Flávio Bolsonaro ergue imagem de Nossa Senhora Aparecida durante ato

Uma cena protagonizada por Flávio Bolsonaro (PL) durante um ato político em São Paulo voltou a colocar a religião no centro do debate eleitoral. Na segunda-feira (28), o senador e candidato à Presidência ergueu uma imagem de Nossa Senhora Aparecida ao lado do governador Tarcísio de Freitas.
O gesto ocorreu justamente durante uma semana marcada por discussões envolvendo o candidato, a Igreja Católica e o eleitorado evangélico. A imagem rapidamente circulou pelas redes sociais e provocou interpretações diferentes entre os usuários.
Segundo reportagem do SBT News, lideranças e frequentadores de diferentes denominações evangélicas ouvidos pela publicação questionaram a decisão de Flávio de levantar a imagem da santa. A principal dúvida apresentada foi sobre a identificação do candidato com determinados segmentos evangélicos, já que muitas denominações protestantes não adotam a veneração de imagens religiosas.
A representação de Nossa Senhora Aparecida teria sido entregue ao senador por uma participante durante a caminhada. Flávio então levantou a imagem diante do público, em uma cena que acabou ganhando grande repercussão. O episódio aconteceu poucos dias depois de uma controvérsia relacionada a uma informação falsa sobre uma suposta intenção de retirar Nossa Senhora Aparecida do título de Padroeira do Brasil.
A checagem realizada pelo Projeto Comprova mostrou que Flávio não é autor do projeto citado nas publicações. A proposta havia sido apresentada em 2007 pelo então deputado federal Professor Victório Galli e acabou arquivada em 2008. Flávio negou que exista qualquer intenção de retirar o título religioso e classificou a informação que circulou nas redes como falsa.
A repercussão da imagem também trouxe à tona uma diferença antiga entre as tradições cristãs. Na Igreja Católica, imagens de santos são utilizadas como representações religiosas e fazem parte de diversas manifestações de fé. Nossa Senhora Aparecida ocupa um espaço especialmente importante na religiosidade brasileira.
Entre os evangélicos, porém, a relação com imagens de santos é diferente. De acordo com explicações publicadas pela imprensa nesta semana, muitas denominações protestantes entendem que a oração e o culto devem ser direcionados exclusivamente a Deus. Por isso, a utilização de imagens de santos pode ser interpretada de maneira negativa por parte desse público.
Essa diferença ajuda a explicar por que uma fotografia aparentemente simples ganhou tanta atenção durante a campanha presidencial. A imagem também foi divulgada em um momento delicado para Flávio. Nos últimos dias, publicações nas redes sociais associaram seu nome a um antigo projeto de lei sobre Nossa Senhora Aparecida.
A proposta de 2007 sugeria alterar a referência à santa na legislação relacionada ao feriado de 12 de outubro. O projeto, entretanto, não avançou e foi arquivado no ano seguinte. A checagem do Comprova também confirmou que Flávio Bolsonaro não foi responsável pela proposta. A discussão ganhou força depois de comentários feitos na GloboNews e acabou envolvendo diferentes personagens da política. Posteriormente, a emissora se retratou pela informação apresentada no programa.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) também entrou no debate. Em nota, a entidade afirmou que não produziu, autorizou ou participou da elaboração e divulgação de informações falsas relacionadas ao processo eleitoral.
Em meio à repercussão, o candidato passou a defender publicamente que a discussão envolvendo Nossa Senhora Aparecida era baseada em uma informação falsa. Em outro episódio recente, também explicou que sua declaração sobre “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”, caso fosse eleito, teria caráter simbólico.



