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Novo oficializa apoio a Flávio Bolsonaro no 2º turno e amplia bloco de alianças contra Lula

O Partido Novo oficializou nesta quarta-feira, 7 de outubro, apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial de 2026. A decisão foi anunciada em Brasília pelo presidente nacional da legenda, Eduardo Ribeiro, após uma reunião com Flávio e integrantes das bancadas federal e do Senado eleitas pelo partido. Com a definição, o Novo passa formalmente a integrar o grupo de forças políticas que apoiará o candidato do PL na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcada para 25 de outubro. O Jornal da Cidade Online havia antecipado a movimentação ao informar que o partido havia “fechado” apoio ao senador. 

O anúncio ocorreu no quartel-general da campanha de Flávio em Brasília. Eduardo Ribeiro declarou que a legenda decidiu entrar oficialmente na campanha do segundo turno com o objetivo de derrotar o PT e defender as pautas políticas e econômicas que considera prioritárias. Em sua manifestação, o dirigente disse que estava acompanhado da bancada federal e dos senadores eleitos do Novo. Ribeiro afirmou que o partido pretende trabalhar para que o Brasil volte, em suas palavras, aos “trilhos do desenvolvimento”. Trata-se da posição oficial da legenda e, portanto, de uma avaliação política feita por seus dirigentes, não de uma conclusão independente sobre o desempenho de qualquer governo. 

A formalização já era esperada depois que Romeu Zema, candidato presidencial do Novo no primeiro turno, declarou apoio pessoal a Flávio Bolsonaro na segunda-feira, 5. Durante a campanha inicial, Zema havia buscado apresentar sua própria candidatura como alternativa tanto ao PT quanto ao bolsonarismo e chegou a fazer críticas ao senador do PL. Encerrada a primeira etapa, entretanto, mudou a estratégia e afirmou que não ficaria neutro diante da disputa entre Flávio e Lula. Sua manifestação antecipou a posição que seria adotada oficialmente pelo partido dois dias depois. 

A adesão do Novo não ocorre isoladamente. Na terça-feira, a Federação União Progressistas, formada por União Brasil e Progressistas, também formalizou apoio a Flávio Bolsonaro para o segundo turno. A decisão foi tomada após reuniões entre as direções e bancadas das duas legendas. Apesar do posicionamento nacional, existem diferenças regionais dentro desses partidos, e determinados diretórios e lideranças permanecem livres para adotar posições próprias. Mesmo assim, o apoio institucional da federação representa um reforço importante para as articulações políticas do candidato do PL, especialmente porque União Brasil e PP possuem bancadas numerosas no Congresso que assumirá em 2027. 

Outro nome que se aproximou da candidatura de Flávio após o primeiro turno foi Ronaldo Caiado, que concorreu à Presidência pelo PSD. O ex-governador de Goiás anunciou apoio ao candidato do PL na terça-feira. Nesse caso, porém, a decisão foi pessoal, pois a direção nacional do PSD optou pela neutralidade e liberou suas lideranças estaduais para escolherem individualmente quem apoiar. A movimentação demonstra uma característica importante do segundo turno: apoio de um ex-candidato não significa necessariamente adesão de toda a estrutura partidária à qual ele pertence. 

Flávio também busca ampliar seu arco de alianças junto ao Republicanos, partido que abriga o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas. As negociações avançaram ao longo desta semana, com Tarcísio participando das conversas entre a campanha e o presidente nacional da legenda, Marcos Pereira. O Republicanos possui correntes internas com posições diferentes: uma ala mantém proximidade com o bolsonarismo, enquanto outras lideranças construíram relações com o governo Lula. Por isso, a definição partidária exige negociação entre os diversos grupos. O Podemos também aparece entre as legendas com tendência de formalizar apoio a Flávio. 

Para o Novo, a decisão também está relacionada à nova composição do Congresso. Eduardo Ribeiro citou o desempenho de candidatos identificados com a direita nas eleições legislativas e afirmou que o partido pretende atuar em pautas envolvendo economia, tamanho do Estado e relações entre Congresso e Supremo Tribunal Federal. Parlamentares eleitos pela legenda, entre eles Marcel van Hattem, Deltan Dallagnol e Lahesio Bonfim, participaram do encontro de apoio a Flávio. Parte dessas lideranças defendeu durante a campanha uma postura mais rigorosa do Senado em relação à fiscalização de ministros do STF. Essas posições serão submetidas às regras constitucionais e ao processo legislativo a partir da nova legislatura. 

Do ponto de vista eleitoral, uma declaração formal de apoio partidário no segundo turno possui efeito diferente daquele registrado na primeira etapa. No primeiro turno, o tamanho das alianças partidárias influencia aspectos como a formação de chapas e determinadas regras da propaganda. Já no segundo, o tempo de propaganda eleitoral gratuita é dividido igualmente entre os dois candidatos. Por isso, o peso principal dessas alianças passa a estar na capacidade de mobilizar prefeitos, governadores, parlamentares, militantes e estruturas regionais, além da sinalização política oferecida aos eleitores que votaram em candidatos eliminados. 

O movimento também revela como alianças podem ser reorganizadas rapidamente após a primeira votação. Durante meses, Zema e outras lideranças do Novo defenderam uma candidatura independente. Com a definição do confronto entre Lula e Flávio, porém, a legenda concluiu que suas prioridades programáticas estavam mais próximas da candidatura do PL. O apoio não elimina divergências anteriores entre os dois grupos, mas cria uma convergência eleitoral para esta etapa específica. Flávio, ao receber a adesão, classificou o entendimento como programático e destacou que Zema havia sido uma das primeiras lideranças derrotadas no primeiro turno a declarar seu voto. 

Enquanto Flávio avança nas negociações com partidos e candidatos que ficaram fora da segunda etapa, a campanha de Lula também trabalha para ampliar sua própria coalizão e consolidar apoios regionais. Algumas legendas, como o MDB, permanecem divididas internamente. Levantamento da Folha mostrou que a maioria dos diretórios estaduais da sigla defendia apoio a Flávio, enquanto a direção nacional ainda analisava qual posicionamento adotar. A existência dessas divergências mostra que o quadro partidário do segundo turno ainda está em formação e poderá sofrer novas alterações ao longo dos próximos dias. 

Assim, a principal novidade desta quarta-feira é a transformação de uma aproximação que já vinha sendo indicada nos bastidores em uma aliança partidária formal. Depois da manifestação individual de Romeu Zema, o Novo decidiu oficialmente apoiar Flávio Bolsonaro e mobilizar suas lideranças em favor da candidatura do PL. O partido se junta à Federação União Progressistas e a outras lideranças que anunciaram posição semelhante depois do primeiro turno. 

A adesão, contudo, não permite antecipar o resultado da eleição. Apoios partidários podem fornecer estruturas políticas, ampliar palanques e facilitar a mobilização, mas a decisão final continuará sendo dos eleitores no segundo turno. Até a votação de 25 de outubro, as duas campanhas deverão intensificar a busca por alianças e, sobretudo, pelos cidadãos que escolheram outras candidaturas no primeiro turno ou que não compareceram às urnas. O anúncio do Novo é, portanto, mais uma peça importante da reorganização política que caracteriza essa etapa da eleição presidencial de 2026. 

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