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Zettel afirma em áudio que Moraes seria o “melhor amigo” de Vorcaro

Novos elementos vieram a público nesta quarta-feira (30), trazendo à tona supostas relações pessoais entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Em conversas divulgadas pela revista Piauí, o pastor Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro do empresário, afirma que o magistrado seria o “melhor amigo” de Vorcaro, sugerindo que esse vínculo proporcionaria trânsito facilitado no mais alto tribunal do país. As declarações, registradas em mensagens e áudios, reacenderam debates sobre proximidades entre figuras do meio empresarial e do Poder Judiciário.

As trocas de mensagens ocorreram entre Zettel e uma interlocutora identificada como Marina, com quem manteve relacionamento extraconjugal desde o início de 2023 até ser preso, em março de 2026. O pastor é apontado como suspeito de intermediar pagamentos e ações destinadas a pressionar ou intimidar pessoas contrárias aos interesses do Banco Master. No trecho que ganhou maior repercussão, ele menciona jantares e encontros sociais que, segundo ele, demonstrariam a amizade entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. A fala não detalha eventuais desdobramentos práticos dessa convivência, mas reforça indícios de convívio frequente fora do ambiente institucional.

As mensagens também trazem relatos de momentos decisivos que antecederam a liquidação do Banco Master, em 18 de novembro de 2025. No dia anterior, Zettel contou à interlocutora ter viajado de Brasília a São Paulo ao lado de Vorcaro, a quem se referia com afeto. “Graças a Deus, a gente achou que ia estourar algo de ruim, mas hoje não estourou nada”, escreveu, ao demonstrar alívio com o desenrolar dos fatos. A passagem revela apreensão já presente naquele momento, antes de a intervenção oficial se consumar.

Daniel Vorcaro havia sido detido pela Polícia Federal no dia 17 de novembro, no Aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar com destino a Dubai. Após a prisão e a consequente liquidação da instituição financeira pelo Banco Central, Zettel descreveu a situação dramática enfrentada pelo empresário: banco fechado, contas e bens bloqueados, quatro diretores detidos e outros mandados de apreensão e investigação em curso. Chamou também a atenção a menção a um aparelho de telefonia encontrado escondido no veículo de Vorcaro, o que pode indicar tentativa de manter comunicações fora dos canais oficiais.

Em mensagem enviada em dezembro de 2025, Zettel expressou preocupação com recursos mantidos no exterior. Segundo ele, Vorcaro disporia de valores estimados em cerca de R$ 20 bilhões fora do país, mas não conseguiria acessá-los sem correr risco de nova detenção. Até o momento, as autoridades conseguiram localizar e bloquear aproximadamente R$ 2 bilhões em bens e imóveis ligados ao empresário, montante que deverá ser utilizado para ressarcir credores e clientes prejudicados pela quebra do banco. A diferença entre os valores apontados e os efetivamente encontrados mantém-se como um dos pontos centrais das apurações.

Até a publicação desta reportagem, as defesas de Fabiano Zettel e de Daniel Vorcaro não haviam respondido aos pedidos de esclarecimento encaminhados pela revista Piauí. A ausência de manifestação deixa sem explicação oficial as afirmações feitas nas mensagens, especialmente aquelas que envolvem o nome do ministro Alexandre de Moraes. Cabe agora às autoridades competentes avaliar a veracidade e o alcance das declarações, verificando se houve alguma interferência indevida no andamento de processos ou se as relações pessoais se mantiveram dentro dos limites aceitáveis pela função pública.

O caso segue sendo acompanhado com atenção pela sociedade, pois envolve confiança em instituições que devem pautar-se pela imparcialidade e pela transparência. A existência de laços pessoais entre membros do Judiciário e pessoas sob investigação exige esclarecimento pleno e célere, para que não pairem dúvidas sobre a lisura dos processos. O que está em jogo não é apenas a situação de um banco ou de seus controladores, mas também a certeza de que a lei se aplica a todos de maneira igual, sem privilégios e sem influências externas.

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