Pastor Márcio Pôncio é preso pela Polícia Federal na 5ª fase da Operação Unha e Carne

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (2) a quinta fase da Operação Unha e Carne, com o cumprimento de mandados de prisão e busca e apreensão no Rio de Janeiro. Entre os alvos está o pastor e empresário Márcio Pôncio, preso preventivamente em um flat na Barra da Tijuca, na zona oeste da capital fluminense. A ação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, também inclui novos mandados contra o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, ambos já detidos por outras razões.
De acordo com informações da investigação, a fase atual busca aprofundar a apuração de indícios de lavagem de dinheiro relacionados a Adilsinho, apontado como uma das principais lideranças da nova cúpula do jogo do bicho no Rio. As autoridades investigam possíveis ramificações do esquema para integrantes dos poderes Executivo e Legislativo estadual. A operação resultou no bloqueio de cerca de R$ 22 milhões em ativos financeiros.
Márcio Pôncio é investigado por supostas conexões com a chamada “Máfia do Cigarro”, uma rede envolvida na distribuição e comercialização ilegal de cigarros no estado. Adilsinho figura como elemento central nesse contexto, com histórico de investigações por contravenção, crimes contra a ordem tributária e organização criminosa. A quinta fase da Unha e Carne tem origem em elementos colhidos em operações anteriores, incluindo a Fumus, deflagrada em 2021, que já mirava o monopólio ilegal do mercado de cigarros na região metropolitana.
A Operação Unha e Carne foi iniciada em dezembro de 2025 e, ao longo de suas fases, tem enfrentado diferentes frentes de investigação no Rio de Janeiro. As etapas anteriores envolveram suspeitas de corrupção na Secretaria de Educação estadual, fraudes em licitações e vazamento de informações sigilosas por parte de agentes públicos. O caso ganhou relevância ao atingir figuras de distintos setores, incluindo políticos, servidores e empresários.
A prisão de Pôncio chamou atenção por seu perfil público. Conhecido nas redes sociais por pregações religiosas e conteúdo motivacional, o pastor também atua no meio empresarial. Sua detenção ocorreu de forma tranquila, segundo relatos de agentes federais, e ele foi encaminhado para os procedimentos de custódia previstos em lei. A defesa do religioso ainda não se manifestou publicamente sobre as acusações.
Especialistas em segurança pública destacam que operações como a Unha e Carne refletem o esforço contínuo das autoridades para desarticular redes que combinam contravenção, evasão fiscal e infiltração em ambientes políticos e econômicos. O contrabando e a falsificação de cigarros representam um mercado paralelo bilionário no Brasil, com impactos diretos na arrecadação de impostos e no financiamento de outras atividades ilícitas.
A investigação segue em sigilo quanto a detalhes mais específicos sobre o papel atribuído a cada alvo, mas os mandados indicam que a Polícia Federal trabalha com evidências de transações financeiras suspeitas e possíveis relações de proteção ou favorecimento. Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, também foi alvo de buscas na mesma ação.
O Ministério Público Federal acompanha o caso, e os investigados poderão se defender ao longo do processo. Até o momento, não há condenações definitivas relacionadas a esta fase. As autoridades enfatizam que a operação visa combater estruturas criminosas de forma integrada, respeitando o devido processo legal.
Casos de grande visibilidade como este reforçam o debate sobre a necessidade de maior transparência e controle sobre fluxos financeiros atípicos, especialmente em setores sensíveis como jogos de azar, comércio ilegal e influência política. A quinta fase da Unha e Carne deve render novas diligências nos próximos meses, conforme o andamento das análises periciais e o cruzamento de dados obtidos nas buscas.
A sociedade fluminense acompanha com atenção o desenrolar das investigações, que expõem as complexas relações entre o mundo ilícito e setores formais da economia e da política. A Polícia Federal informou que continuará atuando para identificar todos os envolvidos, garantindo a aplicação da lei de forma imparcial.



