Trump toma nova decisão sobre Lisa Cook e anuncia medida envolvendo o Fed

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (9) a criação de uma comissão para investigar Lisa Cook, integrante do Conselho de Governadores do Federal Reserve (Fed), o banco central americano. A iniciativa prevê uma audiência na Casa Branca em 5 de novembro para examinar acusações de possíveis irregularidades em contratos de financiamento imobiliário. Segundo informações divulgadas pela Casa Branca, a comissão deverá analisar as alegações envolvendo a diretora, que nega qualquer irregularidade. Até o momento, Lisa Cook não foi formalmente acusada nem condenada por fraude, e o procedimento anunciado ocorre em meio à disputa sobre sua permanência no cargo.
A criação da comissão foi formalizada em um memorando assinado por Trump e datado de quarta-feira, divulgado pela Casa Branca. No documento, o presidente afirmou que considera sua responsabilidade garantir o cumprimento das leis e avaliar a conduta de integrantes do governo. O comunicado oficial informa que a comissão examinará alegações de que Cook teria apresentado declarações falsas relacionadas a um ou mais contratos de financiamento imobiliário. A audiência prevista para novembro deverá permitir a análise das informações reunidas e das respostas da diretora às acusações. O procedimento será fechado ao público, conforme estabelecido no memorando presidencial.
O anúncio representa mais uma etapa da tentativa de Trump de afastar Lisa Cook do Conselho de Governadores do Fed. Em agosto de 2025, o presidente declarou que havia demitido a diretora após acusações apresentadas por Bill Pulte, responsável pela Agência Federal de Financiamento Habitacional. Segundo a alegação, Cook teria fornecido informações incorretas em pedidos de empréstimo para obter condições mais favoráveis. Ela contestou a acusação e entrou com uma ação judicial para impedir seu afastamento, argumentando que as alegações não constituíam justificativa suficiente para sua demissão conforme a Lei do Federal Reserve. Desde então, o caso passou a envolver uma disputa jurídica sobre os limites da autoridade presidencial em relação ao banco central.
A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu anteriormente, por cinco votos a quatro, a favor da permanência de Cook no cargo. Os ministros consideraram que ela não havia recebido aviso suficiente nem oportunidade adequada de se defender antes da tentativa de afastamento anunciada por Trump. A decisão, no entanto, não detalhou todas as etapas que a Casa Branca deveria seguir para examinar as acusações. O presidente da Suprema Corte, John Roberts, observou que o procedimento não precisaria necessariamente incluir uma audiência com o próprio presidente ou um julgamento judicial completo. A decisão deixou espaço para a criação de um processo administrativo que permitisse avaliar as alegações e oferecesse à diretora a possibilidade de apresentar sua defesa.
Os advogados de Lisa Cook questionaram a legitimidade do procedimento anunciado. Em comunicado, Abbe Lowell e Norm Eisen afirmaram ter dúvidas sobre a conformidade legal da audiência e disseram que a cliente recebe a oportunidade de esclarecer os fatos. Os representantes jurídicos também informaram que entraram em contato com a Casa Branca para avaliar se o processo teria condições de ser conduzido de maneira imparcial. Cook nega as acusações e sustenta que a tentativa de afastá-la tem como objetivo abrir espaço para mudanças na composição do banco central. Um porta-voz do Federal Reserve, por sua vez, recusou-se a comentar o anúncio da comissão.
A comissão anunciada por Trump será composta por Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional, além do presidente da Comissão para a Igualdade de Oportunidades no Emprego e do diretor do Escritório de Ética Governamental. A audiência está marcada para 5 de novembro, quando Cook poderá apresentar uma manifestação por escrito e comparecer acompanhada de seu advogado. O caso tem relevância institucional porque, segundo o relato publicado, nenhum presidente americano havia tentado anteriormente demitir um integrante do Conselho de Governadores do Fed. O desfecho poderá influenciar os próximos passos da disputa sobre a permanência de Cook e manter em evidência o debate sobre a autonomia do banco central e os limites do poder presidencial.



