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Otoni de Paula fica fora da Câmara após mudança de posição política e apoio a Lula

O deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) não conseguiu renovar seu mandato na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026. O parlamentar, que buscava permanecer em Brasília por mais quatro anos, recebeu 19.364 votos no Rio de Janeiro e ficou fora do grupo de candidatos eleitos. O resultado chama atenção também pelo contexto político de sua campanha: poucos dias antes da votação, Otoni tornou público seu apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), uma mudança significativa em relação à trajetória que havia construído nos últimos anos. A apuração disponível coloca Otoni entre os candidatos não eleitos para deputado federal pelo estado, confirmando a perda da cadeira que ocupa atualmente. 

A mudança de posicionamento ganhou repercussão porque Otoni havia sido identificado durante anos com o campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Em momentos anteriores de sua carreira, o deputado protagonizou críticas duras a Lula e chegou a empregar linguagem agressiva contra o petista. Posteriormente, passou a afirmar publicamente que se arrependia da maneira como havia se referido ao presidente. Já durante a campanha de 2026, a aproximação deixou de ser apenas uma mudança de tom e se transformou em apoio eleitoral declarado. Segundo reportagem publicada pelo Metrópoles em 3 de outubro, Otoni anunciou que votaria em Lula ainda no primeiro turno e apresentou sua decisão como uma escolha política destinada também a fazer oposição à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). 

A votação deste domingo representou uma redução expressiva em comparação com o desempenho de Otoni na eleição anterior. Em 2022, ele havia conquistado 158.507 votos para deputado federal pelo Rio de Janeiro e foi eleito, enquanto em 2026 terminou com pouco mais de 19 mil votos. Dados históricos sobre sua trajetória eleitoral também mostram que o parlamentar foi eleito deputado federal em 2018 e 2022, além de ter exercido mandato de vereador do Rio de Janeiro antes de chegar à Câmara. O próprio portal da Câmara registra Otoni como deputado titular na legislatura de 2023 a 2027, pelo PSD do Rio. A diferença entre os dois pleitos é, portanto, significativa, embora não seja possível atribuir sua derrota exclusivamente à declaração de apoio a Lula: eleições proporcionais são influenciadas por vários fatores, como desempenho individual, força do partido ou federação, distribuição dos votos entre candidatos, campanha local e quocientes eleitorais. 

Ao anunciar a nova posição política, Otoni argumentou que havia revisto sua avaliação sobre Lula. Em vídeo divulgado nas redes sociais, afirmou que havia feito uma oposição intensa ao petista e que sua percepção teria mudado ao longo do tempo. O deputado também reconheceu que a decisão poderia produzir consequências políticas. A declaração repercutiu especialmente por Otoni manter atuação próxima do eleitorado evangélico, segmento que tradicionalmente teve presença relevante em sua trajetória eleitoral. Em outra manifestação pública, ele agradeceu a escolha de Benedita da Silva (PT-RJ) para disputar uma das vagas do Rio de Janeiro ao Senado. Benedita, que também tem forte ligação com o eleitorado evangélico, não conseguiu se eleger. Segundo os resultados publicados após a apuração, as duas vagas fluminenses ao Senado ficaram com Carlos Portinho e Carlos Jordy, ambos do PL. 

O resultado de Otoni ocorre em uma eleição marcada por rearranjos importantes no cenário político do Rio de Janeiro e do Congresso Nacional. A disputa fluminense teve forte presença de candidatos vinculados ao bolsonarismo, enquanto outras candidaturas buscaram ampliar alianças em diferentes segmentos do eleitorado. No plano nacional, o PL saiu das urnas com uma bancada ampliada no Senado e se consolidou como uma das principais forças do Congresso que assumirá em 2027. Ao mesmo tempo, Lula e Flávio Bolsonaro avançaram para o segundo turno da disputa presidencial, mantendo a polarização nacional como elemento central do debate político após o primeiro turno. Esses resultados ajudam a contextualizar a dificuldade enfrentada por candidatos que fizeram mudanças de posicionamento durante a campanha, mas não permitem concluir, isoladamente, que uma determinada declaração de apoio tenha sido responsável pelo desempenho obtido nas urnas. 

Com a derrota, Otoni de Paula caminha para encerrar no início de 2027 um período de dois mandatos consecutivos como deputado federal. Sua trajetória recente deverá permanecer como um dos casos observados no processo de reorganização das forças políticas após as eleições de 2026, especialmente pela transição de uma posição anteriormente próxima ao bolsonarismo para o apoio público a Lula. O episódio também evidencia como mudanças de aliança podem ganhar grande repercussão durante uma campanha eleitoral sem que, por si só, sejam suficientes para explicar o comportamento dos eleitores. O dado objetivo das urnas é que Otoni passou de mais de 158 mil votos em 2022 para 19.364 em 2026 e não garantiu uma nova cadeira na Câmara. A partir de agora, sua movimentação política e a eventual continuidade de sua atuação partidária deverão ocorrer em um ambiente nacional já voltado para o segundo turno presidencial e para a formação da nova composição do Congresso. 

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