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200 mil eleitores digitaram 13 para governador do Rio e tiveram o voto anulado

Mais de 204 mil eleitores do Rio de Janeiro digitaram o número 13 na urna eletrônica durante a votação para governador no primeiro turno das eleições de 2026. Como nenhum candidato ao Palácio Guanabara concorria com essa numeração, os registros foram considerados votos nulos.

O dado chamou atenção após a divulgação dos Registros Digitais de Voto (RDVs) das urnas utilizadas no estado. O levantamento mostra que o 13 foi o segundo número mais registrado entre as escolhas que acabaram anuladas para o cargo de governador.

O primeiro lugar ficou com o número 00, digitado por aproximadamente 344 mil eleitores. Já o 13 apareceu em mais de 204 mil registros, representando cerca de 30% de todos os votos nulos contabilizados para a disputa estadual. Por que o número 13 anulou o voto?

A explicação está na configuração da eleição deste ano. O número 13 é tradicionalmente associado ao Partido dos Trabalhadores (PT) e também foi utilizado pela candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial. No entanto, o PT não lançou candidato próprio ao governo do Rio de Janeiro em 2026. A legenda declarou apoio a Eduardo Paes, do PSD, que concorreu ao Palácio Guanabara utilizando o número 55.

Assim, um eleitor que digitasse 13 na etapa destinada ao governo estadual não encontraria um candidato correspondente. O sistema registrava a escolha, mas o voto não era contabilizado como válido para nenhum concorrente.

A situação ajuda a explicar por que um número tradicionalmente conhecido pelos eleitores apareceu em quantidade tão elevada entre os votos anulados. O levantamento veio à tona em um momento de grande atenção sobre a disputa pelo governo fluminense.

No primeiro turno, Douglas Ruas (PL) terminou na primeira colocação, com 49,27% dos votos válidos. Eduardo Paes (PSD) ficou em segundo, com 42,76%. Anthony Garotinho (Republicanos), por sua vez, recebeu aproximadamente 274 mil votos, mas sua situação eleitoral ainda depende de definição da Justiça Eleitoral.

A candidatura de Garotinho havia sido indeferida pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ). O tribunal apontou questões relacionadas às condições de elegibilidade e à legislação eleitoral. A decisão ainda passou a ser discutida no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O cenário é importante porque uma eventual retirada dos votos de Garotinho da totalização poderia alterar o resultado da disputa. Nesse caso, Douglas Ruas poderia ultrapassar a marca de 50% dos votos válidos e, dependendo da decisão definitiva, ser declarado vencedor ainda no primeiro turno.

Os votos com 13 poderiam mudar o resultado? Matematicamente, os mais de 204 mil registros chamam atenção. Se parte desses eleitores tivesse escolhido Eduardo Paes, a quantidade poderia ter influência no resultado final da disputa.

Mas existe uma diferença importante entre fazer uma simulação e afirmar a intenção do eleitor. Os Registros Digitais de Voto mostram apenas o número digitado na urna. Eles não revelam o motivo pelo qual cada pessoa escolheu determinada combinação.

Um eleitor pode ter digitado 13 por engano. Outro pode ter associado automaticamente o número ao PT. Também existe a possibilidade de alguém ter escolhido o número de maneira consciente justamente para não votar em nenhum dos candidatos apresentados. Por isso, não é correto afirmar que os mais de 204 mil votos anulados seriam, necessariamente, votos de Eduardo Paes.

A divulgação dos dados rapidamente ganhou espaço nas discussões sobre o resultado das eleições de 2026. O assunto passou a ser observado especialmente porque a diferença entre os candidatos e a situação dos votos de Garotinho deixaram a definição do resultado estadual sob os holofotes. Ainda assim, qualquer interpretação sobre a intenção desses eleitores precisa ser feita com cautela.

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