Flávio Bolsonaro faz promessa durante sabatina no JN e explica mudança de posição

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, afirmou que não pretende reverter o fim da escala de trabalho 6×1 caso seja eleito. A declaração foi feita nesta sexta-feira (16), durante entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo. Questionado sobre a possibilidade de desfazer a mudança aprovada pelo Congresso Nacional, o parlamentar garantiu que pretende manter os direitos trabalhistas. O posicionamento ocorre em meio ao debate sobre a redução da jornada de trabalho e às diferentes propostas defendidas por integrantes de seu próprio partido.
Durante a sabatina, Flávio foi questionado sobre a articulação de aliados que defendem uma alternativa à nova regra, com remuneração e benefícios calculados proporcionalmente às horas trabalhadas. Ao responder se pretendia reverter o fim da escala 6×1, o candidato foi direto: “Não, não vou. Direitos trabalhistas garantidos”. A declaração chamou atenção porque o senador havia demonstrado resistência à proposta anteriormente e defendido maior liberdade para que trabalhadores e empregadores negociassem os formatos de jornada.
Dois dias antes da entrevista, na quarta-feira (14), Flávio votou a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue o modelo de seis dias de trabalho para um de descanso. Segundo a reportagem do Metrópoles, o texto recebeu 75 votos favoráveis e um contrário no Senado. A emenda constitucional foi promulgada pelo Congresso nesta sexta-feira, estabelecendo mudanças na organização da jornada semanal e garantindo dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial. A medida prevê uma transição gradual para a redução do limite de horas trabalhadas.
Ao explicar sua mudança de posição, Flávio afirmou que decidiu considerar a vontade dos trabalhadores brasileiros. O candidato disse que percorreu diferentes regiões do país e ouviu pessoas favoráveis à alteração. Apesar de declarar apoio à manutenção da medida, ele voltou a defender maior flexibilidade nas relações de trabalho. Segundo o senador, os trabalhadores deveriam ter mais liberdade para negociar e até organizar a própria jornada. Dessa forma, sua manifestação combinou o compromisso de não reverter a mudança com a defesa de alternativas mais flexíveis para os contratos de trabalho.
A discussão, porém, envolve propostas diferentes dentro do próprio Partido Liberal. O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que pretende trabalhar pela aprovação de uma proposta de remuneração por hora em 2027, caso Flávio vença a eleição presidencial. A iniciativa foi apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do candidato. Pelo modelo defendido, o trabalhador poderia optar por uma contratação remunerada por hora, com direitos como férias e 13º salário calculados proporcionalmente ao período trabalhado. A proposta ainda dependeria de tramitação e aprovação para entrar em vigor.
Já a emenda constitucional promulgada estabelece dois dias de descanso semanal remunerado, sem redução salarial. O cronograma prevê que, após 60 dias, o limite da jornada passe a ser de 42 horas semanais. Depois de mais 12 meses, o teto deverá chegar a 40 horas por semana. Durante a sabatina, Flávio também abordou outros temas, afirmando que pretende recuperar o poder de compra dos trabalhadores e combater a insegurança pública. Sua declaração sobre a escala 6×1 ocorre, portanto, em um cenário de discussão sobre direitos trabalhistas, propostas alternativas e compromissos assumidos durante a campanha presidencial.



