Tarcísio e Haddad trocam acusações sobre Bolsonaro e crime organizado durante debate

Tarcísio e Haddad trocam acusações sobre Bolsonaro e crime organizado durante debate

O último debate entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) antes do primeiro turno da eleição para o Governo de São Paulo foi marcado por críticas, ironias e referências aos grupos políticos ligados aos dois candidatos. Realizado pela TV Globo na noite de terça-feira (29), o encontro colocou frente a frente o atual governador, que busca a reeleição, e o ex-ministro da Fazenda e ex-prefeito da capital paulista. Ao longo dos quatro blocos, assuntos estaduais se misturaram a temas da política nacional, ampliando o confronto entre os dois.

Logo no início da discussão, Haddad levou para o debate questões relacionadas à atuação de Tarcísio durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, período em que o atual governador de São Paulo ocupou o Ministério da Infraestrutura. O petista mencionou a condução da pandemia e questionou os resultados deixados pela administração federal daquele período. A estratégia fez com que a disputa pelo governo estadual assumisse, mais uma vez, um caráter nacional, algo que já havia aparecido em outros encontros entre os candidatos durante a campanha.

Tarcísio respondeu direcionando as críticas para a administração de Haddad na Prefeitura de São Paulo. O governador afirmou que o adversário teria apresentado baixo número de entregas durante sua passagem pelo comando da capital e utilizou o histórico do petista para questionar suas propostas atuais. O tema de obras, compromissos de campanha e resultados administrativos também apareceu em outros momentos do debate, com os dois candidatos apresentando interpretações diferentes sobre promessas e realizações.

A segurança pública foi outro dos principais assuntos do encontro. Haddad questionou a presença de organizações criminosas em diferentes regiões do estado e colocou em discussão as estratégias adotadas pelo governo paulista. Tarcísio, por sua vez, defendeu as ações realizadas durante sua gestão e citou operações e medidas de combate às organizações criminosas. O tema ganhou ainda mais espaço quando os candidatos passaram a mencionar relações políticas e pessoas que, segundo as acusações feitas durante o programa, teriam sido alvo de investigações. As afirmações foram apresentadas no contexto do debate eleitoral e envolveram acusações e respostas entre os candidatos.

Um dos momentos que chamou atenção ocorreu quando Haddad questionou a participação de Tarcísio em um evento político relacionado à família do ex-vereador Milton Leite. O petista mencionou que o encontro havia ocorrido antes de Milton Leite ser preso sob suspeita de envolvimento com um esquema relacionado à infiltração do PCC no sistema de transporte público. A informação sobre a participação de Tarcísio no evento foi posteriormente confirmada em checagem publicada pela Folha. Em resposta, o governador afirmou que sua relação com a família Leite sempre teve caráter institucional e também citou um integrante do PT envolvido em investigação.

Saúde e educação também ocuparam espaço importante na discussão. Haddad criticou a situação das filas do sistema público de saúde e questionou medidas adotadas pela atual administração estadual. Tarcísio rebateu apontando ações de seu governo e voltou a fazer críticas à gestão do petista na Prefeitura de São Paulo. Na área da educação, os dois divergiram sobre promessas, resultados e políticas voltadas às escolas estaduais. Durante o confronto, Tarcísio chegou a comparar Haddad ao personagem Pinóquio ao responder uma acusação relacionada à educação inclusiva.

A economia e a administração pública também entraram na disputa. Haddad questionou decisões tomadas pelo governo estadual, incluindo políticas de privatização e resultados apresentados pela gestão. Tarcísio defendeu suas medidas e criticou a atuação do governo federal. A privatização da Sabesp, a situação fiscal de São Paulo e indicadores relacionados a serviços públicos estiveram entre os pontos debatidos. Após o programa, uma análise publicada pela Folha apontou imprecisões e divergências nas informações apresentadas pelos dois candidatos durante o encontro, envolvendo temas como contas públicas, Sabesp, educação e despoluição do rio Tietê.

Outro elemento marcante foi a presença constante da política nacional. Haddad associou Tarcísio ao grupo político de Bolsonaro e citou o ex-presidente e seus aliados em diferentes momentos. O governador, por sua vez, defendeu suas alianças e respondeu com críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dessa forma, apesar de a eleição definir o comando do estado de São Paulo, o debate mostrou novamente como as disputas nacionais influenciam o cenário eleitoral paulista.

No encerramento, os dois candidatos voltaram a utilizar os minutos finais para reforçar suas críticas e apresentar suas respectivas visões sobre o futuro de São Paulo. Haddad direcionou parte de sua fala para aliados de Tarcísio e para questões envolvendo o grupo político ligado ao governador. Tarcísio, por outro lado, reafirmou suas posições e defendeu a continuidade das políticas de sua administração. O debate terminou, assim, mantendo o tom de confronto que marcou boa parte da campanha entre os dois principais nomes da disputa.