Quaest aponta empate técnico entre Lula e Flávio no 1º turno e vantagem numérica do senador no 2º

A menos de 24 horas da abertura das urnas, uma nova pesquisa Quaest divulgada neste sábado, 3 de outubro, reforçou o cenário de forte equilíbrio na disputa pela Presidência da República. Considerando apenas os votos válidos no primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 46%, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) registra 45%. A diferença de apenas um ponto percentual está dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, o que caracteriza empate técnico. Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) aparecem em seguida, todos com 3% dos votos válidos. Os demais candidatos incluídos no levantamento não pontuaram nesse cálculo. Como nenhum dos dois principais concorrentes alcança mais de 50% dos votos válidos na pesquisa, o cenário indicado pelo levantamento levaria Lula e Flávio Bolsonaro a uma eventual segunda etapa da eleição.
O resultado ganha ainda mais importância quando comparado ao cenário de segundo turno apresentado pela mesma pesquisa. Nessa simulação, considerando o total de entrevistados, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente, com 44% das intenções de voto, contra 42% de Lula. Mesmo assim, os dois continuam tecnicamente empatados porque a diferença de dois pontos coincide com a margem de erro informada pelo instituto. Outros 13% responderam que votariam em branco, anulariam o voto ou não compareceriam, enquanto apenas 1% se declarou indeciso. Na rodada anterior da Quaest, Flávio tinha 42% e Lula também aparecia com 42%, o que significa que o senador oscilou dois pontos para cima enquanto o presidente permaneceu numericamente estável. Essas movimentações, contudo, precisam ser interpretadas dentro da margem de erro: oscilações dessa dimensão não significam necessariamente uma mudança estatisticamente comprovada no comportamento de todo o eleitorado.
A Quaest entrevistou 3.702 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 2 e 3 de outubro, justamente na reta final da campanha. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiança informado é de 95%. O levantamento foi contratado pela Globo e está registrado na Justiça Eleitoral sob o protocolo BR-02197/2026. Um ponto importante para compreender os números é a diferença entre votos totais e votos válidos. Os votos válidos excluem brancos e nulos e são o critério utilizado pela Justiça Eleitoral para definir quem vence a eleição. Por isso, os 46% de Lula e os 45% de Flávio no primeiro turno não devem ser comparados diretamente com os 44% e 42% apresentados na simulação de segundo turno sem observar que os cálculos utilizam bases diferentes. A Quaest, assim como qualquer pesquisa eleitoral, oferece uma fotografia do momento em que as entrevistas foram realizadas e não uma previsão exata do resultado que será encontrado nas urnas.
O levantamento foi divulgado poucas horas depois de uma nova rodada do Datafolha, o que permite observar como institutos diferentes encontraram cenários semelhantes de forte competitividade, embora com percentuais distintos. No Datafolha deste sábado, Lula aparece com 45% dos votos válidos no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro registra 42%. A pesquisa ouviu 2.002 eleitores entre 1º e 3 de outubro e também possui margem de erro de dois pontos percentuais. Já na simulação de segundo turno feita pelo Datafolha, Lula registra 47% dos votos totais, contra 46% de Flávio, igualmente dentro da margem de erro. Assim, enquanto a Quaest coloca Lula apenas um ponto numericamente à frente no primeiro turno e Flávio dois pontos à frente no segundo, o Datafolha apresenta Lula numericamente à frente nas duas simulações. Em ambos os casos, porém, o elemento mais relevante é o mesmo: a disputa permanece extremamente apertada e as diferenças observadas precisam ser avaliadas considerando as respectivas margens de erro.
Outros levantamentos divulgados nesta mesma véspera de eleição mostram como a fotografia da disputa varia conforme a metodologia utilizada. O PoderData/AYA, por exemplo, registrou empate numérico de 46% a 46% entre Lula e Flávio em uma simulação de segundo turno. Já o instituto Gerp apresentou Flávio com 53% dos votos válidos contra 47% de Lula em um eventual confronto direto. A CNT/MDA, por sua vez, apontou Lula com 47,8% dos votos válidos no primeiro turno e Flávio com 42,1%. Essa diversidade não significa necessariamente que algum instituto esteja correto e outro errado. Pesquisas trabalham com amostras, formas diferentes de abordagem, períodos distintos de coleta e modelos próprios de ponderação. Quanto mais apertada está uma eleição, maior é a possibilidade de pequenas diferenças metodológicas produzirem resultados visualmente diferentes. Por isso, especialistas recomendam observar o conjunto de levantamentos e suas tendências, em vez de interpretar isoladamente um único percentual como confirmação antecipada de vitória ou derrota.
O dado político mais relevante da nova Quaest é, portanto, a confirmação de que Lula e Flávio Bolsonaro chegam ao último dia antes da eleição separados por uma distância mínima nas pesquisas. No primeiro turno, Lula tem 46% dos votos válidos e Flávio 45%; na simulação de segundo turno, o senador aparece numericamente à frente por 44% a 42%, mas ambos permanecem empatados tecnicamente. Para qualquer candidato vencer já neste domingo, será necessário conquistar mais da metade dos votos válidos efetivamente depositados nas urnas, algo que nenhuma das principais pesquisas divulgadas neste sábado indica de maneira inequívoca. Com indecisos em patamar reduzido e uma disputa polarizada, fatores como comparecimento às urnas, abstenção e mudanças de última hora podem assumir papel decisivo. A pesquisa Quaest, portanto, não determina quem vencerá, mas deixa um retrato claro da reta final: a eleição chega ao domingo sem um vencedor definido pelas pesquisas e com Lula e Flávio separados por margens extremamente estreitas.



