A tornozeleira eletrônica utilizada por Jair Bolsonaro durante o cumprimento da prisão domiciliar foi substituída no dia 29 de setembro de 2026, em Brasília. O procedimento ocorreu na residência do ex-presidente e foi realizado por uma policial do Centro Integrado de Monitoração Eletrônica (CIME). A informação consta em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), documento que registra atividades relacionadas ao monitoramento do ex-presidente.
Segundo as informações divulgadas pelo UOL, a substituição aconteceu entre 16h20 e 16h40. Para realizar a operação, a agente responsável utilizou um telefone funcional para fazer a desvinculação do equipamento anterior e a vinculação da nova tornozeleira ao sistema de monitoramento. O procedimento foi incluído no relatório elaborado pelo Núcleo de Custódia da Polícia Militar, que reúne registros periódicos sobre a rotina de Bolsonaro durante o cumprimento das determinações judiciais.
Um ponto que chama atenção no registro é que o documento não informa qual foi o motivo específico para a troca do equipamento. Também não há indicação, no relatório citado pelo O Globo, de que Bolsonaro tenha violado a tornozeleira ou descumprido as condições estabelecidas para a prisão domiciliar. Dessa forma, a substituição, por si só, não significa que tenha ocorrido uma irregularidade no monitoramento.
Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado. Atualmente, o ex-presidente cumpre a pena em regime domiciliar, medida que passou a ser aplicada em março de 2026. O monitoramento eletrônico faz parte do conjunto de mecanismos utilizados para acompanhar o cumprimento das determinações judiciais enquanto ele permanece em casa.
A substituição do equipamento ocorre em um momento de novas movimentações jurídicas envolvendo a defesa do ex-presidente. Um novo pedido de revisão criminal foi protocolado e ficará sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques, que já acompanha outro pedido relacionado à condenação de Bolsonaro. Os advogados utilizam, entre outros argumentos, declarações feitas pelo ministro Alexandre de Moraes durante uma sessão do STF para questionar aspectos relacionados às garantias processuais no julgamento.
Entre os argumentos apresentados pela defesa está a discussão sobre o acesso a elementos reunidos durante as investigações. Os advogados mencionam a necessidade de tempo adequado para análise das informações e fazem referência a uma sessão do Supremo realizada em setembro, na qual foram discutidas mensagens relacionadas ao caso Banco Master. A defesa sustenta que entendimentos apresentados naquela ocasião também deveriam ser considerados no processo envolvendo Bolsonaro.
A movimentação jurídica ganhou novos capítulos depois que a defesa havia apresentado, em 24 de setembro, um pedido para suspender a execução da pena enquanto a revisão criminal fosse analisada. Horas depois, os próprios advogados retiraram a solicitação. Na ocasião, o pedido havia sido encaminhado justamente ao ministro Kassio Nunes Marques, relator da revisão criminal.
Após a retirada daquele recurso, também houve mudança na equipe jurídica responsável pelo caso. O escritório Ávila Bessa informou que não continuaria atuando na defesa de Bolsonaro, enquanto a equipe atribuiu a retirada do pedido a uma reavaliação da estratégia jurídica. O novo pedido de revisão criminal não foi assinado pelo advogado Marcelo Luiz Ávila de Bessa, que integrava a defesa anteriormente.
Enquanto essas questões são discutidas na Justiça, o monitoramento da prisão domiciliar continua sendo registrado periodicamente. A troca da tornozeleira em 29 de setembro passou a integrar justamente essa documentação, que reúne informações sobre ocorrências e atividades relacionadas ao cumprimento das medidas determinadas pelo STF. O registro mostra que a rotina de acompanhamento segue sendo formalizada e encaminhada às autoridades responsáveis pela execução da pena.
A substituição do equipamento, portanto, aparece em meio a um período de intensa movimentação jurídica envolvendo o ex-presidente. O documento que registrou a troca não aponta, por si só, qualquer descumprimento das regras da prisão domiciliar e também não apresenta a razão específica para a substituição. Paralelamente, a defesa busca novos caminhos jurídicos para questionar a condenação e obter decisões favoráveis no processo que permanece em análise no Supremo.







