Durante entrevista no JN, Flávio Bolsonaro evita críticas a ministro e mira Alexandre de Moraes

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) direcionou críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, na sexta-feira (16). Ao ser questionado sobre possíveis relações entre o ministro Kassio Nunes Marques e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o senador evitou fazer acusações diretas contra o magistrado indicado por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em vez disso, afirmou que todos devem estar submetidos à lei e aproveitou a entrevista para questionar a atuação de Moraes no Supremo.
Questionado sobre a necessidade de investigar Nunes Marques, Flávio respondeu que “todo mundo tem que estar abaixo da lei”. O candidato não aprofundou as críticas ao ministro durante esse trecho da sabatina. Em seguida, passou a falar sobre Alexandre de Moraes, a quem acusou de agir de maneira político-partidária, tomar decisões em situações nas quais, segundo sua avaliação, deveria se declarar suspeito, e perseguir adversários. Flávio também afirmou que o ministro teria se transformado em um articulador político ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Durante a entrevista, o senador defendeu que ministros do Supremo Tribunal Federal que cometam crimes de responsabilidade sejam submetidos a processos de impeachment. Segundo ele, qualquer integrante da Corte que descumpra a lei deve ser responsabilizado. As declarações ocorreram em meio a questionamentos sobre informações relacionadas a Nunes Marques que apareceram em mensagens apreendidas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro. Os registros fazem parte de apurações sobre relações e movimentações financeiras envolvendo pessoas ligadas ao ex-banqueiro.
Entre os conteúdos citados na reportagem do UOL estão mensagens relacionadas a uma festa realizada no triplex de Vorcaro, em São Paulo, em 28 de fevereiro de 2025. De acordo com o material descrito, um funcionário teria relatado a presença de um ministro acompanhado de mulheres durante o evento. Em conversas posteriores, uma mulher responsável por levar convidadas à festa teria cobrado R$ 10 mil e mencionado que uma delas havia ficado com “Kassio”. As mensagens levantam questionamentos sobre possíveis relações, mas, isoladamente, não estabelecem a ocorrência de irregularidades por parte do ministro.
A reportagem também menciona conversas nas quais Luiz Rennó, diretor do Banco Master, teria citado pagamentos mensais de R$ 500 mil ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho de Nunes Marques. Além disso, uma empresa de consultoria ligada a Kevin, a Consult Inteligência Tributária, sediada em Teresina, teria recebido aproximadamente R$ 6,6 milhões do Banco Master entre agosto de 2024 e julho de 2025. Segundo o texto, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) considerou as movimentações incompatíveis com a capacidade financeira declarada pela empresa, que informou faturamento de R$ 25,5 mil. Kevin, por sua vez, afirmou que não prestou serviços ao Banco Master e que não recebeu dinheiro de Vorcaro.
Outro ponto citado envolve um contrato de advocacia de R$ 427 milhões atribuído ao Banco Master e ao escritório da advogada Camilla Ramos. Ela e o marido, o juiz federal Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), foram apontados em reportagens como integrantes de um grupo chamado “Turma do KN”. Segundo a Polícia Federal, a sigla KN seria uma referência a Kassio Nunes Marques. A existência dessas referências e transações integra o contexto das apurações mencionadas, mas não deve ser tratada, por si só, como comprovação de crime.
Ao longo da sabatina, Flávio adotou uma postura mais crítica em relação a Alexandre de Moraes, enquanto respondeu de maneira mais breve às perguntas sobre Nunes Marques. A entrevista colocou em evidência as diferenças entre suas declarações políticas e os questionamentos sobre as relações citadas nas investigações envolvendo Vorcaro. As suspeitas e informações financeiras mencionadas continuam dependendo de análise pelas autoridades competentes, e as respostas dos envolvidos devem ser consideradas no acompanhamento do caso. O episódio também reforçou o debate sobre a atuação do STF e a responsabilização de seus integrantes, temas que ganharam espaço na campanha presidencial.



