereço, os policiais foram recebidos por um morador que teria confirmado a presença de Márcio no imóvel e autorizado a entrada das equipes.
Ainda conforme o relato policial, assim que os agentes entraram na residência, foram surpreendidos por disparos de arma de fogo. Os policiais afirmam que reagiram à agressão e atingiram o suspeito durante o confronto. Márcio foi socorrido e levado ao Hospital Cidade Tiradentes, mas não resistiu aos ferimentos e morreu pouco depois de dar entrada na unidade.
No local da ocorrência, a polícia informou ter apreendido uma pistola Taurus com 12 munições intactas. Todo o material foi encaminhado para perícia, enquanto o caso foi registrado e será investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), conforme determina o procedimento em ocorrências envolvendo intervenção policial.
De acordo com informações obtidas pelos investigadores, Márcio era considerado um integrante antigo do PCC e possuía um longo histórico criminal. Entre os registros atribuídos a ele está a fuga do Centro de Detenção Provisória II de Osasco, em 2007, quando escapou da unidade prisional junto com dezenas de outros detentos.
Com essa ocorrência, chega a cinco o número de pessoas mortas durante operações realizadas pela Rota desde o atentado contra o tenente Ronickson. As autoridades afirmam que três desses mortos são investigados por possível envolvimento direto no ataque, enquanto outros dois tiveram a suspeita descartada ou ainda não possuem ligação comprovada com o caso.
Além das mortes registradas, três pessoas já foram presas durante o andamento das investigações. Dois dos detidos são suspeitos de terem prestado apoio logístico aos criminosos no dia do atentado. Já um terceiro investigado confessou ter sido responsável por ocultar a motocicleta utilizada pelos autores da ação.
A Polícia Civil também continua procurando Hércules da Costa Siqueira, conhecido pelos apelidos de “Golias” e “Peruca”, apontado como o homem que teria efetuado os disparos contra o oficial da Polícia Militar. Ele está com prisão temporária decretada, integra a lista vermelha da Interpol e é considerado foragido. As autoridades oferecem recompensa de R$ 50 mil por informações que levem à sua localização.
O atentado ocorreu na manhã de 27 de junho, na Avenida Goiás, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. O tenente Ronickson estava de folga, vestido à paisana, e havia acabado de deixar uma academia quando foi surpreendido por dois homens em uma motocicleta. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que os criminosos se aproximaram e efetuaram diversos disparos contra o policial.
Após o ataque, o oficial foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e transportado ao Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, pelo helicóptero Águia da Polícia Militar. Desde então, permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Segundo o boletim médico mais recente, divulgado pelo hospital, Ronickson passou por um procedimento de traqueostomia, realizado sem intercorrências. O estado de saúde continua grave, porém estável. O paciente segue recebendo cuidados intensivos, faz uso de medicação de suporte em baixa dosagem, permanece sem febre, apresenta função renal preservada, recebe antibióticos e alimentação por sonda.
O caso também ganhou repercussão porque Ronickson Pimentel é irmão de Eloá Pimentel, adolescente assassinada em 2008 após permanecer mais de 100 horas mantida refém pelo ex-namorado em um dos crimes de maior repercussão da história recente do país. Enquanto o oficial segue hospitalizado, as forças de segurança continuam as investigações para identificar todos os envolvidos e concluir o inquérito sobre o atentado.



