O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, convocou para esta quarta-feira, 30 de setembro, uma sessão virtual sobre uma das controvérsias da campanha presidencial de 2026. O plenário deverá analisar a decisão do ministro André Mendonça que determinou a retirada de publicações associando o candidato Flávio Bolsonaro, do PL, a uma suposta iniciativa para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A movimentação ganha destaque porque ocorre a poucos dias do primeiro turno e depois de decisões divergentes no Supremo Tribunal Federal, ampliando a atenção sobre os limites da atuação judicial em questões eleitorais e sobre a forma como conteúdos políticos devem ser tratados durante a campanha.
A controvérsia começou quando Mendonça, atuando como juiz auxiliar da propaganda eleitoral no TSE, determinou a remoção de publicações que vinculavam Flávio Bolsonaro à suposta proposta. O candidato negou qualquer intenção de alterar o reconhecimento de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do país. A decisão alcançou conteúdos publicados nas redes, incluindo manifestações políticas e humorísticas. O caso ultrapassou a esfera do Tribunal Superior Eleitoral e chegou ao Supremo, onde passou a ser discutido sob outra perspectiva: a liberdade de expressão e os limites para a retirada de conteúdos durante o período eleitoral. Decisões provisórias tomadas por ministros diferentes produziram efeitos distintos em um curto espaço de tempo.
No Supremo, o ministro Flávio Dino suspendeu a ordem de retirada de parte das publicações, entendendo que a discussão envolvia questões constitucionais relacionadas à liberdade de manifestação. Posteriormente, o ministro Luiz Fux suspendeu a decisão de Dino e restabeleceu, provisoriamente, a determinação originalmente adotada por André Mendonça. Com isso, o cenário jurídico passou a reunir decisões de duas Cortes superiores sobre o mesmo tema, criando expectativa em torno de uma manifestação colegiada. É nesse contexto que Nunes Marques, presidente do TSE, levou a questão ao plenário virtual da Justiça Eleitoral. A análise pelos demais integrantes poderá esclarecer qual entendimento será aplicado ao caso e quais critérios devem orientar situações semelhantes na reta final da campanha.
A convocação também chama atenção porque Nunes Marques havia manifestado preocupação com intervenções do STF em matérias eleitorais que poderiam ser examinadas pelo TSE. Em manifestação, o ministro mencionou riscos institucionais quando decisões relacionadas ao processo eleitoral são analisadas fora da Justiça Eleitoral antes de uma avaliação colegiada da Corte. Essa posição representa o entendimento apresentado pelo presidente do TSE e não uma conclusão definitiva sobre a atuação de outros ministros. O julgamento desta quarta-feira, portanto, não deve ser interpretado apenas como um embate pessoal entre integrantes dos tribunais. A discussão envolve competências institucionais, procedimentos previstos para o exame de propaganda eleitoral e garantias constitucionais diante de conteúdos divulgados nas redes sociais.
A organização das eleições de 2026 prevê mecanismos para que decisões urgentes sobre propaganda sejam submetidas ao colegiado. Uma portaria do TSE publicada em maio designou André Mendonça como juiz auxiliar da propaganda eleitoral e estabeleceu que decisões sobre liminares e direito de resposta devem ser levadas ao plenário pela Presidência, inclusive por meio de sessão virtual. O edital de convocação divulgado pelo Tribunal confirma a realização de sessão extraordinária virtual a partir de 30 de setembro. Dessa forma, a análise colegiada ocorre dentro de procedimento previsto pela Justiça Eleitoral. O resultado poderá definir se a ordem de remoção das publicações será mantida, modificada ou afastada, além de fornecer referências para outros processos semelhantes durante os últimos dias da campanha.
Enquanto os ministros analisam o caso, a decisão desperta interesse por seus possíveis efeitos sobre a atuação das campanhas, das plataformas digitais e dos eleitores. O ponto central não está apenas no conteúdo das postagens, mas também na definição de como a Justiça Eleitoral deve reagir a informações contestadas sem restringir indevidamente manifestações protegidas pela Constituição. Até que o plenário conclua o julgamento, permanecem relevantes as decisões provisórias já tomadas e os argumentos apresentados por cada ministro. Para o público, é importante distinguir fatos confirmados, alegações de campanha e interpretações jurídicas ainda em discussão. A sessão desta quarta-feira poderá oferecer uma posição clara do TSE sobre o episódio e indicar como a Corte pretende equilibrar liberdade de expressão, proteção do processo eleitoral e enfrentamento à desinformação nesta fase das eleições de 2026.







