Triste desfecho: bebê resgatado antes de ser enterrado vivo morre no Hospital da Criança

O caso do recém-nascido Pedro José, que emocionou e chocou o país nos últimos dias, teve um desfecho trágico na madrugada desta segunda-feira (27). O bebê, que havia despertado durante o próprio velório no último sábado (25), morreu na UTI do Hospital da Criança, em Rio Branco, no Acre. Ele tinha apenas dois dias de vida.
A história começou na quinta-feira (23), quando Sabrina Souza, mãe de Pedro José, começou a sentir fortes contrações relacionadas ao trabalho de parto. Ela e o marido, Marcos dos Santos Fernandes, vivem no município de Pauini (AM), uma cidade do interior do Amazonas com recursos hospitalares limitados. Diante da gravidade do quadro e da ausência de assistência obstétrica adequada na região, o casal decidiu viajar de barco e ônibus até a capital acreana, em busca de atendimento emergencial.
Ao chegar à Maternidade Bárbara Heliodora, em Rio Branco, a equipe médica informou que Sabrina já estava em processo de trabalho de parto, com ruptura da bolsa e perda de líquido amniótico. Segundo Marcos, os profissionais orientaram que ela aguardasse a dilatação necessária para o parto normal, sendo possível o uso de medicamentos para acelerar o processo. A família relata que, mesmo em sofrimento, Sabrina permaneceu aguardando atendimento definitivo.
A situação tomou contornos dramáticos quando Sabrina acabou dando à luz no próprio leito, antes da equipe estar preparada para o procedimento. Pouco depois, uma profissional de saúde teria informado à família que o bebê havia nascido sem vida. Pedro José foi enrolado em um pano e encaminhado ao setor de necrotério da unidade. A família, abalada, acreditou na informação e iniciou os trâmites funerários.
Na noite de sexta-feira (24), uma assistente social da maternidade procurou o casal para orientar sobre o sepultamento. Na manhã de sábado (25), uma funerária particular recolheu o corpo e o levou até o local onde ocorreria o velório. Ali, por insistência de uma parente que queria ver o bebê pela última vez, ocorreu o momento que surpreendeu e comoveu a todos: ao abrir o caixão, o recém-nascido chorou e começou a se mexer. A família entrou em desespero ao perceber que Pedro José estava vivo.
Rápida e desesperadamente, os familiares correram com o bebê de volta à maternidade, onde ele recebeu atendimento emergencial. Após avaliação, foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Hospital da Criança, onde permaneceu por dois dias em estado crítico. Apesar dos esforços da equipe médica, Pedro José não resistiu.
A Polícia Militar foi acionada no momento em que o bebê retornou vivo ao hospital, e a ocorrência foi registrada. Agora, o caso é investigado pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança (DEPC). A principal linha de investigação envolve possíveis falhas no atendimento médico, protocolo de constatação de óbito e negligência hospitalar.
A família, devastada, cobra justiça e condições dignas de atendimento para mães e recém-nascidos em regiões com precariedade na saúde pública. O caso reacende o debate sobre estrutura hospitalar na Amazônia e a importância de acompanhamento médico adequado durante o parto.



