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Deputada grava vídeo bomba e denuncia trama na mineração entre Vorcaro e Nikolas Ferreira

A deputada estadual Bella Gonçalves (PT-MG) apresentou ao Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) uma representação que reúne três frentes de investigação ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ao governo de Romeu Zema (Novo), ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e ao paradeiro de uma testemunha considerada chave nas apurações. A parlamentar também cobra esclarecimentos da Polícia Federal (PF) e do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o andamento dos casos e a situação da mulher identificada como testemunha relevante. O conjunto de denúncias foi detalhado em vídeo divulgado pela própria deputada.

A primeira linha de investigação busca verificar possíveis relações entre a administração estadual mineira e empresas ligadas a Vorcaro, preso no âmbito de apurações sobre supostas fraudes e lavagem de dinheiro no Banco Master. Bella Gonçalves pede ao TCE-MG que analise contratos, atos administrativos e parcerias firmadas pelo governo com pessoas jurídicas e ativos vinculados ao ex-banqueiro. Um dos focos de atenção é a região da Serra do Curral, onde há empreendimentos de mineração que, segundo a representação, podem estar conectados aos interesses do grupo. A intenção é confirmar se houve tratamento diferenciado ou favorecimento a esses negócios.

O segundo ponto traz à tona uma gravação obtida pela PF, de março de 2025, em que o deputado Nikolas Ferreira conversa com Daniel Vorcaro de forma bastante próxima, chamando-o de “Dani” e “lindão”. Na mensagem, o parlamentar pede ajuda para liberar um empreendimento minerário localizado em Ouro Preto, que beneficiaria Thiago Rodrigues de Faria, seu ex-assessor e advogado. A deputada destaca que a área inclui uma barragem de rejeitos que havia sido embargada por risco ambiental. Nikolas já confirmou a autenticidade do áudio e também o uso de jatos cedidos por Vorcaro durante a campanha de 2022, mas negou qualquer vantagem indevida: “Não recebi nenhum tostão”, declarou. A representação busca saber se essa interlocução gerou alguma ação administrativa ou favorecimento ao negócio.

A terceira frente levanta questões sobre Nathana Lopes Figueiredo, esposa de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”. Segundo a PF, Mourão liderava um grupo que recebia cerca de R$ 1 milhão por mês do banqueiro para realizar ações de pressão, monitoramento e intimidação de pessoas contrárias aos interesses do grupo. Ele faleceu em março de 2026, enquanto estava sob custódia da PF. Nathana, que estava com ele no momento da prisão, passou a ser considerada testemunha importante. Apesar de a corporação ter manifestado preocupação com viagem ao exterior, ela recebeu autorização do ministro André Mendonça, do STF, para ir a Dubai. Bella Gonçalves questiona onde ela se encontra atualmente, se prestou depoimento e quais os motivos que possibilitaram a saída do país.

Além do TCE-MG, a deputada acionou formalmente a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal para cobrar informações sobre todos esses pontos. O objetivo, segundo ela, é mapear possíveis pontos de convergência entre agentes públicos, interesses privados e a rede de negócios associada ao Banco Master. A iniciativa busca também verificar se eventuais privilégios ou influências indevidas interferiram no andamento de processos administrativos, na liberação de empreendimentos e na proteção de testemunhas.

A parlamentar reconhece que levantar esses temas traz riscos, mas reafirma o compromisso de acompanhar de perto as conexões entre o poder público e grupos econômicos poderosos. O caso chama atenção por envolver figuras de destaque em Minas Gerais e no cenário nacional, e seus desdobramentos podem trazer esclarecimentos importantes sobre como decisões de governo, autorizações para atividades econômicas e a própria segurança de investigações são conduzidas. A sociedade acompanha com atenção, pois a transparência sobre essas relações é essencial para a confiança nas instituições e na lisura da gestão pública.

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