Flávio Bolsonaro recebe recado direto de Netanyahu após avançar ao 2º turno

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, parabenizou nesta segunda-feira (5) o senador Flávio Bolsonaro (PL) pelo resultado obtido no primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras. Em uma publicação nas redes sociais, o líder israelense desejou sorte ao candidato na segunda etapa da disputa e afirmou esperar uma retomada da relação que classificou como uma “extraordinária amizade” entre Israel e Brasil.
A mensagem foi publicada um dia após a votação que definiu Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como os dois candidatos que avançaram para o segundo turno. De acordo com os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio terminou a primeira etapa com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%. A segunda votação está marcada para 25 de outubro.
Na publicação, Netanyahu se dirigiu diretamente a Flávio e desejou sucesso na próxima etapa da eleição. O primeiro-ministro israelense também utilizou a expressão “meu amigo” ao finalizar a mensagem e afirmou esperar que os dois países possam restabelecer uma relação de proximidade. A manifestação ganhou destaque internacional por envolver um chefe de governo estrangeiro em meio à disputa presidencial brasileira.
A declaração ocorre em um momento em que as relações entre Brasil e Israel voltaram a aparecer no debate político nacional. A aproximação entre o governo israelense e a família Bolsonaro ganhou força durante o governo de Jair Bolsonaro, especialmente a partir de 2018. Naquele período, Netanyahu esteve no Brasil para participar da posse presidencial, em um gesto que marcou a aproximação entre os dois governos.
A relação também se estendeu aos filhos do ex-presidente. Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro mantiveram contatos com autoridades israelenses ao longo dos últimos anos, enquanto temas relacionados à política externa passaram a ocupar espaço nas manifestações públicas do grupo político. O vínculo com Israel também foi utilizado como parte do discurso de aproximação internacional defendido por integrantes da família Bolsonaro.
Durante a campanha eleitoral de 2026, Flávio Bolsonaro apresentou posições favoráveis a uma relação mais próxima entre Brasil e Israel. Entre as propostas mencionadas pelo candidato esteve a possibilidade de transferir a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, caso chegasse à Presidência. A medida representaria uma mudança na política diplomática brasileira e esteve entre os assuntos relacionados à política externa discutidos durante a campanha.
A mensagem de Netanyahu também ocorre depois de uma primeira etapa eleitoral marcada pela atenção internacional ao resultado brasileiro. Além do primeiro-ministro de Israel, outras autoridades e personalidades estrangeiras também se manifestaram após a votação. O vice-premiê italiano Matteo Salvini e o presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, também publicaram mensagens relacionadas ao desempenho de Flávio no primeiro turno.
Apesar da diferença registrada no primeiro turno, a eleição ainda não foi definida. O TSE confirmou que Flávio Bolsonaro e Lula disputarão a Presidência no segundo turno, já que nenhum dos dois alcançou mais de 50% dos votos válidos na primeira etapa. Com isso, os dois candidatos terão novas semanas de campanha para apresentar propostas, buscar apoios e tentar ampliar suas respectivas votações.
A manifestação de Netanyahu também chama atenção pelo tom utilizado ao mencionar uma possível retomada das relações entre os dois países. Ao falar em “restabelecer” a amizade entre Israel e Brasil, o primeiro-ministro sinalizou sua preferência por uma relação bilateral mais próxima. A declaração, entretanto, representa a posição do governo israelense e não determina qualquer decisão da política externa brasileira, que dependerá do resultado das eleições e das escolhas do próximo governo.
A política externa deverá ser um dos assuntos que poderão ganhar espaço durante o segundo turno, especialmente porque Flávio já apresentou propostas específicas para a relação com Israel. Lula, por sua vez, possui uma trajetória própria de posicionamentos sobre o conflito no Oriente Médio e sobre as relações diplomáticas brasileiras. Eventuais diferenças entre os dois candidatos poderão voltar ao debate nas próximas semanas.
Com a mensagem publicada nesta segunda-feira, Netanyahu colocou novamente a relação entre Brasil e Israel no centro das atenções durante a campanha presidencial. O gesto diplomático ocorreu poucas horas depois da confirmação do resultado do primeiro turno e foi direcionado diretamente a Flávio Bolsonaro. Agora, enquanto os dois candidatos se preparam para a nova etapa da disputa, as posições sobre política externa, incluindo a relação com Israel, poderão ganhar ainda mais espaço no debate eleitoral até a votação de 25 de outubro.



