A atuação dos ministros André Mendonça e Dias Toffoli no Tribunal Superior Eleitoral passou a despertar atenção no Judiciário após um levantamento apontar frequência elevada de votos convergentes entre os dois magistrados. A análise considera julgamentos realizados entre fevereiro e agosto de 2026 e mostra que ambos estiveram entre os integrantes da Corte que menos vezes acolheram posições defendidas pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O dado ganhou repercussão nesta quarta-feira, 30 de setembro, em meio à reta final das eleições e às discussões sobre decisões recentes do TSE. Embora a proximidade nos resultados das votações tenha provocado interpretações diferentes, os números, isoladamente, não demonstram acordo político ou atuação coordenada entre os ministros.
Segundo o levantamento atribuído à jornalista Bela Megale, foram examinadas 21 votações concluídas no plenário do TSE durante o período analisado. Mendonça e Toffoli votaram favoravelmente aos pedidos da campanha de Lula em 12 dessas ocasiões, o equivalente a aproximadamente 57% dos julgamentos considerados. O ministro Floriano de Azevedo Marques Neto, por comparação, apresentou 15 votos favoráveis no mesmo conjunto de processos, cerca de 71%. A diferença indica variação no comportamento dos integrantes da Corte diante dos casos examinados, mas precisa ser interpretada com cautela. Cada processo possui fatos, pedidos e fundamentos jurídicos próprios, razão pela qual uma comparação numérica não permite concluir, por si só, que exista alinhamento permanente entre magistrados ou preferência por candidatura.
A composição atual do TSE ajuda a entender por que essas votações recebem atenção. Kassio Nunes Marques ocupa a Presidência do Tribunal, André Mendonça exerce a Vice-Presidência e Dias Toffoli integra a Corte como ministro efetivo do Supremo Tribunal Federal. O TSE é formado por sete magistrados, com representantes do STF, do Superior Tribunal de Justiça e da classe dos juristas. Mendonça tem participação relevante na análise inicial de processos eleitorais, inclusive em ações sobre propaganda e publicidade institucional. Levantamentos publicados em agosto indicaram que ele concentrava dezenas de processos dessa natureza. Ainda assim, decisões individuais e votos no plenário seguem procedimentos distintos, e o resultado depende dos fundamentos apresentados e da formação de maioria no colegiado.
A repercussão aumentou porque a convergência de votos foi associada, em reportagens, às tensões envolvendo o caso Banco Master, tema que colocou ministros do Supremo em posições diferentes. Uma reportagem citada pela publicação original afirma que integrantes do STF próximos ao ministro Alexandre de Moraes interpretam a aproximação entre Mendonça e Toffoli como consequência de acontecimentos relacionados a esse caso. Essa leitura, porém, representa uma avaliação atribuída a interlocutores e não um fato comprovado. Até agora, não há elemento público suficiente para afirmar que votações no TSE tenham sido determinadas por relações pessoais ou episódios externos aos processos eleitorais. Para uma cobertura responsável, é importante separar coincidência de votos, interpretação de bastidores e evidência concreta de coordenação.
O histórico recente do TSE mostra que Mendonça e Toffoli podem ocupar posições distintas em processos relevantes. Em setembro, por exemplo, Toffoli votou pela rejeição da candidatura de Antônio Paulo de Furlan ao governo do Amapá, enquanto Mendonça pediu vista e interrompeu o julgamento. Em outro caso, Toffoli relatou recurso sobre o registro da candidatura de José Roberto Arruda ao governo do Distrito Federal. Esses episódios mostram que a atuação dos ministros não pode ser resumida a percentuais de coincidência. A análise de decisões judiciais exige observar o conteúdo de cada processo, os argumentos das partes, a legislação aplicável e os votos individuais, especialmente durante um período eleitoral marcado por grande volume de ações e decisões urgentes.
Com a proximidade do primeiro turno, cada decisão do Tribunal Superior Eleitoral recebe ampla atenção de campanhas, partidos, advogados e eleitores. A coincidência registrada entre votos de André Mendonça e Dias Toffoli é relevante para compreender o funcionamento recente da Corte, mas não autoriza conclusões automáticas sobre alianças internas ou motivações políticas. O levantamento se limita a 21 julgamentos entre fevereiro e agosto e não representa toda a atuação dos ministros no TSE. Nos próximos dias, novos processos poderão produzir maior convergência ou divergência entre os integrantes do Tribunal. Para o público, o essencial é acompanhar decisões com base em seus fundamentos e resultados oficiais, evitando transformar estatísticas parciais em afirmações definitivas sobre a conduta dos magistrados.







