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Desgastado e enrolado com Vorcaro, Alcolumbre vê sua reeleição escapar no Senado

A proximidade das eleições e a sucessão parlamentar em Brasília colocam em evidência tensões que atravessam diferentes esferas do poder. No Senado, o presidente Davi Alcolumbre enfrenta um cenário de crescente dificuldade para reconduzir-se ao cargo em fevereiro de 2027. Revelações sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, mantida em tom de grande proximidade, somam-se a críticas sobre a condução da pauta legislativa. O senador Marcos Pontes (PL-SP), que já se articula como possível sucessor, classifica o clima como desfavorável, e o senador Eduardo Girão (Novo-CE) resume a percepção compartilhada por diversos pares: “sem clima para continuar”.

Entre as reclamações está a resistência em dar andamento à CPI do Banco Master, apoiada por maioria de 53 senadores, bem como a manutenção de processos no Conselho de Ética sem apreciação — o colegiado não se reúne há dois anos. A oposição entende que a postura visa proteger não apenas Vorcaro, mas também ministros do Supremo Tribunal Federal cujos processos seguem sem desfecho. A percepção de troca de favores ganha força, enquanto a iniciativa de impugnação de ministros também não avança, gerando insatisfação entre os que defendem maior celeridade.

No plano estadual, a disputa pelo governo de Goiás impede a consolidação de um movimento de voto útil que a campanha de Flávio Bolsonaro buscava junto ao governador Ronaldo Caiado (PSD). A relação entre os dois se desgastou durante a formação das chapas: parte do diretório desejava aliança com o indicado de Caiado, Daniel Vilela (MDB), mas o PL preferiu lançar candidatura própria. Embora Caiado tenha feito críticas públicas a Flávio Bolsonaro, a principal divergência permanece com a direção nacional do partido. A disputa ao Senado também divide os dois lados, com o presidenciável tentando emplacar a esposa, Gracinha Caiado, enquanto o PL lança nomes alternativos.

Decisões recentes no Supremo Tribunal Federal reacenderam debates sobre a linha entre liberdade de expressão e regras eleitorais. O senador Rogério Marinho (PL-RN) avalia que a medida do ministro Flávio Dino, que liberou publicações relacionadas à controvérsia sobre Nossa Senhora Aparecida, teria sido tomada em momento inadequado, favorecendo um dos candidatos. A cobrança por maior clareza e uniformidade nas decisões ganha força, com defesa de reformas que garantam critérios independentes de conveniência política.

Outros temas ganham espaço na campanha a poucos dias do pleito. A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg registrou elevação da reprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a 54%, índice considerado o mais alto do levantamento. A atuação de figuras ligadas ao passado político também é lembrada: o apoio prestado por Lula a Delúbio Soares, envolvido em escândalos anteriores, foi destacado por opositores. Em Minas Gerais, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) articula esforços para concentrar votos de oposição em Flávio Bolsonaro.

Declarações feitas em ato público no Pará também geraram repercussão. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) manifestou desconforto com as afirmações sobre exames de saúde e comportamento, ressaltando a sensibilidade do tema especialmente em regiões onde a proteção de crianças e adolescentes é prioridade. Críticas também recaíram sobre a distribuição da agenda de viagens: das 52 visitas feitas pelo país, a maior parte concentrou-se em estados do Sudeste e Sul, com apenas uma ida à região Norte antes da reta final.

A coerência nas cobranças entre aliados e opositores também é observada. O governador Tarcísio de Freitas foi criticado por Fernando Haddad ao faltar a debate, mas o próprio candidato petista não participou de nenhum encontro presencial com adversários até o momento. Do outro lado, Daniel Vorcaro, mantido em prisão preventiva, conseguiu transferir seu título eleitoral para votar no presídio em Brasília, sendo considerado apto a exercer o direito ao voto. A diversidade de temas e tensões mostra como a campanha segue aberta, com desdobramentos diários que podem influenciar a decisão do eleitorado no próximo domingo.

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