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Pesquisa Veritá mostra Flávio com 51,56% e Lula com 48,44% em cenário de 2º turno

O Instituto Veritá divulgou um levantamento nacional no qual Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 51,56% dos votos válidos e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 48,44% em uma simulação direta de segundo turno para a Presidência da República. A diferença registrada entre os dois nomes é de 3,12 pontos percentuais. O estudo reuniu 40.500 entrevistas realizadas nas 27 unidades da Federação e foi divulgado pelo instituto depois da conclusão do primeiro turno. 

Há, entretanto, uma informação metodológica especialmente importante para interpretar corretamente esses números: as entrevistas foram realizadas entre 26 de setembro e 2 de outubro, antes do primeiro turno ocorrido em 4 de outubro. Portanto, embora o levantamento tenha sido divulgado posteriormente e apresente uma simulação Lula x Flávio, ele não mede uma eventual mudança de opinião provocada pelo resultado das urnas nem acontecimentos ocorridos já durante a campanha oficial do segundo turno. 

A pesquisa considera somente os votos válidos na comparação divulgada. Nesse cálculo, votos em branco, nulos e eleitores que não indicaram nenhum dos candidatos são retirados da base utilizada para formar os percentuais finais. Esse também é o critério empregado pela Justiça Eleitoral para determinar o vencedor de uma eleição presidencial. Na simulação do Veritá, portanto, a soma entre Flávio e Lula chega a 100%.

A pesquisa foi construída a partir da soma de levantamentos realizados em todos os estados e no Distrito Federal. O próprio Instituto Veritá disponibiliza em seu portal eleitoral os estudos feitos em São Paulo, Bahia, Tocantins, Sergipe, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais e demais unidades da Federação, com campos realizados principalmente entre o fim de setembro e 2 de outubro. 

O conjunto reúne 40.500 entrevistas, com nível de confiança informado de 95%. As margens de erro variam entre aproximadamente dois e 3,5 pontos percentuais dependendo do levantamento estadual. O material foi registrado na Justiça Eleitoral por meio de diferentes protocolos correspondentes aos estados pesquisados. 

O Jornal da Cidade Online e outros veículos destacaram que a diferença apresentada pelo levantamento é superior à distância observada entre Flávio e Lula no resultado efetivo do primeiro turno. Nas urnas, Flávio recebeu 56.104.268 votos, correspondentes a 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 53.876.617 votos, equivalentes a 45,16%. A diferença oficial ficou em 1,87 ponto percentual. Como nenhum candidato ultrapassou 50% dos votos válidos, os dois avançaram para a votação de 25 de outubro. 

Ao colocar lado a lado os 47,03% e 45,16% registrados oficialmente no primeiro turno com a simulação de 51,56% e 48,44% do Veritá, é possível observar uma diferença numérica maior na disputa restrita aos dois candidatos. Mas existe uma ressalva essencial: isso não significa que a pesquisa tenha detectado um crescimento de Flávio após o primeiro turno, porque o campo terminou dois dias antes da votação de 4 de outubro. O próprio material associado ao levantamento trata essa comparação como descritiva, e não como demonstração de migração individual de votos. 

Essa diferença temporal é importante porque, depois do primeiro turno, o cenário eleitoral mudou. Os demais candidatos deixaram a disputa, começaram declarações de apoio, as campanhas reorganizaram suas estratégias e teve início uma nova etapa de propaganda eleitoral. Eleitores que escolheram outras candidaturas também passaram a decidir entre Flávio, Lula, voto branco, nulo ou eventual ausência. A pesquisa Veritá divulgada nesta semana não captura esses movimentos posteriores.

Ainda assim, o levantamento oferece um retrato relevante das preferências declaradas pelos entrevistados imediatamente antes do primeiro turno quando eram colocados diante de uma disputa direta entre os dois finalistas. Em outras palavras, ele permite observar como aquele grande grupo de entrevistados afirmava que votaria numa eventual segunda rodada antes de saber definitivamente quem avançaria.

O Veritá também chamou atenção durante a reta final do primeiro turno. Uma pesquisa anterior do instituto havia registrado Flávio com 45,14% e Lula com 44,65% dos votos válidos, uma diferença pequena entre os dois. O resultado oficial posteriormente divulgado pelo TSE confirmou Flávio numericamente à frente, embora os percentuais efetivos tenham sido diferentes dos números da pesquisa. 

Também circularam nas redes sociais informações falsas atribuindo ao Veritá uma suposta pesquisa de boca de urna que apontaria vitória presidencial ainda no primeiro turno. A Agência Lupa verificou que aquele material era falso e informou que não havia levantamento de boca de urna do instituto com aqueles percentuais. Esse episódio reforça a necessidade de distinguir os estudos efetivamente registrados e divulgados pelo instituto de imagens e números compartilhados sem comprovação nas redes. 

Desde o primeiro turno, outros institutos começaram a realizar pesquisas já dentro da nova etapa eleitoral. Isso permite uma diferença metodológica importante: levantamentos como Datafolha, PoderData, AtlasIntel e Ipespe tiveram entrevistas realizadas total ou parcialmente depois de conhecidos oficialmente os dois candidatos classificados. Esses estudos, portanto, medem outro momento da disputa e não devem ser combinados automaticamente com o levantamento Veritá como se todos tivessem sido realizados nas mesmas condições.

Também não é apropriado transformar o percentual de 51,56% em uma previsão de resultado. Pesquisas eleitorais representam estimativas baseadas nas respostas dos entrevistados durante uma janela específica de coleta. Até a votação do segundo turno, marcada oficialmente para 25 de outubro, novas pesquisas poderão registrar percentuais diferentes. 

O calendário eleitoral ainda inclui propaganda no rádio e na televisão, eventos de campanha, entrevistas e novas movimentações políticas. Como a pesquisa Veritá teve o campo concluído antes mesmo do primeiro turno, todos esses acontecimentos posteriores ficaram fora de sua medição.

A expressão de que Flávio teria “ampliado a vantagem”, utilizada na manchete do Pleno.News, precisa ser entendida nesse contexto. Existe uma ampliação numérica quando se compara a diferença oficial do primeiro turno, de aproximadamente 1,87 ponto, com os 3,12 pontos da simulação Veritá. Porém, os dois números vêm de fontes e momentos diferentes: um é o resultado real das urnas de 4 de outubro; o outro é uma pesquisa realizada antes daquela votação.

Assim, o principal dado divulgado pelo Instituto Veritá é objetivo: na simulação de segundo turno feita com 40.500 entrevistados antes da primeira votação, Flávio Bolsonaro registra 51,56% dos votos válidos e Lula, 48,44%. 

O levantamento acrescenta mais uma informação ao cenário eleitoral, mas não mede ainda o comportamento do eleitor depois de conhecer oficialmente o resultado de 4 de outubro. Para acompanhar eventuais mudanças ocorridas já durante o segundo turno, será necessário observar pesquisas cujo trabalho de campo tenha sido realizado depois da primeira votação e comparar cada estudo respeitando sua metodologia, período de coleta e margem de erro.

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