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Após duras ofensas, Ronaldo Caiado volta atrás e oficializa apoio a Flávio Bolsonaro

Ronaldo Caiado (PSD), que disputou a Presidência da República no primeiro turno das eleições de 2026, declarou nesta terça-feira (6) apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. A decisão chama atenção porque ocorre poucas semanas depois de o ex-governador de Goiás ter feito críticas públicas ao senador durante a campanha eleitoral. O anúncio foi formalizado em um ato realizado em Goiânia, com a presença de aliados e lideranças políticas. 

A mudança de posição ocorre após Caiado terminar o primeiro turno em quinto lugar na disputa presidencial. O candidato do PSD recebeu 2,18% dos votos válidos e não avançou para a segunda etapa da eleição. Com a definição do segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, os candidatos que ficaram pelo caminho passaram a ser procurados pelos dois grupos em busca de manifestações de apoio ou de posições de neutralidade. 

Durante a campanha, Caiado chegou a adotar uma postura crítica em relação a Flávio. Segundo reportagem de Lauro Jardim, de O Globo, o então candidato havia utilizado uma expressão bastante dura ao se referir ao senador. O episódio passou a ser lembrado após o anúncio desta terça-feira justamente por causa da diferença entre o tom utilizado anteriormente e a decisão de apoiar Flávio no segundo turno. A informação sobre a declaração anterior é atribuída à reportagem do colunista.

A aproximação entre os dois ocorre agora em um cenário diferente daquele do primeiro turno. Com Caiado fora da disputa, o ex-governador precisava definir sua posição diante da nova configuração eleitoral. O PSD, partido ao qual ele pertence, decidiu não adotar uma candidatura oficial para a segunda etapa e liberou seus filiados para escolherem entre os dois concorrentes. Assim, o apoio anunciado por Caiado representa uma manifestação pessoal do político, e não uma decisão nacional do partido. 

O anúncio em Goiânia também teve a presença de Daniel Vilela (MDB), governador reeleito de Goiás, além de prefeitos e outras lideranças políticas. A participação de representantes do grupo político goiano deu ao encontro uma dimensão regional, enquanto a presença de Flávio Bolsonaro reforçou o caráter público da adesão. O evento havia sido anunciado previamente e estava marcado para a tarde desta terça-feira. 

A trajetória de Caiado na eleição presidencial teve forte concentração de votos em Goiás. No estado, onde governou até março deste ano, ele alcançou 12,33% dos votos, o equivalente a aproximadamente 472 mil eleitores. Apesar disso, sua votação nacional ficou em 2,18%, resultado que o deixou distante da segunda etapa da disputa. A campanha havia buscado ampliar sua presença nacional, especialmente entre eleitores que não se identificavam com os dois candidatos que avançaram. 

A decisão de Caiado também acontece enquanto outros ex-candidatos adotam caminhos diferentes para o segundo turno. Romeu Zema (Novo), por exemplo, declarou oposição ao PT, mas não anunciou nominalmente apoio a Flávio Bolsonaro. Augusto Cury (Avante) afirmou que não apoiará nenhum dos dois candidatos e defendeu que o vencedor considere propostas apresentadas durante o primeiro turno. O PSD, por sua vez, manteve a orientação de liberar seus integrantes para tomar suas próprias decisões. 

A postura de Caiado ganha ainda mais atenção porque sua campanha presidencial foi marcada por uma trajetória de posicionamentos diferentes em relação a Flávio. Em determinado momento, o candidato passou a direcionar críticas mais diretas ao senador, numa tentativa de ocupar espaço entre eleitores de direita que buscavam uma alternativa. Após o resultado das urnas, porém, o cenário eleitoral mudou e os dois passaram a estar do mesmo lado na disputa pelo segundo turno. 

O apoio anunciado nesta terça-feira não significa que todos os integrantes do PSD seguirão a mesma posição. A direção nacional da legenda informou que os filiados estão livres para apoiar qualquer um dos candidatos que disputam a Presidência. Dessa forma, a manifestação de Caiado deve ser entendida como uma decisão individual dentro de uma legenda que optou por não formalizar apoio nacional a uma das candidaturas. 

A declaração também recoloca em evidência os movimentos dos candidatos derrotados no primeiro turno. Enquanto alguns decidiram apoiar um dos nomes que permanecem na disputa, outros escolheram manter neutralidade. Com a campanha entrando na reta final, os posicionamentos de lideranças que participaram da primeira etapa passam a integrar o cenário político do segundo turno, mas não determinam, por si só, a decisão dos eleitores.

Agora, o apoio de Ronaldo Caiado a Flávio Bolsonaro passa a fazer parte da movimentação política que antecede a votação decisiva. A adesão ocorre três semanas depois das críticas feitas durante a campanha e representa uma mudança pública de posicionamento do ex-governador em relação ao candidato do PL. A eleição, no entanto, seguirá para o segundo turno, e a definição do resultado dependerá da votação marcada para 25 de outubro. 

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